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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Depressão é 2ª maior causa global de invalidez, diz estudo

A depressão é a segunda causa mais comum de invalidez em todo o mundo, atrás somente de dores nas costas, segundo um estudo recém-publicado.

O estudo, publicado na revista científica PLOS Medicine, comparou a depressão clínica com mais de outras 200 doenças e lesões apontadas como causas de invalidez.

Segundo os autores da pesquisa, a doença deve ser tratada como uma prioridade de saúde pública global.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, globalmente apenas uma pequena proporção dos pacientes com depressão tem acesso a tratamento.

Apesar de ser globalmente classificada como segunda principal causa de invalidez, a depressão tem um impacto variado dependendo do país e da região.

A incidência de depressão é maior em países como Afeganistão, Rússia e Turquia e menor em locais como Austrália, China, México, Japão e Grã-Bretanha.

O Brasil, assim como os demais países da América do Sul, são classificados como nações de incidência média de depressão, assim como países como Estados Unidos, Índia, a maior parte da Europa e da África.

'Mais atenção'

"A depressão é um grande problema e nós definitivamente precisamos prestar mais atenção a isso do que estamos prestando agora", afirmou a coordenadora do estudo, Alize Ferrari, da Escola de Saúde Populacional da Universidade de Queensland, na Austrália.

"Ainda há mais trabalho a fazer em termos de conscientização sobre a doença e também em descobrir formas de tratá-la com sucesso", disse. "O peso da doença é diferente entre os países. Ele costuma ser maior em países de renda média ou baixas e menor em países de alta renda", observou.

Segundo ela, as autoridades já fizeram um grande esforço para conscientizar sobre a doença, mas "ainda há muito estigma associado à saúde mental".

"O que uma pessoa reconhece como causa de invalidez pode ser diferente de outra pessoa e pode ser diferente entre os países também. Há muitas implicações culturais e interpretações envolvidas, o que torna mais importante aumentar a conscientização sobre o tamanho do problema e também os sinais de como detectar isso", diz.

Os dados - do ano 2010 - seguem os padrões de outros estudos semelhantes realizados em 1990 e em 2000 sobre depressão em todo o mundo.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Campanha quer por fim a uso de hienas para tratar doentes mentais na Somália

A Somália tem um dos maiores números de doentes mentais do mundo e com um sistema de saúde devastado por décadas de guerra, muitos pacientes não recebem qualquer tratamento. Muitos são acorrentados – em árvores ou em casa. Alguns são até trancados em jaulas com hienas. Mas um homem está tentando mudar este cenário.

Dr. Hab não é um psiquiatra. Seu nome real é Abdirahman Ali Awale, um enfermeiro que, após três meses de treinamento na Organização Mundial da Saúde (OMS), abraçou a missão de cuidar dos que sofrem de doenças mentais em seu país. Ele diz estar apto a tratar todos os tipos de distúrbios, desde depressão pós-parto à esquizofrenia.

Quem não quer fazer uma consulta com Dr. Hab pode fazer uma visita aos populares curandeiros que usam erva medicinais para tratar doenças mentais ou "sheiks" que ainda advocam curas tradicionais e normalmente barbáricas.

"Há uma crença na Somália de que hienas podem ver tudo, inclusive os espíritos malignos que as pessoas apontam como causadores das doenças mentais", diz ele.

"Em Mogadishu, é possível encontrar hienas que foram trazidas de bosques e famílias estão dispostas a pagar US$ 560 (R$ 1,2 mil) para trancar um ente querido junto com o animal dentro de um quarto durante a noite"

Mordidas

O "tratamento" com hienas - que custa mais do que as famílias ganham em média por ano – é brutal. Ao cravar suas garras e morder o paciente, a hiena estaria forçando os maus espíritos a deixar o corpo. Pacientes, inclusive crianças, já morreram em ataques do animal carnívoro.

"Estamos tentando mostrar às pessoas que isso não faz sentido", diz Hab. "Doenças mentais são como qualquer outra e precisam de métodos científicos para serem curadas", afirma.

A campanha do enfermeiro foi desencadeada por um incidente em 2005, quando ele testemunhou um grupo de mulheres com distúrbios mentais sendo perseguidas por jovens na rua.

"Depois disso eu decidi que teria de abrir o primeiro hospital psiquiátrico da Somália", relembra.

O Hospital Público de Saúde Mental (Habeb) em Mogadishu foi o primeiro dos seis centros que hoje Dr. Hab mantém toda a Somália, tendo atendido mais de 15 mil pacientes.

Ele enfrenta um grande desafio. A OMS estima que um em cada três somalis esteja ou tenha sido afetado por doenças mentais, bem acima da média global de um para dez. Em certas partes do país mais atingidas por décadas de conflito, este índice é ainda maior.

Dr.Hab diz que não dispõe de muitos recursos para tratar os pacientes, contando com doações de medicamentos por parte de ONGs e de farmácias particulares. Acorrentados

Ele diz que é difícil fazer os pacientes entenderem que sofrem de problemas mentais. Problemas psicológicos são geralmente explicados como dores físicas – dores de cabeça, excesso de suor e dor no peito. Alguns conceitos nem existem na cultura somali. Depressão, por exemplo, se traduz como "os sentimentos de um camelo quando seu amigo morre".

Mas nada é mais indicativo sobre a falta de entendimento da população sobre doenças mentais do que a prática disseminada de acorrentar pacientes em árvores ou em quartos.

A ONG italiana GRT tem registros de pacientes que ficaram acorrentados até morrer.

"Eu mesmo já salvei muitos pacientes que foram abandonados pela família e ficam acorrentados esperando a morte", diz Hab, que percorre áreas rurais em uma van em busca de pessoas acorrentadas para libertá-las e conduzi-las a um de seus centros.

A OMS financia a iniciativa "Livre das Correntes" em uma tentativa de erradicar a prática, começando pelos hospitais. Mas o próprio Hab admite já ter acorrentado os pacientes mais agressivos.

Hab mostra uma planilha com todos os itens de que necessita em seus centros – novos colchões, comida para os pacientes e diesel para sua van. Segundo ele, há também uma carência de enfermeiros e psiquiatras qualificadas. A luta diária para prover o tratamento adequado para seus pacientes e o sofrimento que ele testemunha está claramente afetando sua saúde.

"É um trabalho muito difícil físico e mentalmente", diz ele. "Eu era saudável quando comecei e agora sofro de diabetes".

"Eu já chorei na TV, já chorei em público, já chorei diante de presidentes", diz ele. "Até agora eu estou com vontade de chorar".

terça-feira, 22 de outubro de 2013

País atinge metas da ONU de combate à tuberculose

O Brasil atingiu as metas do mi­lênio da Organização das Na­ções Unidas (ONU) no que se refere ao combate à tuberculo­se. Mas, em 2012, ainda foi o 15.0 país com o maior número de ca­sos do mundo e os progressos parecem ter sido interrompi­dos desde 2005. Entre 2010 e 2012, o número de casos até mesmo aumentou. As informa­ções foram publicadas ontem pela Organização Mundial da Saúde, que destaca os avanços no setor e alerta para desafios.

Em 1990, a OMS estimava que cerca de 10 mil brasileiros mor­riam anualmente por tuberculo­se. Em 2012, o número caiu para cerca de 4,9 mil. Para cada cem mil brasileiros, a taxa de morta­lidade passou nesse período de 7% para 2,5%, numa das maiores reduções entre os 22 países com alta incidência da doença. 

Em 1990, 210 mil brasileiros eram infectados anualmente pe­la doença. Em 2012, esse núme­ro caiu para 120 mil. Os dados revelam que o Brasil obteve ga­nhos importantes até 2005. Des­de então, o número de novos ca­sos está estagnado. Naquele ano, 120 mil brasileiros haviam contraído a doença. Em 2010, foram 110 mil. Mas, no ano pas­sado, o número voltou a subir.

