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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Fome e sede ameaçam sobreviventes de tufão nas Filipinas

O cenário em Tacloban é de devastação. Na rua principal da cidade, de cerca 280 mil habitantes antes da tragédia, dezenas de corpos se decompõem a céu aberto.

Três dias após a passagem do tufão Haiyan, ainda não foram enterrados.

Até 10 mil pessoas podem ter morrido apenas em Tacloban, além de centenas em outros lugares.

Em meio aos escombros do aeroporto da cidade, foi montado um hospital improvisado. Muitos dos pacientes são tratados sem anestesia.

As pessoas que esperam no local estão desesperadas para deixar a região, em qualquer avião que possam encontrar. Centenas de pessoas esperam no aeroporto por qualquer ajuda que possa chegar.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O mapa de esquizofrenia


Cientistas registram a atividade cerebral de camundongos com sintomas da doença.

Um experimento de cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, poderá abrir frente para novos tratamentos da esquizofrenia, um transtorno mental que afeta 1% da população mundial.

Pela primeira vez, os pesquisadores conseguiram mapear a atividade cerebral que parece produzir a desorganização mental característica da doença, geralmente também acompanhada de delírios e alucinações. "Nossos resultados não são práticos no momento, mas certamente irão proporcionar uma nova forma de olhar para o mecanismo de ação dos atuais tratamentos e medicamentos antipsicóticos e levar a uma nova intervenção terapêutica" afirmou ao GLOBO um dos coordenadores da pesquisa, o professor Junghyup Suh. Para realizar o teste, pesquisadores do Instituto de Ciência do Cérebro Riken do MIT gravaram as oscilações das ondas cerebrais do hipocampo de camundongos, entre eles, alguns geneticamente modificados para apresentar sintomas semelhantes à esquizofrenia. Estes não produziam uma proteína chamada calcineurina, uma vez que mutações no gene que produz esta substância já tinha sido percebida em pacientes com o transtorno mental.

Os camundongos com proteína bloqueada tendiam a ter perda de memória de curto prazo, assim como comportamento social anormal e déficit de atenção.

DESORGANIZAÇÃO MENTAL EM ESQUIZOFRÊNICOS

Os roedores foram colocados num labirinto. No período de descanso, o cérebro dos animais normais ativava as células de localização do hipocampo na mesma ordem em que eles tinham percorrido o trajeto imposto. Aqueles com o transtorno, ao contrário, ativavam todas as células de localização ao mesmo tempo e em níveis anormais. Isto sugere, segundo os cientistas, que eles têm uma desorganização neuronal que os impede de repetir mentalmente uma rota que eles tinham acabado de fazer.

O artigo publicado na “Neuron” exemplifica que em camundongos normais o papel da calcineurina é reprimir a conexão entre os neurônios, as sinapses, no hipocampo. Em roedores sem a calcineurina, um fenômeno conhecido como potenciação de longo prazo (aumento rápido da resposta entre as sinapses) se tornava mais prevalente.

Os pesquisadores acreditam que a atividade anormal vista no hipocampo pode ocorrer por uma interrupção da chamada rede de modo padrão do cérebro, uma rede de comunicação que liga o hipocampo, o córtex pré-frontal e outras partes do córtex. Esta rede é mais ativa quando o indivíduo (ou no caso o roedor) está descansando entre tarefas determinadas. Quando o cérebro foca numa atividade, a rede de modo padrão é desligada.

Entretanto, esta rede é hiperativa em esquizofrênicos tanto antes quanto durante as tarefas que requerem foco. Eles geralmente não desempenham bem estas tarefas. "A possível terapia teria uma abordagem neurobiológica para diminuir a atividade cerebral na rede de modo padrão, para, assim, aliviar os sintomas e até curar o transtorno mental" acrescentou o pesquisador.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a esquizofrenia afeta cerca de 24 milhões de pessoas no mundo. O transtorno é tratável, mas a terapia é mais eficiente se ocorrer no estágio inicial.

Ele acomete principalmente jovens do sexo masculino. Mais de 50% dos esquizofrênicos, entretanto, não recebem os cuidados necessários, e mais de 90% destes estão em países em desenvolvimento, como o Brasil.

Tema que inspira uma série de filmes e livros, a esquizofrenia é conhecida de boa parte da população, mas cujos avanços não acompanham sua popularidade. Aqueles que sofriam do transtorno já foram tachados de possuídos por demônios, eram temidos e exilados. Apenas nos últimos 60 anos é que vieram os maiores progressos, com a chegada dos medicamentos anti-psicóticos. A própria equipe que realizou o experimento no MIT vem, há pelo menos uma década, investigando possibilidades de tratamento.

Em 2003, o grupo conseguiu mostrar que pacientes com esquizofrenia tinham mutações no gene responsável pela produção da calcineurina. Este não é, no entanto, o único a influenciar no aparecimento da doença. Na verdade, há vários genes suscetíveis à esquizofrenia, já que se trata de um transtorno mental de genes múltiplos que podem, também, ser afetados pelo meio ambiente.

É difícil afirmar que um gene é mais importante do que outros. Também estão entre eles: Catecol O-Metiltransferase (COMT), Neurogulin 1 (NRG1) e proteína 1 interrompida na esquizofrenia (DISC1). "Quero ressaltar, ainda assim, que nenhum dos estudos chegou a investigar as mudanças ou anormalidades no processamento da informação numa única célula ou num circuito como fizemos nesta pesquisa" defendeu Suh.

Informação divulgada no jornal O Globo.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Pessoas com deficiência são ignoradas em desastres, mostra estudo da ONU

Uma alta proporção de pessoas com deficiência morre ou sofre lesões durante desastres porque raramente são consultadas sobre suas necessidades e Governos não têm infraestrutura adequada para supri-las. A conclusão é de uma pesquisa produzida pela Estratégia Internacional das Nações Unidas para a Redução de Desastres (UNISDR) e parceiros.

O estudo divulgado nesta quinta-feira (10) consultou cerca de 6 mil pessoas com deficiência em 126 países sobre como lidar e se preparar para as catástrofes. Os resultados mostram que nos casos em que as pessoas precisam ser retiradas, como em inundações ou terremotos, apenas 20% dos entrevistados poderia deixar o local imediatamente sem dificuldades; 6% não seria capaz de abandonar a área e o restante teria condições de sair com um certo grau de dificuldade.

Um dos entrevistados, por exemplo, relatou que não tem como receber os sinais de alerta por não escutar as sirenes.

“Os resultados desta pesquisa são chocantes. Eles revelam que a principal razão pela qual um número desproporcional de pessoas com deficiência sofre e morre em desastres é porque, na maioria das situações, as suas necessidades são ignoradas e negligenciadas pelo processo de planejamento oficial”, disse a chefe da UNISDR, Margareta Wahlström.

Wahlström disse que as pessoas com deficiência também enfrentam dificuldades pós-desastres porque os sistemas de emergência e assistência não estão preparados para receber quem depende de ajuda ou tem alguma deficiência.

Às vésperas do Dia Internacional para a Redução de Desastre (13 de outubro), a UNISDR acrescentou que os conhecimentos e experiências dos entrevitados serão debatidos na Conferência Mundial sobre Redução de Riscos de Desastres em 2015, no Japão, quando um novo quadro de ação deve ser adotado.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Proteína oferece pista importante sobre perda de memória com idade

Cientistas americanos dizem ter encontrado uma pista importante sobre o porque a memória se deteriora com a idade.

Experiências feitas com camundongos sugerem que baixos níveis de proteína no cérebro podem ser responsáveis por perda de memória.

O estudo publicado pela revista científica Science Translational Medicine afirma que a perda de memória não tem relação com Alzheimer.

A equipe do Columbia University Medical Center começou analisando o cérebro de oito pessoas já falecidas, com idades entre 22 e 28 anos, que doaram seus órgãos para pesquisa médica. Eles encontraram 17 genes cujas atividades variavam com a idade. Um deles continha instruções para fazer a proteína RbAp48, que ficou menos ativo com o tempo.