Em 1990, para cada cem mil brasileiros, 140 eram afetados pela tuberculose. Em 2010, essa taxa caiu para 58. Hoje, 59 a cada cem mil habitantes sofrem com a doença. Os esforços de detec­ção também estão estagnados. Em 1990, 60% dos casos eram identificados. Em 2005, a taxa subiu para 85%. Hoje, ela está estagnada em 82%.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O mapa de esquizofrenia


Cientistas registram a atividade cerebral de camundongos com sintomas da doença.

Um experimento de cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, poderá abrir frente para novos tratamentos da esquizofrenia, um transtorno mental que afeta 1% da população mundial.

Pela primeira vez, os pesquisadores conseguiram mapear a atividade cerebral que parece produzir a desorganização mental característica da doença, geralmente também acompanhada de delírios e alucinações. "Nossos resultados não são práticos no momento, mas certamente irão proporcionar uma nova forma de olhar para o mecanismo de ação dos atuais tratamentos e medicamentos antipsicóticos e levar a uma nova intervenção terapêutica" afirmou ao GLOBO um dos coordenadores da pesquisa, o professor Junghyup Suh. Para realizar o teste, pesquisadores do Instituto de Ciência do Cérebro Riken do MIT gravaram as oscilações das ondas cerebrais do hipocampo de camundongos, entre eles, alguns geneticamente modificados para apresentar sintomas semelhantes à esquizofrenia. Estes não produziam uma proteína chamada calcineurina, uma vez que mutações no gene que produz esta substância já tinha sido percebida em pacientes com o transtorno mental.

Os camundongos com proteína bloqueada tendiam a ter perda de memória de curto prazo, assim como comportamento social anormal e déficit de atenção.

DESORGANIZAÇÃO MENTAL EM ESQUIZOFRÊNICOS

Os roedores foram colocados num labirinto. No período de descanso, o cérebro dos animais normais ativava as células de localização do hipocampo na mesma ordem em que eles tinham percorrido o trajeto imposto. Aqueles com o transtorno, ao contrário, ativavam todas as células de localização ao mesmo tempo e em níveis anormais. Isto sugere, segundo os cientistas, que eles têm uma desorganização neuronal que os impede de repetir mentalmente uma rota que eles tinham acabado de fazer.

O artigo publicado na “Neuron” exemplifica que em camundongos normais o papel da calcineurina é reprimir a conexão entre os neurônios, as sinapses, no hipocampo. Em roedores sem a calcineurina, um fenômeno conhecido como potenciação de longo prazo (aumento rápido da resposta entre as sinapses) se tornava mais prevalente.

Os pesquisadores acreditam que a atividade anormal vista no hipocampo pode ocorrer por uma interrupção da chamada rede de modo padrão do cérebro, uma rede de comunicação que liga o hipocampo, o córtex pré-frontal e outras partes do córtex. Esta rede é mais ativa quando o indivíduo (ou no caso o roedor) está descansando entre tarefas determinadas. Quando o cérebro foca numa atividade, a rede de modo padrão é desligada.

Entretanto, esta rede é hiperativa em esquizofrênicos tanto antes quanto durante as tarefas que requerem foco. Eles geralmente não desempenham bem estas tarefas. "A possível terapia teria uma abordagem neurobiológica para diminuir a atividade cerebral na rede de modo padrão, para, assim, aliviar os sintomas e até curar o transtorno mental" acrescentou o pesquisador.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a esquizofrenia afeta cerca de 24 milhões de pessoas no mundo. O transtorno é tratável, mas a terapia é mais eficiente se ocorrer no estágio inicial.

Ele acomete principalmente jovens do sexo masculino. Mais de 50% dos esquizofrênicos, entretanto, não recebem os cuidados necessários, e mais de 90% destes estão em países em desenvolvimento, como o Brasil.

Tema que inspira uma série de filmes e livros, a esquizofrenia é conhecida de boa parte da população, mas cujos avanços não acompanham sua popularidade. Aqueles que sofriam do transtorno já foram tachados de possuídos por demônios, eram temidos e exilados. Apenas nos últimos 60 anos é que vieram os maiores progressos, com a chegada dos medicamentos anti-psicóticos. A própria equipe que realizou o experimento no MIT vem, há pelo menos uma década, investigando possibilidades de tratamento.

Em 2003, o grupo conseguiu mostrar que pacientes com esquizofrenia tinham mutações no gene responsável pela produção da calcineurina. Este não é, no entanto, o único a influenciar no aparecimento da doença. Na verdade, há vários genes suscetíveis à esquizofrenia, já que se trata de um transtorno mental de genes múltiplos que podem, também, ser afetados pelo meio ambiente.

É difícil afirmar que um gene é mais importante do que outros. Também estão entre eles: Catecol O-Metiltransferase (COMT), Neurogulin 1 (NRG1) e proteína 1 interrompida na esquizofrenia (DISC1). "Quero ressaltar, ainda assim, que nenhum dos estudos chegou a investigar as mudanças ou anormalidades no processamento da informação numa única célula ou num circuito como fizemos nesta pesquisa" defendeu Suh.

Informação divulgada no jornal O Globo.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Charge: Políticas públicas


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Doenças do pulmão matam um em cada dez europeus

Pesquisadores da European Respiratory Society constataram que a incidência de câncer de pulmão e da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) - mal que destrói os alvéolos pulmonares, incapacitando parcialmente o órgão - deve continuar a crescer nos próximos 20 anos por causa do persistente hábito do fumo entre europeus.

Apesar de ser considerado um problema grave, a pesquisa apontou que a prevenção, o tratamento e o fomento à pesquisa não são prioridade em países europeus. A pesquisa europeia, divulgado na publicação científica European Lung White Book e feita a partir de dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do European Centre for Disease and Control, analisou as tendências da evolução das doenças pulmonares em toda a Europa.

O estudo demonstra que fumantes de tabaco representam "o desafio da saúde mais importante da Europa" e mantém o fumo como o hábito que causa o maior número de mortes por câncer de pulmão, DPOC e insuficiência cardíaca.

Ainda que o número de fumantes tenha diminuído significativamente em países como a Dinamarca e Grã-Bretanha desde os anos 1970, o estudo mostra que os efeitos de longo prazo daqueles que mantiveram o hábito ao longo dos anos continuam a gerar um alto índice de mortes por câncer de pulmão e DPOC. Com isso, a proporção no número de mortes causado por condições pulmonares deverá permanecer estável pelos próximos 20 anos, ainda que haja uma previsão de queda no índice de infecções do pulmão.

Desde 2000, o serviço nacional de saúde da Grã-Bretanha oferece um serviço gratuito de aconselhamento para pessoas que queiram largar o cigarro. O estudo europeu destaca que iniciativas como essa "resultam num maior número de fumantes engajados em parar de fumar".

Conclusão

Os resultados da pesquisa concluíram que o investimento em prevenção, tratamento e pesquisa de doenças ligadas ao pulmão deve ser priorizado. "Tanto o tratamento quanto a prevenção de doenças pulmonares devem melhorar se quisermos reduzir o impacto (do problema) na longevidade, qualidade de vida e economia dos países Europeus e em todo o mundo", afirma Francesco Blasi, presidente da European Respiratory Society.

Para o professor Richard Hunnard, da British Lung Foundation, o estudo europeu mostra o real problema causado pelas doenças respiratórias da Grã-Bretanha. "Doenças como o câncer de pulmão e DPOC mata milhares de pessoas todos os anos, mas existem ainda outros 40 tipos diferentes de doenças pulmonares. Índices de mortalidade por fibrose pulmonar idiopática (doença em que os alvéolos se transformam num tecido rígido chamado fibrose e param de funcionar) e mesotelioma (câncer considerado raro, que acomete dentre outros órgãos a pleura - a membrana que envolve o pulmão), têm crescido progressivamente por décadas", ressalta Hunnard. "Se levarmos tudo isso em consideração, é bem provável que cerca de um quarto das mortes na Grã-Bretanha a cada ano sejam causadas por doenças respiratórias - o mesmo número de mortes causadas por todos os outros tipos de câncer que não envolvem o pulmão", explica.