Camundongos jovens criados com baixos níveis de RbAp48 em laboratório tiveram desempenho mais fraco em testes de memória. E usando um vírus para melhorar o nível de RbAp48 em camundongos mais velhos, aparentemente não só a memória melhorou, como também foi reduzido o nível de deterioração."O fato de que nós fomos capazes de reverter a memória relacionada ao envelhecimento em camundongos é bastante animador", disse a professora Erica Kandel, que trabalhou na pesquisa.

"No mínimo, mostra que essa proteína é um fator importante, e faz alusão ao fato de que a perda de memória relacionada à idade acontece em função de uma mudança de algum tipo nos neurônios. Ao contrário do Alzheimer, não existe perda signigicativa (no número) de neurônios", afirmou a professora.

Ainda não se sabe o impacto que o ajuste no nível de RbAp48 tem no cérebro humano, que é mais complexo. Nem mesmo se entende se seria possível manipular estes níveis com confiança. Mas Simon Ridley, da entidade Alzheimer Research UK, que não participou da pesquisa, disse que os resultados do estudo avança em uma área desafiadora para a ciência, que é a compreensão sobre os mecanismos que causam Alzheimer e os que provocam perda de memória em relação à idade.

Informação divulgada através do portal BBC.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Decisão judicial cria 'paranoia' de terremotos na Itália


Passaram-se quatro anos desde o devastador terremoto em Áquila, Itália, e seis meses desde que seis cientistas e uma autoridade foram condenados por homicídio culposo (sem intenção), por supostamente terem fracassado em comunicar o tremor à população.

Como consequência, dizem alguns moradores, ordens de evacuação são cumpridas rapidamente - talvez rapidamente demais.

"Todo mundo sabe que não dá para prever um terremoto." A frase é de Anne Thornley-Bennett, que mora na cidade italiana de Barga. Então por que, em 31 de janeiro, ela decidiu abandonar sua casa quando as autoridades locais emitiram advertências de que um grande terremoto se aproximava?

"Recebemos dezenas de telefonemas e mensagens de celular, uma dela dizendo apenas 'saia'. Acabamos entrando na onda", ela suspira. "Se fôssemos apenas eu e meu marido, acho que não teríamos seguido a advertência. Teríamos ficado no piso térreo (da casa) em nossos sacos de dormir, como já fizemos antes. Mas temos crianças... Se algo acontecesse, nunca me perdoaria."

Pânico para nada

Barga fica na pitoresca - porém sismicamente instável - região de Garfagnana, na Toscana. Durante uma semana, seus moradores conviveram com tremores e choques secundários.

"Foi assustador, porque podíamos escutar a terra grunhindo. Um dia, as crianças foram retiradas da escola sem seus casacos", ela ri, explicando que apenas em uma emergência séria crianças italianas seriam retiradas da sala de aula sem abrigos no inverno.

Garfagnana foi palco de um enorme terremoto de magnitude 6,5 em 1920; mesmo assim, autoridades locais nunca haviam entrado em pânico como fizeram em janeiro passado.

A decisão de um dos prefeitos locais, de evacuar o centro da cidade em 31 de janeiro, espalhou medo nos municípios ao redor, onde milhares de moradores foram advertidos a dormir em seus carros ou em abrigos improvisados em escolas. Hospitais e asilos foram esvaziados.

No final, nada aconteceu. No dia seguinte, todos voltaram para casa.

A Itália não costumava se preocupar muito com pequenos tremores. A mudança parece ter sido consequência direta da polêmica e contestada condenação, no ano passado, de sete membros (seis dos quais eram cientistas) da Comissão de Alto Risco da Itália, por homicídio culposo.

Eles foram penalizados por falhar em comunicar à população o grande risco do terremoto em Áquila.

O veredicto produziu seus próprios choques secundários.

"Alarmismo? (Na verdade), é consequência do veredicto de Áquila", diz Franco Gabrielli, chefe da Defesa Civil, no dia seguinte à evacuação de moradores em Garfagnana.

Sua porta-voz, Francesca Maffini, diz que cientistas vão ser mais cautelosos a partir de agora. "Não é o veredicto em si, mas o fato de eles terem ido a julgamento", diz ela. "Se o risco (estimado de um terremoto) for entre zero e 40%, eles vão te dizer que será de 40%, mesmo que achem que é mais perto de zero. Eles estão se protegendo, o que é compreensível."

Aplicativos e tuítes

O professor Stefano Gresta, presidente do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia, admite que as condenações dos cientistas tiveram um grande impacto. Mas ele também acha que houve erros no dia 31 de janeiro em Barga, na forma como a previsão de terremoto foi comunicada entre as autoridades. A escalada do pânico partiu de um único tuíte enviado por um conselho local, pedindo que os moradores "dormissem longe de suas casas".

No passado, advertências como essa seriam interpretadas e filtradas por órgãos como a Comissão de Alto Risco, a Defesa Civil e autoridades regionais. Hoje, moradores recebem avisos diretamente em seus celulares, com aplicativos como "Terremoti Italia" e "Hai sentito il terremoto?" (Você sentiu o terremoto?).

"Alguns aplicativos te avisam sempre que houver um tremor, inclusive os menores, que sequer podem ser sentidos por humanos", diz um artista irlandês radicado na Itália que se identifica apenas como Keane. "O meu (celular) diz que houve 15 desses hoje na Itália, dois aqui na área. Torna-se uma paranoia."

Esse fenômeno preocupa Gresta. Ele não acha que o alarmismo e as noites passadas nos carros serão a solução para o problema e defende mudanças de infraestrutura. "É preciso mais conscientização quanto à vulnerabilidade das casas onde moramos e trabalhamos e, se necessário, elas devem se tornar mais seguras", diz ele.

Mas isso custaria caro.

Ao mesmo tempo, Thornley-Bennett diz que os moradores de Barga não se importaram em abandonar suas casas no dia 31 de janeiro. "Encontramos conhecidos e as crianças brincaram entre si. Por volta de 2h00 da manhã, autoridades apareceram com centenas de cadeiras, então sentamos e conversamos. Na manhã, levamos as crianças para tomar café e voltamos para casa."

Ainda que um pouco assustadas pelos tremores, pelo menos naquela noite as crianças se divertiram.

Informação divulgada através do portal BBC Brasil.

Opinião: energia e Sustentabilidade

A energia elétrica sustentável

A posta mais segura no futuro energético é a necessidade de fontes energéticas de baixo carbono. Cerca de 80% da energia primária consumida hoje no mundo é à base de carbono: carvão, petróleo e gás. Teremos de mudar para uma energia sem carbono - ou de baixo carbono - até meados do século. As grandes interrogações: como e quando.

A energia primária de baixa emissão de carbono envolve três opções: energia renovável, entre as quais a eólica, a solar, a geotérmica, a hidrelétrica e a gerada pelo aproveitamento da biomassa; a energia nuclear; e captura e sequestro de carbono, o que significa usar combustíveis fósseis para criar energia, mas aprisionar as emissões de CO2 resultantes e armazenar o carbono em segurança no subsolo.

Há três razões incontornáveis para o mundo fazer a mudança para uma energia de baixo carbono. Em primeiro lugar, a elevação dos níveis de CO2 está acidificando os mares da Terra. Se mantivermos nossos velhos hábitos, acabaremos destruindo uma enorme parte da vida marinha, o que comprometerá severamente as cadeias alimentares das quais dependemos.

Muitos, sem dúvida, discutirão qual das alternativas é mais inteligente: a aposta da França na energia elétrica de centrais nucleares ou a opção solar da Alemanha. Mas tudo indica que ambas as estratégias estão corretas.

Em segundo lugar, o CO2 está mudando perigosamente o clima do mundo, por mais que os interesses dos grandes conglomerados do petróleo tentem nos convencer do contrário.

Em terceiro lugar, estamos diante da alta significativa dos preços dos combustíveis fósseis, num momento em que o crescimento dos países em desenvolvimento eleva a demanda e se esgotam as fontes convencionais de carvão, petróleo e gás. Podemos, seguramente, encontrar mais combustíveis fósseis, mas a um custo muito mais alto e com um risco ambiental muito maior, decorrente de contaminações industriais, resíduos, vazamentos e outros estragos.

Mesmo a tão apregoada revolução do gás de xisto é, em grande medida, um excesso de alarde publicitário - semelhante às corridas do ouro e às bolhas das ações do passado. As reservas de gás de xisto se esgotam muito mais rapidamente do que os campos convencionais. E são ambientalmente sujas, para piorar.

Os Estados Unidos desenvolveram muitas novas tecnologias energéticas de baixo carbono, mas outros países mostram-se atualmente muito mais determinados, prescientes e decididos em canalizar essas tecnologias para o uso em grande escala. Politicamente, os EUA ainda são a terra dos grandes conglomerados do petróleo. Os americanos são bombardeados pela mídia que minimiza a mudança climática, enquanto países muito mais pobres em combustíveis fósseis já estão fazendo a transição necessária para um futuro de baixo carbono.

Dois países europeus vizinhos, a Alemanha e a França, estão mostrando o caminho alternativo para um futuro de baixo carbono. A Alemanha está levando à frente a "Energiewende", ou transição para a energia sustentável - um esforço notável para atender toda a demanda energética do país com energia renovável, principalmente a solar e a eólica. Por seu lado, a França recorre intensamente à energia elétrica nuclear de baixo carbono, e está migrando rapidamente para veículos elétricos, como o pioneiro Leaf, da Renault-Nissan.

Desses dois enfoques, o da Alemanha é uma aposta mais ousada. Depois do desastre nuclear do Japão em Fukushima, a Alemanha resolveu fechar todo o seu setor nuclear de geração de energia elétrica e mudar totalmente para uma estratégia baseada em maior eficiência energética (menor utilização de energia por unidade de renda nacional) e em fontes renováveis. Não há, na verdade, uma receita clara para operar uma enorme transformação energética desse porte, e a Alemanha, quase certamente, precisará depender de uma rede elétrica pan-europeia para distribuir energia limpa, e poderá acabar recorrendo também à energia elétrica solar importada do norte da África e Oriente Médio.

A aposta da França nas centrais elétricas nucleares é uma opção menos arrojada. Afinal, a maior parte da energia elétrica francesa provém há anos das centrais nucleares. E, embora o sentimento antinuclear seja muito forte na Europa - e, cada vez mais, até mesmo na França -, a energia elétrica gerada em centrais nucleares continuará fazendo parte da cesta energética mundial por várias décadas, simplesmente porque boa parte da Ásia (incluindo China, Índia, Coreia do Sul e Japão) continuará sendo sua grande usuária.

O fundamental é que a França e a Alemanha, e muitos outros países europeus - entre os quais os países escandinavos, com seu considerável potencial eólico e hidrelétrico - estão reconhecendo que o mundo como um todo terá de abandonar o modelo energético baseado em combustíveis fósseis. Esse é o prognóstico certo.

Muitos, sem dúvida, discutirão qual das alternativas - a aposta da França na energia elétrica de centrais nucleares ou a opção solar da Alemanha - é mais inteligente.

Mas tudo indica que ambas as estratégias estão corretas. A maior parte dos estudos mostra que a descarbonização profunda da economia mundial entre os dias atuais e meados do século, um horizonte temporal curto, determinado por realidades ambientais, exigirá que todas as alternativas de baixo carbono - entre as quais a maior eficiência e os renováveis - tenham sua escala enormemente ampliada.

Uma das maiores prioridades da nova Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável, que eu dirijo representando o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, será traçar caminhos alternativos em favor de uma economia de baixo carbono, levando em consideração as especificidades dos países de todo o mundo. Países diferentes escolherão estratégias diferentes, mas precisaremos todos chegar ao mesmo lugar: um novo modelo energético sustentado por fontes de baixo carbono, eletrificação de veículos e prédios e cidades inteligentes e eficientes.

Os pioneiros nessa mudança talvez paguem atualmente um preço ligeiramente mais elevado por essas estratégias, mas eles e o mundo colherão benefícios econômicos e ambientais de longo prazo. Ao abraçar tecnologias verdadeiramente sustentáveis, a França, a Alemanha e outros países estão criando o sistema energético que sustentará cada vez mais a economia mundial por todo este século.

Autor: Jeffrey D. Sachs
(professor de desenvolvimento sustentável, de política e gestão de saúde e diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia. É também assessor especial do secretário-geral da ONU sobre as Metas de Desenvolvimento do Milênio)
Comentário publicado no jornal Valor Econômico.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Desastres naturais causaram prejuízo de 138 bilhões de dólares, calcula ONU

O Escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) afirmou nesta quinta-feira (14) que, pela primeira vez na história, ocorreram perdas econômicas anuais de mais de 100 bilhões de dólares por três anos consecutivos. As perdas se deram, segundo a agência, ao um enorme aumento de exposição de bens industriais e de propriedade privada em eventos de desastres extremos.

Em uma coletiva de imprensa em Genebra, a Diretora do UNISDR, Elizabeth Longworth, disse que uma revisão das perdas econômicas causadas por eventos de grandes desastres desde 1980 mostra que desde meados da década de 90 tem havido um aumento nos prejuízos econômicos, se transformando em uma tendência ascendente confirmada pelas perdas do ano passado.

Mesmo sem nenhum grande desastre, como um grande terremoto urbano, Longworth lembrou que as perdas econômicas – em estimativas conservadoras – foram de 138 bilhões de dólares.

Esse índice já atingiu esse patamar em nove ocasiões desde então, incluindo os últimos três anos: 2010 (138 bilhões), 2011 (371 bilhões) e 2012 (138 bilhões). Em 2012, cerca de 310 desastres mataram mais de 9.300 pessoas, afetando outras 106 milhões. Os danos atingiram principalmente Estados Unidos, Itália e China.

O ano foi particularmente acentuado pelo fato de que não houve desastres de grandes proporções, em termos de impacto humano. O pior caso foi o tufão Bopha, que atingiu as Filipinas em dezembro, com mais de 1.900 mortos e desaparecidos. A Ásia, mais uma vez, mostrou-se a região mais propensa a desastres do mundo, tanto em termos do número de desastres quanto do número de vítimas.

Por outro lado, 63% das perdas econômicas foram nas Américas, principalmente devido ao furacão Sandy (50 bilhões de dólares) e à seca (20 bilhões). A Europa foi atingida por duas longas ondas de frio no início e no final do ano, matando quase mil pessoas, enquanto a África foi severamente afetada pela seca, mas também por inundações como a da Nigéria, com mais de 300 vidas perdidas.

“Globalmente, a maioria das vítimas deste ano foram de inundações e secas, responsáveis por quase 80% de todas as vítimas. Mas como ocorreram em países mais pobres, as perdas econômicas são baixas”, destacou a professora Debby Guha-Sapir, Diretora do Centro para Pesquisa em Epidemiologia de Desastres (CRED) na Universidade de Louvain, na Bélgica.

“Mesmo assim, as inundações do Paquistão custaram cerca de 2% de seu PIB anual, um valor muito grande para ser recuperado. Os desastres são um grande problema em todos os países pobres e ameaças à segurança global. Eles devem ser levados a sério”, completou Guha-Sapir.

Acesse o banco de dados do CRED (em inglês).

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Banco Mundial: incêndios florestais na Amazônia podem dobrar até 2050 com Planeta 1,5°C mais quente

Em 2005, quando uma seca afetou a Amazônia, diversos rios secaram e pelo menos 20 municípios declararam estado de emergência. À época, 70 milhões de hectares de árvores (i) foram afetados.

O pior: as árvores não haviam se recuperado ainda quando uma segunda seca – mais grave do que a primeira – atingiu a floresta em 2010.

A intensidade e a frequência de secas como essas (e de tempestades na Amazônia também) podem aumentar ainda neste século, segundo o estudo Turn Down the Heat – Why a 4ºC Warmer World Must be Avoided, do Banco Mundial.

O relatório (Diminuindo o Calor – Por que um Mundo 4º mais Quente Precisa ser Evitado, numa tradução livre) mostra que o planeta já está 0,8ºC mais quente do que nos tempos pré-industriais. O estudo ainda alerta que, com as atuais emissões de gases causadores de efeito estufa, o aquecimento global pode chegar a 4ºC antes de 2100.