Ele ainda disse que os altos índices de morte na Grã-Bretanha associadas ao pulmão sugere que os pacientes estão procurando ajuda médica muito tarde.

Informação divulgada através do portal BBC Brasil.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

POPULAÇÃO BRASILEIRA TEM 12% DE FUMANTES

Dados do Ministério da Saúde mostram que 12% dos brasileiros são fumantes. Para tentar conscientizar as pessoas sobre o risco do tabaco e a importância de largar o cigarro, foram feitas nessa quinta-feira (29/08), data em que é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, ações educativas em praticamente todo o país para comemorar.

O pneumologista da Divisão de Controle do Tabagismo, do Inca (Instituto Nacional do Câncer), Ricardo Meirelles, alerta que o tabagismo é uma doença que pode ocasionar outras: é um dos fatores de risco para o aparecimento de diversos tipos de câncer (pulmão e boca), doenças cardiovasculares, AVCs (acidentes vasculares cerebrais), além de menopausa, infertilidade e envelhecimento precoces.

Meirelles explica que, logo depois de deixar o cigarro, o ex-fumante já sente melhora na qualidade de vida. “Ele sente uma melhora dentro de dois, três dias no fôlego, se não tiver uma doença respiratória, já dá pra subir uma escada melhor, fazer exercícios”, disse o especialista.

Segundo o especialista, deixar de fumar é difícil, mas o acompanhamento de profissionais pode tornar o processo mais confortável. De acordo com o Ministério da Saúde, existem 24.515 equipes de 4.371 municípios brasileiros inscritas no PMAQ (Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica ), que inclui o PNCT (Programa Nacional de Controle do Tabagismo), para oferecer tratamento gratuito ao dependente.

A terapia do serviço público inclui apoio psicológico, medicamentos (entre adesivos, pastilhas, gomas de mascar e o antidepressivo bupropiona), atendimentos educativos e terapêuticos.

O tabagismo é considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) a principal causa de morte evitável. Além disso, cerca de 1,2 bilhão de pessoas são fumantes. “Cerca de 80% dos fumantes desejam parar, mas apenas 3% conseguem realmente abandonar o vício. Além disso, é considerado ex-fumante a pessoa que fica um ano sem fumar”, explica o cardiologista do Hospital do Coração do Brasil, João Ferreira Marques. O médico esclarece que, quem abandona o vício antes dos 30 anos, consegue reestabelecer o organismo a ponto de parecer que nunca fumou.

De acordo com Meirelles, muitas vezes o fumante espera ter um problema de saúde para decidir parar de fumar. O médico acrescentou que a proibição de fumar em locais fechados fez com que muitos fumantes se sentissem incomodados em ter que deixar o ambiente de amigos para fumar e isso está fazendo com que pensem em deixar o vício. “Ele está conversando com amigos e tem que sair para fumar, a pessoa sente-se escrava do cigarro. Se está no shopping e precisa sair pra fumar, isso passa a ser desconfortável”.

Segundo pesquisa da Organização Pan-Americana da Saúde, entre 1989 e 2010 um em cada três brasileiros deixou de fumar devido à entrada em vigor das medidas que restringiram a propaganda de cigarros na televisão e em veículos de comunicação de massa.

A meta do governo brasileiro é reduzir de 12% para 9% a proporção de fumantes na população adulta até 2022.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Charge: Programa Mais Médicos



A charge acima foi criada pelo desenhista e músico Júnior Lima, que já teve passagem por diversos jornais de Manaus. Atualmente, Jr. Lima desenvolve seu trabalho nos jornais Diário do Amazonas, Dez Minutos, agências e editoras de livros.

Acesse o blog do artista.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Jornalismo com contraindicação nas revistas femininas

Na capa, uma chamada atraiu os meus olhos: “Células-Tronco - As novidades para deixar o rosto jovem em minutos”. Como nasci mulher e loira, ou seja, sou geneticamente incapaz de ter senso crítico, e além de tudo os 50 anos estão mais perto do que longe e sei que o Photoshop não presta para o dia a dia, fui direto à matéria. Maravilha! As células-tronco prometem corrigir tudo! Leio: “devolver à pele o viço, elasticidade e corrigir defeitos da idade”. Também vou guardar a revista para minha filha adolescente, porque – segundo o artigo “Células-tronco para uma pele jovem”, da revista Corpo a Corpo (Editora Escala) – a injeção também melhora as cicatrizes da acne e outros defeitos da pele. Na visão sobre o assunto oferecida pela repórter que entrevistou a dermatologista Dayse D’Ávila, o método é simples e seguro.

Porém, mulheres, alguém tem que contar como é a realidade, mesmo que seja ruim. O que diz a matéria não é tudo verdade. Especialmente a última palavra: seguro.

Deixo para os estudiosos da comunicação avaliar a peça jornalística pelo Index of Scientific Quality (Índice de Qualidade Científica) e dar um resultado entre um (baixa qualidade) e cinco (alta qualidade). Para isso, eles terão que medir o grau de clareza do texto em relação a seu público-alvo, a distinção clara entre opiniões e informações, o nível de evidência e credibilidade das fontes utilizadas, o fundamento em relação a suas afirmações e ter comprovado que apresenta claramente os benefícios e riscos.

Porém, como o que melhor sabemos fazer os jornalistas é contar histórias verdadeiras, vou contar uma, publicadana Scientific American, que vai ajudar os leitores a dar o seu veredicto.

Era uma vez uma mulher que chegou numa luxuosa clínica estética da Califórnia, The Morrow Institute, reclamando que não conseguia abrir o olho direito. Quando o médico pediu para ela tentar, ela reclamou de dor. Alem do grito, do corpo da mulher saiu outro som, como se fosse uma música rítmica, feita com castanholas. O cirurgião, Allan Wu, convidou-a logo para ir ao centro cirúrgico. O que ele achou ao cortar a pele, entre a sobrancelha e o olho, ninguém esperava.

As pinças cirúrgicas começaram a extrair pedaços de osso, um depois de outro... demoraram seis horas para acabar. O inexplicável era que os ossos estavam isolados, e o crânio não tinha nenhuma fratura. Um enigma para a ciência? Não por muito tempo. A resposta estava no prontuário.

Três meses antes, a mulher tinha recebido – em troca de 20 mil dólares – injeções de células-tronco em uma clínica de Beverly Hills. Como na técnica recomendada na matéria brasileira, as células tinham sido obtidas da própria gordura da paciente, da região abdominal. A única diferença é que as células-tronco foram colocadas junto a um material de recheio clássico, que contém um mineral (hidroxiapatita de cálcio). O procedimento médico tinha dado bons resultados estéticos. O problema estava na natureza.

O que aconteceu foi que as células-tronco (que em condições normais não estariam lá) aproveitaram o mineral disponível (que se não fosse pelo procedimento estético também não estaria lá) para construir pedaços de osso (que, logicamente, não deveria crescer ali). Ou seja, tendo os elementos, a natureza simplesmente atuou segundo as suas próprias e conhecidas regras. Pena que não era o que a mulher esperava.

As células vivas não são um remédio como qualquer outro. Células-tronco são celebres porque podem se transformar em diversos tipos de tecido. Isto tem sido obtido em laboratório e, em alguns casos como o relatado, no corpo dos pacientes. O lado B desta terapia biológica é que as células-tronco podem diferenciar-se em tecidos que não sejam os desejados, podem crescer de forma pouco controlável, podem gerar cartilagem, osso, ou outros tipos celulares, sem que se possa controlar a quantidade e o formato. É por isso, justamente, que ainda não estão permitidas na prática médica. Porque ainda há muita insegurança no processo, não pelos resultados estéticos.