Grande impacto

Entre as consequências, estão o aumento do nível dos oceanos e a ocorrência de temperaturas extremas em todo o mundo.

“O impacto na Amazônia seria enorme,” diz Erick Fernandes, consultor do Banco Mundial nas áreas de mudanças climáticas e gerenciamento de recursos naturais. “As secas de 2005 e 2010 provam que a floresta não se recupera facilmente desse tipo de evento”, acrescenta ele, que é um dos autores do relatório.

Apenas com um aquecimento global de 1,5ºC ou 2ºC (acima dos níveis pré-industriais), os incêndios florestais já poderiam dobrar até 2050. Em um mundo 4ºC mais quente, os danos seriam ainda maiores – principalmente no Pará, em Rondônia e em Mato Grosso, os estados mais afetados pelo desmatamento.

“Se os incêndios se tornarem mais frequentes devido às mudanças climáticas, a biodiversidade (e) da Amazônia também correrá perigo”, diz Fernandes.

Calcula-se que, em todo o mundo, entre 20% e 30% das espécies conhecidas entrarão em risco de extinção caso a temperatura do planeta aumente de 2ºC a 3ºC.

Objetivos brasileiros

O aquecimento global, no entanto, pode ficar abaixo dos 2ºC se as emissões de gases causadores de efeito estufa forem reduzidas – e se mais providências forem tomadas para preservar ecossistemas como os da Amazônia.

Com um aquecimento de 4ºC, a área das florestas tropicais do mundo deve diminuir e chegar a apenas 25% do tamanho original. Em compensação, se o aumento for de 2ºC, ainda será possível preservar mais de 75% dessas terras, segundo o estudo.

No Brasil, iniciativas como o Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7) e o Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) têm um papel importante na manutenção dos ecossistemas locais.

“A floresta, quando intacta, resiste melhor às mudanças climáticas e se recupera mais facilmente de pragas e incêndios”, explica o consultor do Banco Mundial.

O governo brasileiro tem a meta de reduzir o desmatamento em 70% até 2017. Além disso, o país se comprometeu a diminuir as emissões de gases causadores de efeito estufa em 36% a 39% até 2020 (i) – e o Rio de Janeiro se destaca nesse trabalho.

Objetivos como esses são essenciais neste momento, segundo Fernandes: “Quanto mais puder ser feito para diminuir o efeito estufa, melhor”. Ele completa: “As consequências de um planeta 2ºC mais quente já são suficientemente dramáticas; precisamos agir agora”.

Informação divulgada no portal do Banco Mundial.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Curso: Intervenções em Situações Limite Desorganizadoras

Curso de Aperfeiçoamento em Psicodinâmica(novo programa)
Intervenções em Situações Limite Desorganizadoras“AS CLÍNICAS DO DISRUPTIVO: do Social ao Individual”- Compreensão, Intervenções e Consultoria dos Eventos Disruptivos -
 
 
Curso anual de aperfeiçoamento e especialização, desenvolvido pelo Centro de Intervenções do Curso de Psicodinâmica, credenciado através da Rede Ibero-americana de Ecobioética para a Educação, a Ciência e a Tecnologia / Cátedra UNESCO de Bioética, segundo protocolos reconhecidos internacionalmente, pela World Psychiatric Association - WPA.


Início: Sábado, 16 de março de 2013.

Corpo docente:
José Toufic Thomé - Coordenador;
Erane Paladino, Ively Taralli e Regina Lúcia de Araújo Gribel - Professores.

Professores convidados: Álvaro Ancona de Faria, Ana Maria Zampieri, Eloisa Q. Fagalli, João Figueiró, Maria Angélica Prado, Marcelo de Mello Feijó, Michel Achatz e Ruy de Mathis.


I – Psicodinâmica
Desde 1976 o curso de Psicodinâmica do Instituto Sedes Sapientiae compreende a necessidade de desenvolver uma linha clínica que considere também a realidade como fator de adoecimento psíquico. E esta abordagem clínica considera o adoecer como um processo que tem sua origem no desenvolvimento dos vínculos primitivos e que se expressa nos vínculos estabelecidos. O Modelo Psicodinâmico parte de uma visão integradora, multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar, apoiada nos princípios de Edgar Morin e sua Teoria da Complexidade. E fundamenta-se nos estudos psicanalíticos do funcionamento mental em Sigmund Freud, Sandor Ferenczi, Donald Winnicott e Piera Aulagnier, compreendidos no modelo de Moty Benyakar para as intervenções diante do evento disruptivo, para desenvolver metodologia técnica própria da Psicodinâmica.


II – Objetivos
Apresentar o Modelo Psicodinâmico para o tratamento do traumático e os possíveis recursos terapêuticos para as Psicoterapias, Intervenções Sociais e em Psico-Educação. Cada vez mais estamos expostos a eventos e ambientes desestabilizadores ou disruptivos. Diante dessa constatação, desenvolvemos uma nova metodologia técnica e fundamentos teóricos que caracterizam as clínicas do disruptivo para as novas políticas de saúde, das instituições e dos consultórios. O disruptivo tem características potencialmente traumatogênicas. A compreensão deste novo campo traumatogênico requer conceitos psicodinâmicos ativos que se diferenciam da interpretação tradicional do trauma psíquico. E exige repensar o modo como o ambiente irrompe no psiquismo humano. Esta visão psicodinâmica tem norteado e desenvolvido estudos sobre a complexidade desta situação para abordar e interagir com mais aspectos das áreas do conhecimento humano. Trata-se de prestar atenção à Saúde Mental de pessoas que vivem seu cotidiano e, subitamente, passam a viver situações de anormalidade desorganizadora ou desestabilizadora de seus universos materiais, físicos e emocionais individuais.


Conteúdo Programático:
O curso aplica e desenvolve uma visão integrada e transdisciplinar. Apoia-se nos conteúdos teóricos de: (1) Teoria da Complexidade de Morin; (2) Estudos psicanalíticos de Freud, Ferenczi, Winnicott, Piera Aulagnier e no modelo de Benyakar para a compreensão do traumatogênico; (3) Conceitos da neurociência; (4) Visão integrada através da Teoria dos Sistemas e da Comunicação; (5) Modelo do Disruptivo de Benyakar; (6) Intervenção desenvolvida pela Psicodinâmica e outros modelos de intervenção que consideram a violência gerada pela realidade; (7) Técnica específica do Modelo Psicodinâmico, aplicada tanto para psicoterapia como para as intervenções, e se desenvolvendo através da Experiência Relacional Reconstrutiva; (8) Diferenças nos conceitos de: Trauma Psíquico, Traumático, Estresse Pós-Traumático e de Patologias por Disrupção; (9) Imunidade Psíquica e Resiliência; e (10) Clínica do Traumático.


Metodologia: Aulas expositivas e vivências grupais para reflexão dos temas teóricos e técnicos. Discussão de casos clínicos e filmes para explanação da teoria apresentada. Este diferencial pedagógico é o que permitirá a compreensão conceitual vivencial. Apresentação de trabalho escrito ao final do curso.

Destinado a: Profissionais que atuam na área de Saúde Mental e Saúde.

Vagas: 20 (vinte).

Horário: Somente aos sábados, das 09h00 às 13h00.

Duração: 16 aulas, durante 8 meses.

Carga horárias: 64 horas.

Cronograma das aulas: 16 e 23 de março; 13 e 27 de abril; 11 e 25 de maio; 8 e 22 de junho; 3, 17 e 31 de agosto; 14 e 28 de setembro; 26 de outubro; 9 e 23 de novembro.

Local: Instituto Sedes Sapientiae SP. Rua Ministro Godoi, 1484 - Perdizes - São Paulo – SP.

Período de inscrições: Até 06 de fevereiro de 2013.

Seleção:
Os candidatos serão submetidos à entrevista em grupo no dia 04 de fevereiro de 2013, das 09h00 às 12h00. No ato da inscrição o candidato deverá entregar cópia do curriculum vitae.

Informações complementares: Telefone: 55 (11) 3258 3462 http://sedes.org.br/site

Investimento: Inscrição: R$ 70,00 Anuidade 2013: matrícula mais 10 parcelas de R$ 357,00.

Código do curso no Sedes: 6009.

Instrução sobre inscrições: AQUI.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Opinião: Segurança Pública e Saúde mental


Lições em Saúde Mental
A violência em São Paulo e a tempestade Sandy.

No início do mês, durante os dias posteriores à passagem da tempestade Sandy pela costa leste dos Estados Unidos, o governador Chris Christie, do estado de Nova Jersey, e o presidente Barack Obama, desembarcaram nas áreas mais devastadas do estado, e apresentaram o seu apoio à população local. A atitude do governador republicano, que enalteceu o apoio e chegou a abraçar o presidente, justamente na reta final da campanha por reeleição, ainda gera desconforto entre seus colegas de partido, que lhe creditam a culpa pela subsequente derrota dos Republicanos nas urnas. Entretanto, avaliando a atitude desses dois homens públicos sob o ponto de vista da Saúde Mental - e é prudente relembrar que o termo também deve ser interpretado como sinônimo de Qualidade de Vida - a presença do Governador e do Presidente, enquanto efetivo operacional, pouco colaborou com o pronto atendimento prestado à população severamente prejudicada. Talvez tenha até gerado transtornos para as equipes de resgate. Mas a percepção social da atitude e seu significado como postura de líderes diante de um evento avassalador, sem dúvida, representam excelente referência de oferta de suporte emocional, para minimizar os impactos psicológicos que afligem pessoas sãs, expostas em catástrofes.

Situações adversas extremas como essa, colocam à prova o equilíbrio psíquico de todos os que foram expostos ao evento disruptivo - incluindo a população diretamente afetada, os profissionais do atendimento emergencial, e também as pessoas que “participaram” da tragédia através dos meios de comunicação. No período imediatamente posterior ao evento, uma parcela expressiva desse grupo de indivíduos poderá se desestabilizar emocionalmente e adoecer, enquanto as suas mentes buscarem uma forma de elaborar o acontecimento vivenciado, para unir “representação da memória do fato, com sentimento”, em um processo que o médico e psicanalista Sigmund Freud resumiu em: “Repetir, lembrar e elaborar". E nesse período, muitas vezes a simples ação de amparo físico, que resgate a percepção de organização social e coletividade para suplantar as limitações individuais inerentes à espécie humana, pode transmitir a segurança de alguém disponível para compartilhar a citada experiência emocional ainda sem contornos, estabelecer a relação confortadora presente na memória afetiva de todos, e contribuir para que a pessoa afetada se estabilize. Em Nova Jersey, portanto, a resposta do Estado, representada nas presenças de Obama e Chris, e no suporte em Saúde Mental oferecido às pessoas afetadas pela Tempestade, certamente contribuirão para evitar que em boa parte da população, essa experiência emocional desestabilizadora, reviva antigos sentimentos de desamparo e feridas emocionais, que predispõe adoecimento e consequências muito mais sérias. Aparentemente, apesar da posterior reação obtusa de parte dos representantes republicanos, os Americanos aprenderam com os erros cometidos, após a catástrofe que o furacão Katrina provocou em Nova Orleans, em 2005.

Em período equivalente, durante os meses de outubro e novembro, enquanto a catástrofe natural afetava parte dos Estados Unidos, a população Paulista enfrentava o aparente ápice de um desastre antropogênico, em forma de violência urbana. E guardadas as devidas proporções entre a destruição causada lá e as mortes aqui - sem esquecer que o número de vítimas fatais no Brasil é maior, as consequências emocionais dos recorrentes atentados que afligem o estado de São Paulo, provocaram os mesmos sentimentos de desamparo e perda de referenciais sociais que apresentam resposta à fragilidade humana, com potencial para afetar a estabilidade psíquica das pessoas, de forma devastadora, e para algumas, talvez permanentemente.

Populações expostas em ambientes adversos extremos estão sujeitas ao adoecimento por Patologias por Disrupção, que contemplam os Transtornos por Ansiedade e os quadros de Angústia. Em ambos os casos, há necessidade de acompanhamento especializado, e quando essa a oferta de suporte psíquico não acontece, os riscos de desenvolvimento de comorbidade prognóstica aumentam exponencialmente.
 
É desalentador observar como o Governo Federal, o Governo do Estado, e seus Ministérios e Secretarias têm agido com relação à situação da Segurança Pública no Estado de São Paulo. Ao alternarem-se em declarações irresponsáveis, ora negando o óbvio, ora trocando acusações ou questionando políticas de oferta de apoio e verbas, apenas para mencionar alguns das vergonhosas cenas protagonizadas, os mandatários da União e Estado prestam um desserviço não só à Segurança, mas também à Saúde da população. Enquanto os nossos gestores públicos exercitam a sua incapacidade como líderes e insistem em promover disputas partidárias com dinheiro público, a população sem mantém exposta ao risco, tentando encontrar uma forma de elaborar mentalmente a percepção de desamparo diante do ambiente ameaçador em que vive, e que ataca sua estabilidade psíquica diariamente. Entre as consequências mais imediatas e perceptíveis, desse abandono da população por parte do Estado, iremos observar o aumento estatístico no consumo de álcool, tranquilizantes lícitos e drogas, problemas associados aos transtornos de ansiedade, como TEPT, fobias e síndrome do pânico, entre outros, e o acionamento e agravamento de quadros psicossomáticos e doenças classificadas em outros grupos de transtornos e distorções da personalidade e do comportamento, por vezes incapacitantes.


Autor: José Toufic Thomé
Psiquiatra e Psicoterapeuta, Especialista em Traumas e Crises pela Rede Ibero-Americana de EcoBioética / Cátedra UNESCO de Bioética.
Vice-presidente da Secção Psiquiatria em Desastres da Associação Mundial de Psiquiatria - WPA

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Secretário-Geral: ONU está pronta para ajudar a Guatemala

A ONU está pronta a dar seu apoio e ajudar a Guatemala, atingida ontem (7) por um forte terremoto, afirmou o porta-voz do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lamentando o evento.

“A ONU está pronta para mobilizar a comunidade internacional para responder às necessidades humanitárias provocadas pelo desastre, caso seja necessário”, disse.

Ban também enviou suas sinceras condolências ao povo e ao Governo da Guatemala, particularmente às famílias daqueles que foram mortos ou afetados pelo terremoto.

De acordo com relatos da mídia, pelo menos 48 pessoas morreram e mais de 150 estão feridas. Dezenas ainda estão desaparecidas. O terremoto, de 7,4 graus na escala Richter, atingiu a costa da Guatemala perto da fronteira com o México.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Terremoto e Tsunami no Chile: Trauma


O neuropsiquiatra chileno Rodrigo Paz detalhou à BBC Mundo as sequelas psicológicas e psiquiátricas do terremoto de 2010 no país:

Em um nível psicológico, encontramos um país que experimentou o trauma de um desastre de enormes proporções. A tragédia deixou na população uma sensação de grande insegurança uma vez que a natureza é imprevisível. Além disso, as pessoas consideram que o estado chileno não tem estrutura capaz de proteger as vítimas. Como resultado, gera-se um clima de ansiedade e vulnerabilidade.

Em um nível psiquiátrico, vemos pacientes psiquiátricos que sofrem de doenças neuropsiquiátricas, total ou parcialmente estabilizadas, ter uma recaída e permanecerem com tais sintomas até hoje. Além disso, constatamos diversos casos de pessoas previamente saudáveis, nas quais o evento traumático desencadeou transtornos psiquiátricos após a tragédia.

Os sintomas comuns são ansiedade e depressão patológica (falta crônica de energia, depressão, ataques de pânico, sono excessivo e pouco apetite). Menos frequentes são os fenômenos de stress pós-traumático em que os pacientes tendem a se lembrar das imagens ou sensações corporais associadas com o evento e desenvolver fobias, como por exemplo, não querer voltar a viver nas suas casas antigas, em lugares altos ou próximos da costa, etc).

Cerca de 70% das pessoas podem superar os temores desencadeados a partir do trauma sem ajuda profissional. No entanto, os 30% restantes desenvolvem sintomas de ansiedade crônica, associados a transtornos depressivos e, às vezes, a fobias.