A história relatada começa no ano de 2009. E acaba? Ninguém sabe. As células-tronco ainda estão lá. “Pode acontecer de novo”, advertiram à paciente arrependida. Paradoxos dos tratamentos biológicos: têm uma aura de saudáveis que nem sempre tem correspondência com a realidade.

Da história americana há muitas leituras, entre elas a de que terapias com células-tronco potencialmente perigosas se oferecem como tratamento de beleza até nos países mais sérios. No Brasil, é sabido que há profissionais oferecendo tratamentos com células-tronco sem ter havido sequer consenso sobre sua validade prática. E, afinal de contas, não é aceito pelas autoridades de saúde. Os pacientes podem cair na armadilha por pensar que, se um tratamento é oferecido em um consultório bonito, e o profissional até der um recibo pelo pagamento, é evidente que se trata de uma prática legal. Porém, no Brasil, como em muitos países, não há uma lista de procedimentos permitidos ou proibidos, e todos são cientes disso: falta fiscalização para impedir a comercialização de terapias não comprovadas. (Voltando ao caso americano, qualquer médico no Brasil pode colocar as células-tronco junto ao mineral, como no exemplo dado, porque não há um método único recomendado pelas associações profissionais).

Um paciente pode ser enganado por um médico que desrespeita as regras. O jornalista não pode, ele é responsável pelo que publica. A imprensa generalista pode não saber de tudo, mas tem que saber entrevistar. A resposta da pergunta certa para esta matéria é que a única terapia com células-tronco comprovada e aprovada no mundo para uso em humanos é o transplante de medula óssea. O resto é experimental. O que significa? Muitas coisas; entre elas, por exemplo, que não há garantias. E que se alguém fizer, tem que ser gratuita.

Entre nós

Todas as revistas femininas dedicam a maioria das suas páginas – excetuando moda – a assuntos relacionados à saúde. O interesse das leitoras pela medicina não é mais do que um reflexo de uma mudança de atitude na qual os pacientes se encarregam de sua própria saúde e buscam informações em todas as fontes possíveis. As mulheres ainda mais, responsáveis pela saúde de varias gerações da família.

O contato entre a mídia e as vozes especialistas é, por sua vez, cada vez mais fluido, facilitado pelas assessorias de imprensa cada vez mais populares no setor médico. Porém, em muitos casos, a busca midiática responde a razões de estratégia de marketing pessoal. A ingenuidade ou falta de capacitação de alguns jornalistas, somada às pressões de diferentes origens, pode fazer estragos.

É lamentável que, na busca pelo apelativo, muitas vezes se esqueça de que o essencial deveria continuar sendo a qualidade da informação, ainda mais quando pode haver consequências gravíssimas como é o caso dos artigos de conteúdo médico. As notícias sobre dietas, por exemplo, deveriam ser tratadas com o rigor imposto à prescrição de um tratamento para obesidade. Não é o que acontece. Em geral, as dietas publicadas oferecem a metade dos minerais necessários, falta a elas cálcio e ferro, e têm menos vitaminas do que o adequado para o funcionamento correto do organismo [confira aqui].

Em conclusão, o boom informativo sobre medicina pode ter efeitos contraproducentes se à quantidade não forem incorporadas doses crescentes de qualidade. Na mesma edição da matéria das células-tronco há, dez páginas depois, outra matéria de título autoexplicativo “Bisturi, aí vou”. Esta, como é devido, tem dentro de um box um texto menor, porém de titulo acertado: “Todo cuidado é pouco”.

Nas primeiras páginas da mesma revista, há um espaço fixo que se chama "Entrenós". Claramente, é uma conversa amigável, íntima, com as leitoras. Nós é uma referencia às outras mulheres.

Gostaria de ter uma conversa assim com os jornalistas que fazem as matérias de saúde nas revistas femininas. Ou talvez não seja necessário, não acho palavras melhores para dizer do que as que a editora Karine César colocou naquele Entrenós para suas leitoras:

“Basta um comentário colocado de forma equivocada para que toda nossa segurança vá por água abaixo. Leva muito tempo para percebermos que um mundo cheio de regras e julgamento serve para nos nortear e motivar... Mas não pode nunca nos paralisar”.

É assim mesmo. As matérias de medicina das revistas femininas fazem muita diferença na vida das leitoras e suas famílias. É preciso apenas tentar fazê-las cada dia melhor. É fácil: em saúde, geralmente isso se alcança com o respeito a algumas regras.

Informação divulgada através do portal Observatório da Imprensa.


A autora, Roxana Tabakman é bióloga e jornalista, autora de A saúde na mídia: medicina para jornalistas, jornalismo para médicos (lançamento previsto da edição em português para setembro de 2013, pela Editora Summus).

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Objetivos do Milênio avançam mais do que o previsto e mais metas devem ser alcançadas até 2015

Em relatório lançado na segunda-feira (1), ONU afirma que ajuda financeira caiu e lacunas persistem, mas a implementação dos ODM ganha velocidade.

Com alguns dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) já alcançados, mais metas deverão ser cumpridas até a data-limite de 2015. Apesar disso, alguns desafios devem ser tradados com urgência para que haja sucesso em relação a outros objetivos, de acordo com um Relatório lançado na segunda-feira (1) pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

Com base em estatísticas oficiais abrangentes, o Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2013 mostra que as ações conjuntas dos governos nacionais, da comunidade internacional, da sociedade civil e do setor privado estão tornando realidade o cumprimento dos ODM.

“Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio têm sido o impulso global antipobreza mais bem-sucedido da história”, disse Ban Ki-moon. “Os ODM têm provado que objetivos focados de desenvolvimento global podem fazer uma grande diferença.”

As oito metas foram acordadas por todos os países como uma consequência da Cúpula do Milênio das Nações Unidas, em 2000. Com a melhoria de vida de milhões de pessoas através do cumprimento das metas de redução da pobreza, do aumento do acesso a água potável, da melhoria na qualidade de vida dos moradores de favelas e da conquista da paridade de gênero no ensino primário, o Relatório afirma que o progresso notável em outras áreas significa que mais metas dos ODM podem ser alcançadas até 2015.


MILHÕES de VIDAS SALVAS

De acordo com o Relatório, ganhos significativos têm sido obtidos na área da saúde. Entre 2000 e 2010, as taxas de mortalidade causadas pela malária caíram mais de 25% no mundo, e cerca de 1,1 milhão de mortes foram evitadas.

As taxas de mortalidade por tuberculose a nível global e em várias regiões poderão ser reduzidas pela metade até 2015, em comparação com os níveis de 1990. Entre 1995 e 2011, um total acumulado de 51 milhões de pacientes com tuberculose foram tratados com sucesso, salvando 20 milhões de vidas.

O Relatório observa que, enquanto as novas infecções pelo HIV estão em declínio, cerca de 34 milhões de pessoas viviam com HIV em 2011. No final de 2011, 8 milhões de pessoas estavam recebendo terapia antirretroviral para o HIV ou aids nas regiões em desenvolvimento e a meta dos ODM de acesso universal à terapia antirretroviral continua acessível até 2015 se as tendências atuais forem mantidas, afirma o Relatório.

A meta de reduzir pela metade a porcentagem de pessoas que sofrem de fome até 2015 está ao nosso alcance, diz o Relatório. A proporção de pessoas subnutridas no mundo diminuiu de 23% em 1990-1992 para 15% em 2010-2012.


É NECESSÁRIO ACELERAR

Em todo o mundo, a taxa de mortalidade de crianças menores de cinco anos caiu em 41% – de 87 mortes por mil nascidos vivos em 1990 para 51 em 2011, o que significa 14 mil mortes a menos de crianças por dia. Cada vez mais, as mortes de crianças se concentram nas regiões mais pobres; o primeiro mês de vida é o mais vulnerável.