Aproximadamente 80% dos transtornos associados à exposição ao desastre devem ser tratados com a ajuda de remédios específicos para controlar a ansiedade e depressão.

Dois anos após terremoto, Chile ainda tenta se recuperar de sequelas do desastre

A sinalização multiplica-se por todas as cidades da longa costa do Chile. A mensagem é sempre a mesma: terremoto e tsunami, perigo mortal. As placas, no entanto, não alertam sobre o grande mal que afeta muitos chilenos após essas tragédias naturais, o trauma psicológico.

Desde 27 de fevereiro de 2010, quando o país foi abalado pelo pior terremoto de sua história em 50 anos e por um tsunami, pouco mais de meia hora depois, o governo chileno instalou inúmeros avisos nas áreas turísticas do litoral. As placas contem indicações do que fazer no caso de uma fuga em massa.

"Algumas coisas mudaram para nós que trabalhamos nas áreas turísticas da costa. Tivemos inúmeros casos de pessoas que preferiram deixar de vir aqui por medo de um novo tsunami", disse à BBC a chilena Viviana (nome usado para proteger sua identidade), uma gerente de um hotel perto de Algarrobo, cidade da Província de San Antonio, na região de Valparaíso.

"Ouvimos muitas vezes de proprietários de casas de veraneio aqui que pararam de vir para o litoral porque têm medo (de uma nova catástrofe), principalmente, quando veem especialistas de terremotos na televisão", disse.

O Chile tem pouco a pouco reconstruído a infraestrutura destruída após o terremoto de 2010, enquanto a população do país ainda contabiliza as perdas.

Menos visíveis, contudo, são as cicatrizes deixadas pela tragédia.

"Faço cerca de 40 consultas por dia, de segunda a sábado, atendendo crianças, adolescentes e adultos. Pelo menos 30% dos meus pacientes buscam ajuda para tentar superar o dano psicológico causado pelo terremoto ", afirmou à BBC o neuropsiquiatra Rodrigo Paz.

"Muitos desses pacientes não sofriam de nenhum transtorno psiquiátrico antes da catástrofe. Para aqueles que já padeciam de alguma neurose, tiveram seus quadros agravados", acrescentou.

Sequelas

Os sintomas mais comuns apresentados pelos pacientes são insônia, depressão e falta de desejo sexual, enumera Paz.

"Há também uma pequena porcentagem de pacientes que tende a reagir de forma desproporcional sempre que sente um novo tremor. Na maioria das vezes, o medo é tanto que eles querem mudar de casa ou mesmo nunca mais viajar ao litoral", disse.

"A experiência do Chile é semelhante à experiência de outros países afetados por desastres naturais. A literatura médica conta que entre 30% e 40% da população diretamente afetada por um desastre desse tipo frequentemente desenvolve transtornos psicológicos", afirmou Rodrigo Figueroa, diretor do Centro Intervenção em Trauma, Stress e Desastres (Cited, na sigla em espanhol), em Santiago.

"Aconteceu aqui exatamente o que a teoria diz. Seis meses após o terremoto, fizemos um estudo com base nos dados dos domicílios chilenos (Casen), que englobam entre 20 mil a 30 mil pessoas, e concluímos que pelo menos 11% das amostragens apresentaram stress pós-traumático ", disse Figueroa.

Estima-se que aproximadamente 80% dos chilenos foram afetados em maior ou menor grau pelo sismo de 2010.

Entretanto, foram as pessoas que viviam nas áreas costeiras próximas ao epicentro do terremoto e, posteriormente atingidas pelo tsunami, quem apresentaram os maiores danos psicológicos e psiquiátricos.

O estudo indica que em vilarejos próximas ao litoral, como Conceição ou Talca, cerca de 25% da população foi diagnosticada com stress pós-traumático.

"Além disso, um terço das pessoas com stress pós-traumático (aproximadamente 8% do total) apresenta uma condição crônica do sintoma. Esse número é assombroso, porque, em um cenário de desastre natural, essa patologia atinge apenas 2,4% da população", acrescenta Figueroa.

"Tal condição leva a grandes perdas de produtividade, um aumento na taxa de suicídio e problemas de alcoolismo ", diz o especialista.

Pânico
Desde o terremoto, informações geológicas começaram a ocupar uma posição importante no noticiário do país.

Mas entre os reconhecidos especialistas convidados a discorrer sobre o tema, há aqueles que não passam de charlatões.

Um desses comentaristas, que apareceu recentemente em um programa de televisão sobre celebridades, chegou a prever um novo terremoto, o que disseminou pânico entre os telespectadores.

Entretanto, Sérgio Barrientos, um dos especialistas mais consultados pela imprensa chilena, vê com bons olhos a circulação de informação sobre os terremotos.

"Depois do sismo, houve uma maior procura de informação não apenas de jornalistas, mas de autoridades e da população em geral, que nos pedem apresentações ou palestras para entender mais sobre esses fenômenos", afirmou Barrientos à BBC.

Prova disso é que o site do departamento de Geologia e Geofísica da Universidade do Chile, onde Barrientos trabalha com professor, recebe milhões de acessos a cada vez que um novo terremoto atinge o país, independentemente de sua magnitude.

"Nosso foco é fornecer mais informações para contribuir para a educação da população, porque quanto maior for o conhecimento da população, menos suscetível ela está em consumir informações incorretas", afirmou.

Informações publicadas no portal BBC.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Árvores no Ártico aceleram aquecimento global

Efeito não era esperado

Acreditava-se anteriormente que o crescimento de florestas na estéril tundra do Ártico iria absorver as emissões mundiais de CO2 e desacelerar o aquecimento global. No entanto, um novo estudo de cientistas ingleses e escoceses revela que as árvores que começam a crescer próximas ao Polo Norte na verdade estão liberando mais gases estufa do que os absorvendo.

O relatório pode ter enormes implicações sobre como tentamos impedir o aquecimento, uma vez que se acreditava que um aumento no crescimento da floresta iria contê-lo, ao absorver mais CO2 do ar. A equipe descobriu que quando as árvores estabelecem raízes mais a norte, o solo antes fértil é “preparado” e começa a liberar reservas de carbono há muito fixadas. Este aumento de carbono supera o CO2 aborvido pelas árvores. Em resumo, o Ártico ficaria melhor como tundra do que como floresta.

O crescimento da floresta no Ártico era previamente uma causa de celebração – o número de árvores na região aumentou em 8 por cento nos últimos 30 anos. No estudo publicado no Nature Climate Change, os pesquisadores escreveram: “Sugerimos que, quando mais comunidades produtivas de florestas colonizam a tundra, a decomposição de grandes estoques de carbono no solo pode ser estimulada. Assim, contraintuitivamente, o maior crescimento de plantas no Ártico europeu pode resultar numa aceleração da mudança do clima.”

Ao viajar para o Ártico e retirar solo em camadas de centímetros, a equipe conseguiu tirar amostras e mensurar o conteúdo de carbono e orgânico. Espera-se que os resultados ajudem cientistas a refinar suas estimativas de como o aquecimento está afetando a região, diz o Inhabitat.

Informação divulgada no blog: Planeta Urgente.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Incêndio faz 32 mil deixarem região no Colorado

Mais de 32 mil pessoas tiveram que deixar a segunda maior cidade do Colorado por conta dos incêndios que atingem o Estado, no centro dos Estados Unidos.

Autoridades emitiram ordens de evacuação para a maior parte da cidade de Colorado Springs depois que o fogo se alastrou, queimando mais de 6.200 hectares.

Cerca de 800 bombeiros foram mobilizados na região, e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou que vai visitar os locais mais afetados na sexta-feira.

O início da temporada de incêndios nos Estados Unidos já provocou problemas em Colorado, Montana, Wyoming, Novo México, Arizona, Califórnia e Utah.

Autoridades do Colorado informaram que os bombeiros estão trabalhando para derrotar o fogo, mas as chamas foram contidas em apenas 5% das áreas atingidas.

A situação, já grave, ainda pode ser agravada por condições meteorológicas desfavoráveis. Esta semana deve ter temperaturas elevadas em grande parte dos EUA, com pouca chance de chuva, e ventos fortes.

O hospital de Colorado Springs informou que nas últimas 24 horas foram tratadas cerca de 20 pessoas com doenças relacionadas ao sistema respiratório.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Artigo: Rio +20

A crise na Rio+20.
As questões que constituíram a pauta da Rio+20 ficaram à espera de acordos internacionais que poderiam garantir um desenvolvimento mais sustentável. O consumo da população mundial continua dependendo quase que exclusivamente de energia não renovável, a devastação das florestas avança aproximadamente no mesmo ritmo do passado e a emissão de gases poluentes e o acúmulo de resíduos sólidos colocam o planeta em alerta. Os riscos ambientais são hoje maiores do que há 20 anos. Se atentarmos para as grandes tendências econômicas e demográficas, as perspectivas para o futuro não são muito promissoras. Dos 7 bilhões de habitantes do planeta, cerca de 2 bilhões compõem a classe média, que é responsável pelo consumo global. Estima-se que até 2030 serão adicionados mais de 2 bilhões e meio de novos consumidores.

Em 2010, a classe média, que representava 28% da população mundial, tinha apenas 32% de seu contingente na Ásia. Em 2030, ela constituirá mais da metade da população mundial, com 66% de seus membros vivendo na Ásia. A China será a maior economia do mundo já a partir do início da próxima década e, em 2020, os emergentes serão a metade das 10 maiores economias do mundo. As estimativas disponíveis indicam que nas próximas duas décadas as emissões de gases poluentes continuarão crescendo. Ganhos em eficiência energética serão moderados, em função do aumento da participação das economias emergentes na composição do PIB mundial.

Com exceção do Brasil, em cuja matriz energética há uma maior participação de fontes renováveis, todos os países em crescimento fazem uso principalmente de energias não renováveis. Será possível suportar um padrão de crescimento econômico baseado em oferta ilimitada de energia não renovável?

Será factível mudar os padrões de consumo para os novos segmentos que terão acesso aos bens materiais?

Estariam os países emergentes dispostos a alterar sua matriz energética? O Brasil, por exemplo, aceitaria desacelerar a exploração do pré-sal?

Essas questões exigem reflexões e decisões complexas que colocam frente a frente os interesses globais e os interesses nacionais.

É possível que a crise possa ter tido algum efeito, mas o conflito entre os interesses globais e os interesses nacionais parece-me ser a principal causa do fracasso nos resultados da Rio+20. Enfim, os países industrializados tiveram seu período de prosperidade sem considerar suas repercussões globais. Agora, os países emergentes, como o Brasil, priorizam a inclusão econômica e social; vale dizer, querem considerar a redução da pobreza como parte integrante da discussão sobre desenvolvimento sustentável e não tratar o meio ambiente isoladamente.

Acordos para compromissos com a agenda verde exigem maior ação coletiva no plano internacional e a participação efetiva tanto dos países industrializados, que foram os principais responsáveis pelo uso irrestrito dos recursos naturais, quanto dos emergentes, cujas populações almejam atingir os níveis de consumo ocidental. No entanto, os objetivos nacionais colidem com os interesses globais. Por isso se viu um fosso entre a posição governamental expressa no documento final da Rio+20 e a opinião da sociedade civil exibida em reuniões e manifestações nas ruas.

A esperança resta na crescente participação da sociedade, da mídia, dos movimentos e redes sociais. A consciência com o equilíbrio entre bem-estar e preservação ambiental dificilmente prosperará no seio da sociedade sem a disseminação da educação ambiental e mobilização popular. Pouco pode se esperar de consensos entre governantes, mesmo após superada a crise econômica.

Autor: Paulo Paiva
Publicado no jornal O Estado de S. Paulo.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Ban diz que Rio+20 é oportunidade única para esta geração

O Secretário-Geral da ONU ressaltou nesta quarta-feira que a Rio+20 "é uma oportunidade que só acontece uma vez a cada geração" e é a chance de serem feitos progressos reais para a economia sustentável.


Faltando 14 dias para a conferência, Ban Ki-moon falou em coletiva de imprensa na sede da organização, em Nova York.

Impactos

O Secretário-Geral disse que vem pedindo aos Estados-membros para mostrarem liderança. Ele afirmou que a ONU quer fazer da Rio+20 uma conferência de impacto decisivo e ambição.

Segundo Ban Ki-moon, os líderes mundiais devem fazer das questões a serem discutidas na reunião sua prioridade pessoal. Ele disse aspirar a nada mais do que um movimento global para uma mudança de gerações.

Prosperidade

Ban defendeu também que seja criado um novo modelo, que ofereça crescimento e inclusão social e seja mais respeitoso aos recursos finitos do planeta.

No discurso, o Secretário-Geral afirmou que a esperança por um futuro de prosperidade está no caminho que integra economia e desenvolvimento ambiental e social.

A Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, ocorre de 20 a 22 de junho, no Rio de Janeiro.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Rio + 20: especialistas fazem defesa dos direitos à água e ao saneamento

Os representantes de países que vão participar da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, receberam uma carta aberta, nesta quarta-feira, com um pedido de total apoio aos direitos humanos à água e ao saneamento.

No documento, a relatora das Nações Unidas para o Direito à Água e ao Saneamento Básico, Catarina de Albuquerque, expressou preocupação com o risco de que o tema fique de fora da declaração final.

Políticas Públicas

Segundo ela, depois de três rodadas de negociações "formais e informais", realizadas nos últimos três meses, alguns países teriam sugerido um texto alternativo que não faria menção clara ao direito das pessoas de terem acesso à água potável e a esgoto tratado.

A relatora portuguesa lembrou que o tema já foi discutido pela Assembleia Geral da ONU e pelo Conselho de Direitos Humanos, em 2010.

Ela encerrou a carta afirmando que as decisões que serão tomadas na Rio + 20 terão impacto nacional sobre a formulação de políticas públicas, além de influenciar também os orçamentos locais e as prioridades dos doadores.

Segundo Catarina de Albuquerque, o compromisso com água e saneamento deve passar pelo reconhecimento do direito humano aos dois. Para ela, sem este reconhecimento não será possível se atingir "o futuro que todos querem."

Publicado no portal da Rádio ONU.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Artigo: América Latina

América Latina deve cooperar mais.

Cerca de 40 ministros de desenvolvimento social da América Latina e Caribe e da África estiveram reunidos desde o dia 29 até hoje em Brasília para discutir como as duas regiões podem compartilhar experiências e impulsionar a cooperação para acabar com a pobreza. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) tem o orgulho de ter sido o facilitador desse encontro histórico, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Esse fórum acontece a menos de um mês da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Lá, líderes mundiais, ao lado de milhares de participantes de governos, do setor privado e de organizações da sociedade civil irão discutir como construir um futuro mais sustentável - um desafio crucial tanto para países desenvolvidos como para aqueles em desenvolvimento.

Está claro que os países não podem mais se dar ao luxo de crescer primeiro e tentar limpar o meio ambiente depois. Ou de crescer antes para depois tentar acabar com a desigualdade. O crescimento econômico, separado dos avanços em desenvolvimento humano e sem consideração pelo meio ambiente, não só é incapaz de sustentar avanços como também destrói ecossistemas dos quais dependemos para a vida neste planeta.

A fome é consequência de instituições que não funcionam bem, da inexistência do Estado de Direito e do acesso limitado a mercados ou a alimentos com preços acessíveis. Onde os governos são inclusivos e têm capacidade de resposta rápida, as crises de fome não existem.

Duas semanas atrás, apresentei em Nairóbi, com o presidente queniano Mwai Kibaki, o primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano do Pnud para a África. Apesar das significativas taxas de crescimento econômico da África Subsaariana, a fome segue afetando quase um quarto de sua população, o que significa mais que toda a população brasileira.