Globalmente, a taxa de mortalidade materna diminuiu 47% ao longo das últimas duas décadas, de 400 para 210 mortes maternas por 100 mil nascidos vivos entre 1990 e 2010. O Relatório observa, no entanto, que o cumprimento desta meta dos ODM – de redução dos números de 1990 em 3/4 – exigirá intervenções aceleradas e forte apoio de políticas para mulheres e crianças.

Entre 2000 e 2011, o número de crianças fora da escola caiu quase pela metade – de 102 para 57 milhões – mas o Relatório infere que a muitas crianças ainda é negado o direito à educação primária. De 1990 a 2011, 1,9 bilhão de pessoas ganharam acesso a instalações sanitárias, vasos sanitários ou outra melhoria nas instalações de saneamento, mas 2,5 bilhões ainda carecem de melhorias nesta área.

O Relatório também observa que a base de recursos do planeta está em sério declínio, com perdas contínuas de florestas, espécies e populações de peixes, em um mundo que já sofre os impactos das mudanças climáticas.


PROGRESSO DESIGUAL

O Relatório recomenda que a atenção global precisa se concentrar sobre as disparidades. O progresso em direção aos oito ODM tem sido desigual não só entre regiões e países, mas também entre grupos populacionais internos.

As pessoas que vivem em situação de pobreza ou em áreas rurais permanecem em uma desvantagem injusta. Em 2011, apenas 53% dos nascimentos em áreas rurais foram assistidos por pessoal de saúde qualificado, em contraste com 84% nas áreas urbanas. Oitenta e três por cento da população sem acesso a fontes apropriadas de água potável vivem em comunidades rurais.

AJUDA FINANCEIRA EM QUEDA PARA PAÍSES POBRES

O cumprimento dos Objetivos é prejudicado pela redução da ajuda financeira global e os países mais pobres são os mais afetados negativamente, afirma o Relatório. Em 2012, desembolsos líquidos de países desenvolvidos para países em desenvolvimento totalizaram 126 bilhões de dólares. Isso representa uma redução de 4% em termos reais em relação a 2011, que já foi 2% abaixo dos níveis de 2010.

A queda afetou mais severamente os países menos desenvolvidos. Em 2012, a assistência bilateral oficial ao desenvolvimento para esses países caiu 13%, em torno de 26 bilhões de dólares. No entanto, o Relatório mostra que os encargos menores da dívida e um melhor acesso ao comércio estão beneficiando os países em desenvolvimento.


ODM e agenda de desenvolvimento pós-2015

A ONU está trabalhando com governos, sociedade civil e outros parceiros para aproveitar o impulso gerado pelos ODM para a elaboração de um acordo ambicioso, mas realista, de agenda para o período após a data-limite dos ODM, no final de 2015. O Relatório afirma que uma conclusão bem-sucedida para os ODM será um importante alicerce para uma agenda de desenvolvimento posterior, e que o volume de experiências e lições aprendidas com os ODM irão beneficiar as perspectivas de progresso contínuo.

“Através da ação acelerada, o mundo pode alcançar os ODM e gerar uma dinâmica para um quadro de desenvolvimento ambicioso e inspirador pós-2015”, afirma o secretário-geral da ONU. “Agora é a hora de intensificar os nossos esforços para construir um futuro mais justo, seguro e sustentável para todos.”

Acesse também a matéria especial para a região da América Latina e Caribe.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Pobreza e fome diminuem na América Latina e no Caribe com avanços nos Objetivos do Milênio

Região também faz avanços na expansão do acesso à educação e saneamento, mas ações são necessárias no combate à mortalidade materna e na proteção das florestas, diz relatório da ONU.

A América Latina e o Caribe atingiram uma série de metas para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), incluindo a redução – pela metade – da taxa de pobreza extrema, afirma um relatório das Nações Unidas lançado na segunda-feira (1). A proporção de pessoas na região que vive com menos de 1,25 dólar por dia caiu de 12% em 1990 para 6% em 2010.

O Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio de 2013, lançado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em Genebra, também afirma que a região está a caminho de cumprir a meta de reduzir pela metade a proporção da população que sofre com a fome até 2015. A proporção total de pessoas desnutridas na população diminuiu de 15% em 1990-1992 para 8% em 2010-2012.

Os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que possuem diversas metas que cobrem uma série de indicadores de pobreza, fome, saúde, igualdade de gênero, educação e ambientais, foram acordados por todos os países como resultado da Cúpula do Milênio das Nações Unidas, em 2000. O prazo de implementação da maioria dos objetivos é 2015.

De acordo com o Relatório, outros avanços foram alcançados através da implementação dos ODM. O acesso à educação primária foi expandido na América Latina e no Caribe com um crescimento líquido na taxa de matrículas nas escolas para crianças de 88% em 1990 para 95% em 2011. No mesmo período, o número de crianças em idade escolar que estão fora da escola diminuiu de 7 a 3 milhões. A região alcançou a igualdade na educação primária entre meninos e meninas.

A América Latina e o Caribe também estão muito perto de alcançar a meta de reduzir pela metade a proporção de pessoas sem saneamento básico. A proporção da população que utiliza uma unidade de saneamento melhorado, como uma latrina ou vaso sanitário, aumentou de 68% para 82% entre 1990 e 2011.

A região está a caminho de atingir a meta dos ODM de reduzir em 50% a propagação e reverter a incidência de tuberculose, com o número de novos casos da doença caindo em mais de a metade entre 1990 e 2011.

A América Latina e o Caribe atingiram a meta de água potável dos ODM cinco anos antes da data limite de 2015. A proporção da população que utiliza uma fonte melhorada de água aumentou de 85% para 94% entre 1990 e 2011.

A região também está perto de atingir a meta de reduzir a taxa de mortalidade infantil, com a taxa de mortes de crianças menores de cinco anos caindo em 64% entre 1990 e 2011.


DESAFIOS NO CARIBE

Disparidades no progresso persistem entre as duas sub-regiões. De 2010 a 2012, a prevalência de pessoas desnutridas na América Latina foi de 8%, enquanto no Caribe foi de 18%.

A mortalidade materna no Caribe continua alta, com 190 mortes maternas a cada 100 mil nascidos vivos em 2010. Ações aceleradas são urgentemente necessárias para atingir a meta dos ODM de reduzir esta proporção em três quartos. A América Latina tem uma taxa de mortalidade materna muito mais baixa, com 72 óbitos maternos a cada 100 mil nascidos vivos em 2010.

Em um desenvolvimento positivo, o Caribe é a região que possui a queda mais acentuada no número de pessoas infectadas com o HIV, que caiu 43% entre 2001 e 2011, com uma estimativa de 13 mil novas infecções em 2011. No entanto, depois da África Subsaariana, o Caribe é a região mais afetada, com 1% dos adultos vivendo com o HIV em 2011.

Na América Latina e no Caribe, a meta de acesso universal ao tratamento para HIV/Aids (acesso à terapia antirretroviral) está disponível a pelo menos 80% das pessoas que precisam dela. Em 2011, 68% das pessoas que viviam com HIV na América Latina e no Caribe receberam o tratamento, a maior [proporção] entre todas as regiões em desenvolvimento.


Maiores perdas florestais; taxas mais altas de gravidez entre adolescentes

As florestas estão desaparecendo em um ritmo acelerado na região, apesar do estabelecimento de políticas florestais e leis de apoio à gestão florestal sustentável em muitos países. A maior perda líquida de florestas ocorreu na América do Sul – cerca de 3,6 milhões de hectares por ano de 2005 a 2010.

Na América Latina e no Caribe, os níveis de gravidez adolescente – arriscado tanto para as mães quanto para os seus recém-nascidos – permanecem elevados e só recentemente começaram a cair. Na América Latina, a taxa de natalidade adolescente caiu de 92 nascimentos a cada mil mulheres em 1990 para 88 em 2000 e para 80 em 2010, enquanto o Caribe teve um declínio de 80 nascimentos a cada mil mulheres em 1990 para 78 em 2000 e para 68 em 2010. O problema é agravado pelo fato de que as meninas adolescentes, em geral, enfrentam maiores barreiras que as mulheres adultas no acesso aos serviços de saúde reprodutiva.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Aumenta consumo de cocaína no Brasil, diz relatório da ONU.

De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2013, lançado nesta quarta-feira (26), o Brasil apresentou aumento no uso de cocaína pela população em geral.

Dados atuais afirmam que a prevalência estimada do uso da substância entre a população geral é estimada em 1,75%, consistente com a tendência do consumo da droga no país.

Dentre os estudantes universitários nas 27 capitais brasileiras, a prevalência anual do uso de cocaína era de 3% segundo estudo de 2011 da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas.

O documento foi produzido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e ressalta que o Brasil desempenha um papel importante no mercado global de cocaína tanto como um destino quanto país de trânsito.

As extensas fronteiras terrestres do país com os três principais países que são fontes da droga – Bolívia, Colômbia e Peru –, sua grande população, significativos níveis de uso de ambos: pó de cocaína e crack, bem como o fácil acesso ao Oceano Atlântico para o tráfico em direção à África e à Europa são fatores que contribuem para esse papel.

O UNODC lembrou que em 2011 mais da metade da cocaína apreendida no Brasil tinha origem na Bolívia (54%), seguida pelo Peru (38%) e Colômbia (7,5%). A Bolívia, o único país entre os três principais de origem que não tem acesso direto ao mar aberto, identificou o Brasil como o maior destino planejado para a cocaína apreendida.

Maconha e as ‘novas substâncias psicoativas’ registram crescimento no mercado nacional

O relatório também destacou que o número de apreensão de cannabis – popularmente conhecida como maconha – foi praticamente o mesmo em 2010 e 2011, com 885 e 878 casos, respectivamente. No entanto, a quantidade total da substância que foi apreendida passou de 155 toneladas em 2010 para 174 toneladas em 2011, o terceiro aumento consecutivo.

Em relação à propagação de novas substâncias psicoativas (NSP), o Brasil relatou o surgimento de mefedrona e de DMMA (uma feniletilamina) em seu mercado. Conforme uma pesquisa domiciliar anterior realizada no país em 2005, a taxa de prevalência na vida toda para o uso de ketamina era de 0,2% entre pessoas de 12 a 65 anos. Tal registro foi equivalente ao uso ao longo da vida da merla, uma variante da pasta-base de coca fumável e com maior prevalência do que o uso de heroína (0,09%).

A mesma pesquisa destacou que a “Benflogin” (benzidamina), outra NSP, apresenta taxa de prevalência de 0,4% na vida toda entre a faixa etária de 12 a 65 anos. O medicamento age localmente para o tratamento de inflamações da boca e da garganta, mas é tomado em doses elevadas e usado indevidamente no Brasil e em alguns outros países como um estimulante do sistema nervoso central e delirante (classe especial de alucinógenos).

Na América Latina, outros países também observaram registros de NSP: Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Panamá e Uruguai. As NSP relatadas incluíam ketamina e substâncias à base de plantas, seguidas de piperazinas, catinonas sintéticas, feniletilaminas e, em menor extensão, os canabinoides sintéticos.

Sobre a apreensão de “ecstasy”, o UNODC lembrou que em 2011 o Brasil relatou as maiores apreensões da substância desde 1987, totalizando 70 kg. Na última década, a maioria das apreensões anuais relatadas pelo Brasil ficaram abaixo de 1 kg.

Aumento na taxa de prevalência por dirigir sob efeito de drogas

De acordo com o UNODC, a taxa de prevalência por dirigir sob o efeito de drogas não é tão conhecida mundialmente, no entanto, estudos recentes do Brasil, Europa e Estados Unidos indicam que este registro pode ser mais comum do que se pensava.

No Brasil, um estudo de 2010 com 3.398 motoristas descobriu que 4,6% deles testaram positivo para alguma substância ilícita. Destes, 39% foram para cocaína, 32% para tetrahidrocanabinol (THC) – cannabis –, 16% para anfetaminas e 14% para benzodiazepinas.

Em outra pesquisa no Brasil, testes de drogas em pacientes que foram admitidos no pronto socorro após acidentes de trânsito mostram que estes eram mais propensos a terem cannabis em seu sistema do que o álcool.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Relatório Mundial sobre Drogas 2013 observa a estabilidade no uso de drogas tradicionais e aponta o aumento alarmante de novas substâncias psicoativas.

A sessão especial de Viena é um marco no caminho para a futura Revisão de Drogas da ONU.


Em um evento especial da Comissão de Narcóticos, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) lançou em Viena o Relatório Mundial sobre Drogas 2013. O evento marca o primeiro passo no caminho para a revisão da Declaração Política e Plano de Ação, que será realizada pela Comissão de Narcóticos em 2014. Além disso, em 2016 a Assembleia Geral das Nações Unidas realizará uma Sessão Especial sobre a questão das drogas.

Embora os desafios relacionados a drogas estejam surgindo a partir de novas substâncias psicoativas (NSP), o Relatório Mundial sobre Drogas 2013 aponta para a estabilidade no uso de drogas tradicionais. O relatório servirá como uma referência chave no caminho até a revisão de 2016.

O Diretor Executivo do UNODC, Yury Fedotov, disse: “Nós concordamos em um caminho para a nossa discussão em andamento. Espero que ele leve a uma afirmação da importância das convenções internacionais de controle de drogas, bem como a um reconhecimento de que as convenções são humanas, centradas nos direitos humanos e flexíveis. É necessária também uma ênfase firme na saúde, e devemos apoiar e promover alternativas de meios de subsistência sustentáveis. Além disso, é essencial reconhecer o importante papel desempenhado pelos sistemas de justiça criminal na luta contra o problema mundial das drogas e a necessidade de melhorar o trabalho contra precursores químicos”.

Problemas emergentes com drogas

Comercializadas como “drogas lícitas” e “designer drugs”, as NSP estão se proliferando num ritmo sem precedentes, criando desafios inesperados na área de saúde pública. Fedotov pediu uma ação conjunta para impedir a fabricação, o tráfico e o abuso dessas substâncias.

O número de NSP comunicadas pelos Estados-Membros para o UNODC subiu de 166 no final de 2009 para 251 em meados de 2012, um aumento de mais de 50%. Pela primeira vez, o número de NSP excedeu o número total de substâncias sob controle internacional (234). Como novas substâncias nocivas têm surgido com uma regularidade infalível no cenário das drogas, o sistema internacional de controle de drogas enfrenta agora um desafio devido à velocidade e à criatividade do fenômeno das NSP.

Este é um problema de drogas alarmante – mas as drogas são lícitas. Vendidas abertamente, inclusive através da internet, as NSP, que não passaram por testes de segurança, podem ser muito mais perigosas do que as drogas tradicionais. Os nomes pelos quais são conhecidas nas ruas, como “spice”, “miau-miau” e “sais de banho” levam os jovens a acreditar que eles estão curtindo uma diversão de baixo risco.

Dada a amplitude quase infinita de alterações da estrutura química das NSP, novas formulações estão ultrapassando os esforços para impor um controle internacional. Enquanto a aplicação da lei fica para trás, os criminosos têm sido rápidos em explorar este mercado lucrativo. Os efeitos adversos e o potencial viciante da maioria dessas substâncias não controladas são, na melhor das hipóteses, pouco conhecidos.

Em resposta à proliferação das NSP, o UNODC lançou um sistema de alerta antecipado, que permitirá que a comunidade global monitore o aparecimento das NSP e tome medidas apropriadas.