No ano passado, os países do Chifre da África vivenciaram a pior crise de segurança alimentar da região dos últimos 20 anos. No Sahel, apenas dois anos depois da última grave crise de segurança alimentar e nutrição, uma combinação de seca, pobreza, altos preços de grãos, degradação ambiental e, em alguns países, instabilidade e conflitos, estão exigindo da comunidade internacional uma nova resposta em grande escala. As últimas estimativas sugerem que mais de 15 milhões de pessoas são diretamente afetadas, sem que a crise tenha ainda atingido seu pico.

Há mais de 30 anos, o arquiteto do paradigma de desenvolvimento humano e prêmio Nobel de Economia, Amartya Sen, desafiou a noção de que a fome é causada simplesmente pelo declínio da oferta de alimentos. Ele argumentou que a fome é consequência de instituições que não funcionam bem, da inexistência do Estado de Direito e do acesso limitado a mercados ou a alimentos com preços acessíveis. Ele também ressaltou que onde os governos são inclusivos e têm capacidade de resposta rápida, as crises de fome não existem.

O Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento convida todos a refletir sobre uma abordagem compreensiva para a construção da segurança alimentar, priorizando a nutrição nas políticas públicas, empoderando as mulheres e ajudando as nações a aumentar a resiliência às adversidades. Em todo o mundo, trabalhamos para promover uma governança mais eficaz e com maior capacidade de resposta e para promover igualmente o Estado de Direito.

Há muita experiência a ser compartilhada entre América Latina e África na erradicação da pobreza e da fome, em especial por meio de sistemas de proteção social. O programa brasileiro Bolsa Família tem sido muito elogiado, e sua atual expansão, com o Brasil Sem Miséria, também tem atraído grande interesse. O Brasil se propôs como objetivo a erradicar a pobreza extrema até 2014, e tem feito progressos consideráveis nesse sentido.

As discussões que ocorreram esta semana, no V Fórum Ministerial para o Desenvolvimento, vão incentivar ainda mais a cooperação entre as nações da América Latina e da África. O intercâmbio e a cooperação Sul-Sul destacam soluções de desenvolvimento que, adaptadas aos contextos nacionais, podem ajudar as nações a atingirem seus objetivos. Eles podem também fazer muito para ajudar o progresso global nos elos econômico, social e ambiental que compõem o desenvolvimento sustentável.

Autora: Helen Clark.
(administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e ex-primeira ministra da Nova Zelândia)
Publicado no jornal Valor Econômico.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Artigo - Sustentabilidade / Clima

Os dramas de agora, as ameaças de 2050.

Enquanto a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, anuncia que não comparecerá à reunião Rio+20, juntando-se ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, e - possivelmente - ao presidente norte-americano, Barack Obama, a cada dia são mais inquietantes as notícias sobre os gravíssimos problemas na área das mudanças climáticas, na perda de recursos naturais (além da capacidade planetária de repô-los), no agravamento das questões relacionadas com a água (suprir de alimentos mais 2 bilhões de pessoas até 2050 exigirá um uso na agricultura superior à disponibilidade de recursos) e com a pobreza no mundo.

Já nem se pode dizer que nada acontece, nada avança, porque a chamada "sociedade civil" não pressiona os governos para que se façam as mudanças necessárias nas matrizes energéticas poluidoras e nos modelos de consumo. Pesquisa universitária recente nos Estados Unidos, por exemplo, mostrou (Reuters, 26/4) que três em quatro eleitores nesse país são favoráveis a que a legislação considere as emissões de dióxido de carbono (CO2) como poluentes, que se criem impostos sobre as emissões e que o governo e o Congresso considerem prioritária a ação nesse campo - 84% dos eleitores democratas são favoráveis, assim como 68% dos independentes e 52% dos republicanos.

E nem custaria tanto. Outro estudo (Business Green, 27/4) afirma que a União Europeia poderia atingir suas metas de redução de emissões até 2020 ao custo de 7 a 9 (R$ 17,50 a R$ 22,50) anuais por pessoa. Se quiser aumentar a meta de reduções de 20% para 30%, o custo entre 2011 e 2020 seria de mais 3,5 bilhões - que o noticiário equipara ao preço de algumas xícaras de café por ano por pessoa. Onde estaria, então, a resistência? Nas grandes corporações do setor de energia, principalmente.

Enquanto isso, novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, órgão científico da Convenção do Clima - no qual 220 cientistas de 62 países sintetizaram em 542 páginas as informações de 18.784 cientistas do mundo todo -, agrava seus diagnósticos e balanços. As perspectivas são mais graves para o Sul da Europa, Sul da África e Sudeste da Ásia, após um ano (2011) em que 302 chamados "desastres naturais" (incluindo terremotos e tsunamis) mataram quase 30 mil pessoas e geraram prejuízos de US$ 366 bilhões. Mesmo assim, a melhor perspectiva, no âmbito da Convenção do Clima, é de que os países signatários só cheguem em 2015 a um acordo para reduzir emissões, mas que entre em vigor apenas em 2020. Mesmo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertando (Reuters, 16/3) que, no passo atual, as emissões poderão aumentar 50% até meados do século. As fontes fósseis continuam respondendo por 85% da energia e esta gera 70% das emissões. Nesse passo, diz a OCDE, a temperatura do planeta poderá aumentar entre 3 e 6 graus Celsius até a virada do século. Previsão semelhante à do Blue Planet, que reúne cientistas detentores do Prêmio Nobel Alternativo de Meio Ambiente e acha possível um aumento de até 5 graus.

Nesse cenário, prevê o Deutsche Bank (25/4) que as emissões continuarão a subir até 2016, quando se iniciará um declínio. Mas, ainda assim, um limite de 2 graus no aumento da temperatura planetária - como recomendam os cientistas - é improvável, mesmo com os países cumprindo suas metas de redução. As emissões superarão em pelo menos 5,8 bilhões de toneladas anuais de CO2 os limites máximos recomendados, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) - e isso equivale às emissões anuais dos Estados Unidos.

Que se fará, então, para tirar da pobreza 1,3 bilhão de pessoas? Que se fará para diminuir o fosso entre crianças ricas e pobres, com as primeiras usando 50 vezes mais água que as últimas? O consumo dos ricos precisa diminuir, afirma a Royal Society (The Guardian, 26/4). A taxa de nascimento entre os pobres terá de baixar: no ritmo atual, o aumento da população entre os pobres exigirá uma cidade de 1 milhão de habitantes a cada cinco dias, até 2050.

Mas os Estados Unidos seguem aumentando suas emissões (mais 3,2% entre 2009 e 2010). A Rússia, também (mais 4,3%); o Japão, idem, após o problema nuclear (mais 4,2%). Em 20 anos, nos Estados Unidos, as emissões subiram 10,5%. A temperatura média em 2011, diz a Organização Mundial de Meteorologia (Estado, 25/3), esteve 0,4 grau acima da média de 2001 a 2010. E 2010 teve a temperatura mais alta desde 1880, quando começaram os registros nessa área. A área de gelos no Ártico foi a segunda menor em todos os tempos. O nível dos oceanos subiu 12 milímetros em oito anos, segundo a Universidade do Colorado. O aquecimento do solo está reduzindo a capacidade de armazenar carbono, essencial para a formação de matéria orgânica (Planet Ark, 14/2).

Muitas informações poderiam ser acrescentadas. Mas nem é preciso para aumentar a inquietação. Apesar dos dados alarmantes, já se decidiu que a Rio+20 não tratará nem de clima, nem de perda da biodiversidade, nem da Agenda 21 - os grandes temas da Eco-92, no Rio de Janeiro. E seguem, no âmbito da ONU, nos Estados Unidos, as discussões em torno de "economia verde" e "governança sustentável", cujo esboço escrito inicial passou de poucas dezenas de páginas para milhares, depois que cada país acrescentou suas visões. Agora, estão depuradas para umas poucas centenas.

São discussões importantes. Mas parecem menos importantes que os grandes temas de 1992. O que se pergunta hoje é o que se fará agora, com a Europa de novo diante de uma crise econômico-financeira, com o mundo temendo uma nova débâcle. De que adiantaria temer os dramas previstos para 2050 se não somos capazes de dar soluções aos problemas que já batem à porta?

A diplomacia terá de esgotar suas habilidades até junho.

Autor: Washington Novaes.
Publicado no jornal O Estado de São Paulo.