Panorama global

Enquanto o uso de drogas tradicionais, como a heroína e a cocaína, parece estar em declínio em algumas partes do mundo, o abuso de medicamentos de prescrição e de novas substâncias psicoativas está crescendo. Na Europa, o consumo de heroína parece estar em declínio. Enquanto isso, o mercado de cocaína parece estar se expandindo na América do Sul e nas economias emergentes da Ásia. O uso de opiáceos (heroína e ópio), por outro lado, continua estável (cerca de 16 milhões de pessoas, ou 0,4% da população entre 15 e 64 anos), apesar de uma alta prevalência de uso de opiáceos relatada no Sudoeste e Centro da Ásia, Sudeste e Leste da Europa e América do Norte.

A África está emergindo como um destino para o tráfico, bem como para a produção de substâncias ilícitas, embora os dados disponíveis sejam escassos. Fedotov pediu apoio internacional para monitorar a situação e evitar que o continente se torne cada vez mais vulnerável ao tráfico de drogas e ao crime organizado. Há também uma necessidade de ajudar o grande número de usuários de drogas que são vítimas dos efeitos colaterais do tráfico de drogas através do continente.

Novos dados revelam que a prevalência de pessoas que injetam drogas e também vivem com HIV em 2011 foi menor do que o estimado anteriormente: a estimativa é de que 14 milhões de pessoas entre as idades de 15 e 64 anos usem drogas injetáveis, enquanto 1,6 milhões de pessoas que injetam drogas também vivem com HIV.

Essas estimativas revisadas são 12% mais baixas para o número de pessoas que injetam drogas e 46% mais baixas para o número de pessoas que injetam drogas e vivem com HIV. Essas mudanças são resultado da revisão de estimativas em países que adquiriram novos dados de vigilância comportamental desde as estimativas anteriores, que foram feitas em 2008.

Em termos de produção, o Afeganistão manteve a sua posição como o maior produtor e cultivador de ópio a nível mundial (75% da produção de ópio ilícito global em 2012). A área global de cultivo da papoula de ópio atingiu 236.320 ha, 14% mais do que em 2011. No entanto, por causa de uma safra de baixo rendimento devido a uma doença que afeta a planta da papoula no Afeganistão, a produção mundial de ópio caiu para 4.905 toneladas em 2012, 30% menos do que no ano anterior e 40% menos do que no ano de pico de 2007.

As estimativas da quantidade de cocaína fabricada variou de 776 a 1.051 toneladas em 2011, praticamente inalterada em relação ao ano anterior. As maiores apreensões de cocaína do mundo – não ajustada para pureza – continuam a ser relatadas na Colômbia (200 toneladas) e nos Estados Unidos (94 toneladas). O uso de cocaína continua caindo nos Estados Unidos, o maior mercado de cocaína do mundo. Em contrapartida, aumentos significativos nas apreensões têm sido observados na Ásia, Oceania, América Central e do Sul e no Caribe em 2011.

O uso de estimulantes do tipo anfetamínico (ATS, na sigla em inglês), excluindo o ecstasy, continua a ser generalizada a nível mundial e parece estar aumentando na maioria das regiões. Em 2011, cerca de 0,7% da população mundial com idade entre 15 e 64 anos (33,8 milhões de pessoas) tinham usado ATS no ano anterior.

A prevalência de ecstasy em 2011 (19 milhões de pessoas, ou 0,4% da população) foi menor do que em 2009. No entanto, a nível global, as apreensões de ATS subiram para um novo recorde de 123 toneladas em 2011, que é 66% maior do que em 2010 (74 toneladas) e o dobro do valor de 2005 (60 toneladas).

Metanfetaminas continuam a dominar o negócio de ATS, correspondendo a 71% das apreensões globais de ATS em 2011. Comprimidos de metanfetamina permanecem como o ATS predominante no Leste e Sudeste Asiático: 122,8 milhões de comprimidos foram apreendidos em 2011, embora esse número represente um declínio de 9% em relação a 2010 (134,4 milhões de comprimidos).

As apreensões de metanfetamina cristalizada, no entanto, aumentou para 8,8 toneladas, o nível mais alto nos últimos cinco anos, indicando que a substância é uma ameaça iminente. O México registrou suas maiores apreensões de metanfetamina, mais do que dobrando dentro de um ano, partindo de 13 toneladas para 31 toneladas, o que representa umas das maiores apreensões relatadas globalmente.

A cannabis continua a ser a substância ilícita mais utilizada. Enquanto o uso de cannabis tem claramente diminuído entre os jovens na Europa durante a última década, houve um pequeno aumento na prevalência de usuários de cannabis (180 milhões, ou 3,9% da população entre 15 e 64 anos), em comparação com as estimativas anteriores em 2009.



Acesse o relatório completo no site do UNODC.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Mais de um terço das mulheres já sofreram com a violência sexual em todo o mundo, diz OMS.

De acordo com o novo relatório das Nações Unidas, mais de um terço das mulheres em todo o mundo são afetadas pela violência física ou sexual, muitas nas mãos de um parceiro íntimo. O relatório também oferece diretrizes para ajudar os países a responder essa epidemia global.

O relatório “Estimativas mundiais e regionais da violência contra mulheres: prevalência e efeitos na saúde da violência doméstica e sexual” representa o primeiro estudo sistemático de dados globais sobre a contínua violência contra as mulheres.

Cerca de 35% de todas as mulheres vão enfrentar violência sexual nas mãos de um parceiro íntimo – que é o tipo mais comum de violência, afirma o documento divulgado nesta quinta-feira (20) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e do Conselho Sul-Africano de Pesquisa Médica.

O relatório detalha o impacto da violência sobre a saúde física e mental de mulheres e meninas, que vão de ossos quebrados a complicações relacionadas com gravidez, problemas mentais e funcionamento social prejudicado.

O documento aponta que 38% de todas as mulheres que foram assassinadas no mundo foram mortas por seus parceiros íntimos.

De acordo com Margaret Chan, diretora-geral da OMS, os sistemas de saúde do mundo podem e devem fazer mais pelas mulheres que sofrem de violência física ou sexual.

“Essas descobertas enviam uma mensagem poderosa de que a violência contra as mulheres é um problema de saúde global de proporções epidêmicas”, acrescentou Chan.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Aditivos Alimentares & Distúrbios de comportamento

O maior problema com a criançada é que os sistemas digestório e urinário ainda não estão totalmente preparados para processar uma alimentação que contém aditivos. Na saúde infantil, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - FAO e a Organização Mundial de Saúde - OMS recomendam que não sejam utilizados aditivos em produtos alimentares destinados a crianças menores de um ano.

Os aditivos alimentares têm sido usados por séculos: nossos ancestrais usavam sal para preservar carnes e peixes; adicionavam ervas e temperos para melhorar o sabor dos alimentos; preservavam frutas com açúcares e conservavam pepinos e outros vegetais com vinagre. Entretanto, com o advento da vida moderna, a cada ano, mais aditivos têm sido empregados.

Aditivos alimentares são substâncias utilizadas sem propósitos nutricionais. “Eles têm como finalidade impedir alterações nos alimentos, manter, conferir ou intensificar seu aroma, cor e sabor, modificar ou manter seu estado físico geral ou exercer qualquer ação exigida para uma boa tecnologia de fabricação do produto", explica Silvio José Ferreira de Souza, professor do curso de Engenharia de Alimentos da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho).

A existência de vários produtos modernos, tais como os de baixo valor calórico, fast-food, salgadinhos embalados (snacks), não seria possível sem os aditivos atuais. Estes são usados para preservar os alimentos, melhorar o seu aspecto visual, seu sabor e odor, e estabilizar sua composição. O número de aditivos atualmente empregados é enorme, mas todos eles passam por uma regulamentação federal antes do seu uso: alguns são permitidos somente em certas quantidades, enquanto que outros já foram banidos de nosso cardápio. E são dos laboratórios de química que saem, anualmente, novos aditivos.

O JECFA, comitê científico formado por especialistas da FAO e da OMS, realiza periodicamente avaliações toxicológicas dos aditivos alimentares, por meio de testes com animais e dados epidemiológicos, e estabelece a ingestão diária aceitável dessas substâncias.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa é o órgão que regulamenta e fiscaliza o uso dos aditivos. É ela quem determina que aditivos podem ser utilizados em cada tipo de alimento, bem como a quantidade permitida em cada caso.

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor - ProTeste realizou uma pesquisa com molhos para salada industrializados e detectou que muitos deles contêm o conservante ácido benzóico, liberado no Brasil, mas apontado por muitos estudos como potencial causador de hiperatividade em crianças.

As principais características do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade - TDAH na infância são a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade. Além destas características básicas do transtorno, em mais de 50% dos casos, as crianças apresentam transtornos do aprendizado, do humor e de ansiedade.

Em pesquisa recente feita pela Universidade de Southampton, na Inglaterra, e publicada na revista científica Lancet, concluiu que corantes à base de benzoato e conservantes encontrados em alimentos infantis e refrigerantes podem estar relacionados à hiperatividade e distúrbios de concentração em crianças.

Os especialistas frisaram que são necessários estudos mais profundos para confirmar a prevalência da hiperatividade relacionada aos corantes e conservantes alimentares. Das crianças analisadas, 36 tinham hiperatividade e alergias, 75 eram apenas hiperativas, 79 tinham apenas alergias e 87 não apresentaram nenhum sintoma. De acordo com os pais das crianças hiperativas, o distúrbio diminuiu depois que eles deixaram de consumir alimentos com as substâncias. A hiperatividade subiu quando corantes e conservantes voltaram à alimentação das crianças. Os pesquisadores concluíram que apesar de muitos outros fatores estarem envolvidos nessa questão, a ingestão de aditivos poderia ser evitada pelas crianças.

A questão de que se os aditivos químicos dos alimentos afetam ou não o comportamento das crianças levanta controvérsias há décadas.

Até os anos 50, a coloração feita por fabricantes de alimentos era um processo simples basicamente através de recursos naturais. Por exemplo, quando queriam colorir uma bala de vermelho eles usavam beterraba; o verde era à base de clorofila de plantas e assim por diante. Entretanto a indústria química crescia rapidamente e na sua tentativa de aumentar as vendas eles viram a indústria alimentícia como um excelente cliente em expansão.

Entre as vantagens oferecidas pelos fabricantes de corantes e conservantes artificiais estava o baixo custo e o significativo aumento no prazo que os alimentos levariam para estragar nas prateleiras.

A preocupação das autoridades em relação à segurança dos alimentos era mínima, sem levar em consideração o impacto que determinadas substâncias poderiam ter no comportamento humano. À medida que o mundo começou a se conscientizar que fatores ambientais durante as primeiras fases da vida poderiam ter profundas e duradouras conseqüências no desenvolvimento do indivíduo, reconheceu-se também que ingredientes aparentemente inofensivos como os aromatizantes e corantes artificiais usados para realçar a cor e aparência dos alimentos poderiam ter sérias conseqüências com o uso prolongado.

Foi assim que o famoso corante C2 (FD & C Red No. 2) foi proibido para utilização em alimentos devido à comprovação de que produzia câncer em animais.

"Alguns aditivos podem ser substituídos por novos sistemas de embalagem e de processamento dos alimentos", lembra Paulo Roberto Nogueira Carvalho, diretor técnico do Centro de Ciência e Qualidade de Alimentos do Instituto de Tecnologia de Alimentos - ITAL, em Campinas. É o caso do leite longa vida, que passa por uma ultra pasteurização, é processado e envasado de forma asséptica e, por isso, não exige conservantes. Além disso, ele ressalta que substâncias como corantes são utilizadas pela indústria apenas para atender a uma expectativa de aparência do produto por parte das pessoas.

Há públicos que são ainda mais vulneráveis ao consumo dos aditivos, como gestantes, idosos, pessoas que têm alimentação pouco variada e, principalmente, crianças menores de três anos.

Apesar de FAO e OMS recomendarem que não sejam utilizados aditivos em produtos alimentares destinados a crianças menores de um ano, é importante ressaltar que há vários produtos no mercado para crianças menores de um ano que contêm aditivos, como iogurtes, gelatinas, refrigerantes, biscoitos, balas, dentre outros.

O que você pode fazer

Quanto mais industrializado o produto, mais aditivos químicos ele terá. Quanto mais distante o local de sua produção, como os alimentos importados; mais conservantes terá. Por isso, o ideal é que você prepare os alimentos frescos em casa. Como isso nem sempre é possível, seguem algumas dicas para diminuir o consumo de aditivos químicos:

• Leia o rótulo e escolha os produtos com menos aditivos. Esta informação está na lista de ingredientes, que é apresentada em ordem decrescente de concentração no produto.

• Prefira alimentos simples, menos industrializados e procure prepará-los em vez de utilizar produtos produzidos industrialmente.

• Evite o consumo de embutidos (salsicha, lingüiça, mortadela).

• Não coma alimentos fortemente aromatizados e reaprenda a apreciar o sabor dos alimentos ao natural.

• Evite produtos com cores muito vivas, que revelam a presença de corantes.

• Evite açúcares e edulcorantes (adoçantes).

Aditivo alimentar
Principais Funções
Acidulante
Aumentar a acidez ou conferir sabor ácido aos alimentos
Agente de Firmeza
Tornar ou manter frutas ou hortaliças firmes e crocantes
Agente de Massa
Aumentar o volume e/ou a massa dos alimentos sem contribuir significativamente com aumento no valor energético dos mesmos
Antiespumante
Prevenir ou reduzir a formação de espuma
Antioxidante
Retardar o aparecimento de alterações oxidativas (ou seja, sabor e odor de ranço) dos alimentos.
Antiumectante
Reduzir a umidade dos alimentos
Aromatizante / Flavorizante
Conferir ou reforçar o aroma e / ou o sabor dos alimentos
Conservador
Impedir ou retardar alterações e /ou deteriorações nos alimentos, provocadas por microrganismos (bactérias, fungos).
Corante
Conferir, intensificar ou restaurar a cor dos alimentos.
Edulcorante
Conferir sabor doce aos alimentos, sem a utilização de açúcares.
Emulsionante /Emulsificante
Permitir a mistura de duas ou mais substâncias imiscíveis, ou seja, que não se misturam (ex: água e gordura).
Espessante
Aumentar a viscosidade do alimento
Espumante
Possibilitar a formação ou a manutenção de espumas em alimentos líquidos ou sólidos
Estabilizante
Manter a estabilidade / uniformidade da mistura de duas ou mais substâncias imiscíveis
Estabilizante de cor
Estabilizar, manter ou intensificar a cor dos alimentos.
Fermento Químico
Liberar gás com objetivo de aumentar o volume da massa
Glaceante
Quando aplicada na superfície externa do alimento, tem a função de conferir aparência brilhante ou revestimento protetor.
Geleificante
Conferir textura, através da formação de um gel.
Melhorador de Farinha
Quando agregado à farinha, tem a função de melhorar suas características, de acordo com a finalidade a que se destina (fabricação de pães, biscoito, macarrão).
Regulador de Acidez
Alterar ou controlar a acidez ou alcalinidade dos alimentos
Realçador de Sabor
Realçar o sabor ou aroma dos alimentos
Umectante
Proteger os alimentos da perda de umidade
Tabela fornecida pela ANVISA.

Informação divulgada através do portal Doce Limão.

A autora, Mônica de Oliveira Costa, é nutricionista formada pela FSP/USP, docente na Escola Técnica de Nutrição Carlos de Campos/SP, acupunturista, estudante de Florais de Bach e atualmente se considera uma pessoa encantada com os benefícios da alimentação crua viva.
A Mônica atende em seus consultórios (São Paulo e Mogi Mirim), pacientes que desejam realizar uma re-educação alimentar no sentido do vegetarianismo e crudivorismo. Saiba mais escrevendo para seu endereço eletrônico.