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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Curso: Intervenções em Situações Limite Desorganizadoras

Curso de Aperfeiçoamento em Psicodinâmica(novo programa)
Intervenções em Situações Limite Desorganizadoras“AS CLÍNICAS DO DISRUPTIVO: do Social ao Individual”- Compreensão, Intervenções e Consultoria dos Eventos Disruptivos -
 
 
Curso anual de aperfeiçoamento e especialização, desenvolvido pelo Centro de Intervenções do Curso de Psicodinâmica, credenciado através da Rede Ibero-americana de Ecobioética para a Educação, a Ciência e a Tecnologia / Cátedra UNESCO de Bioética, segundo protocolos reconhecidos internacionalmente, pela World Psychiatric Association - WPA.


Início: Sábado, 16 de março de 2013.

Corpo docente:
José Toufic Thomé - Coordenador;
Erane Paladino, Ively Taralli e Regina Lúcia de Araújo Gribel - Professores.

Professores convidados: Álvaro Ancona de Faria, Ana Maria Zampieri, Eloisa Q. Fagalli, João Figueiró, Maria Angélica Prado, Marcelo de Mello Feijó, Michel Achatz e Ruy de Mathis.


I – Psicodinâmica
Desde 1976 o curso de Psicodinâmica do Instituto Sedes Sapientiae compreende a necessidade de desenvolver uma linha clínica que considere também a realidade como fator de adoecimento psíquico. E esta abordagem clínica considera o adoecer como um processo que tem sua origem no desenvolvimento dos vínculos primitivos e que se expressa nos vínculos estabelecidos. O Modelo Psicodinâmico parte de uma visão integradora, multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar, apoiada nos princípios de Edgar Morin e sua Teoria da Complexidade. E fundamenta-se nos estudos psicanalíticos do funcionamento mental em Sigmund Freud, Sandor Ferenczi, Donald Winnicott e Piera Aulagnier, compreendidos no modelo de Moty Benyakar para as intervenções diante do evento disruptivo, para desenvolver metodologia técnica própria da Psicodinâmica.


II – Objetivos
Apresentar o Modelo Psicodinâmico para o tratamento do traumático e os possíveis recursos terapêuticos para as Psicoterapias, Intervenções Sociais e em Psico-Educação. Cada vez mais estamos expostos a eventos e ambientes desestabilizadores ou disruptivos. Diante dessa constatação, desenvolvemos uma nova metodologia técnica e fundamentos teóricos que caracterizam as clínicas do disruptivo para as novas políticas de saúde, das instituições e dos consultórios. O disruptivo tem características potencialmente traumatogênicas. A compreensão deste novo campo traumatogênico requer conceitos psicodinâmicos ativos que se diferenciam da interpretação tradicional do trauma psíquico. E exige repensar o modo como o ambiente irrompe no psiquismo humano. Esta visão psicodinâmica tem norteado e desenvolvido estudos sobre a complexidade desta situação para abordar e interagir com mais aspectos das áreas do conhecimento humano. Trata-se de prestar atenção à Saúde Mental de pessoas que vivem seu cotidiano e, subitamente, passam a viver situações de anormalidade desorganizadora ou desestabilizadora de seus universos materiais, físicos e emocionais individuais.


Conteúdo Programático:
O curso aplica e desenvolve uma visão integrada e transdisciplinar. Apoia-se nos conteúdos teóricos de: (1) Teoria da Complexidade de Morin; (2) Estudos psicanalíticos de Freud, Ferenczi, Winnicott, Piera Aulagnier e no modelo de Benyakar para a compreensão do traumatogênico; (3) Conceitos da neurociência; (4) Visão integrada através da Teoria dos Sistemas e da Comunicação; (5) Modelo do Disruptivo de Benyakar; (6) Intervenção desenvolvida pela Psicodinâmica e outros modelos de intervenção que consideram a violência gerada pela realidade; (7) Técnica específica do Modelo Psicodinâmico, aplicada tanto para psicoterapia como para as intervenções, e se desenvolvendo através da Experiência Relacional Reconstrutiva; (8) Diferenças nos conceitos de: Trauma Psíquico, Traumático, Estresse Pós-Traumático e de Patologias por Disrupção; (9) Imunidade Psíquica e Resiliência; e (10) Clínica do Traumático.


Metodologia: Aulas expositivas e vivências grupais para reflexão dos temas teóricos e técnicos. Discussão de casos clínicos e filmes para explanação da teoria apresentada. Este diferencial pedagógico é o que permitirá a compreensão conceitual vivencial. Apresentação de trabalho escrito ao final do curso.

Destinado a: Profissionais que atuam na área de Saúde Mental e Saúde.

Vagas: 20 (vinte).

Horário: Somente aos sábados, das 09h00 às 13h00.

Duração: 16 aulas, durante 8 meses.

Carga horárias: 64 horas.

Cronograma das aulas: 16 e 23 de março; 13 e 27 de abril; 11 e 25 de maio; 8 e 22 de junho; 3, 17 e 31 de agosto; 14 e 28 de setembro; 26 de outubro; 9 e 23 de novembro.

Local: Instituto Sedes Sapientiae SP. Rua Ministro Godoi, 1484 - Perdizes - São Paulo – SP.

Período de inscrições: Até 06 de fevereiro de 2013.

Seleção:
Os candidatos serão submetidos à entrevista em grupo no dia 04 de fevereiro de 2013, das 09h00 às 12h00. No ato da inscrição o candidato deverá entregar cópia do curriculum vitae.

Informações complementares: Telefone: 55 (11) 3258 3462 http://sedes.org.br/site

Investimento: Inscrição: R$ 70,00 Anuidade 2013: matrícula mais 10 parcelas de R$ 357,00.

Código do curso no Sedes: 6009.

Instrução sobre inscrições: AQUI.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O que Funciona na Prática Clínica da Psicoterapia

Reflexão sobre o papel da Psicoterapia
no mundo contemporâneo.

Para contextualizar esta II Segunda Jornada da ABRAP em seu tema: o que Funciona na Prática Clínica da Psicoterapia, eu preciso explicar o seu processo de origem.

Em outubro de 2001 o então Departamento de Psicodinâmica do Instituto Sedes Sapientiae, apoiado pelo Departamento de Psicoterapia da ABP organizou sua jornada convidando diferentes escolas e linhas de estudo, com a finalidade de discutir como se entendia o clínico em Psicoterapia no início da 1ª década do século XXI.

Foi um evento em que várias linhas psicoterapêuticas e epistemológicas, se propuseram a refletir, em conjunto, sobre os objetivos e resultados do nosso trabalho com a mudança de paradigmas que se passava a viver.

O atentado de 11 de setembro, de forma rápida, brusca e violenta, acelerou as mudanças dos referenciais ideológicos em relação aos aspectos econômicos, políticos, científicos, sociais / relacionais, e da religiosidade. E a nossa busca comum passou a ser tentar desenvolver novas formas de propiciar alívio ao sofrimento humano diante das mudanças reais que já vinham acontecendo, e que tomavam rumos mais ortodoxos / fundamentalistas.

Na época, os nossos questionamentos pretendiam determinar como ficaria este Ser Humano, no nosso caso o paciente / cliente; como ficaria o profissional; e como ficariam os quadros clínicos e a Psicoterapia.

Constatamos que vivíamos um momento no qual a dessacralização pós-moderna estava presente mudando os conceitos. E isso exigiria reflexão crítica e reconhecimento sobre como os valores científicos, políticos, socioeconômicos religiosos e culturais, conscientes ou inconscientes, estariam misturados em nossos modelos teórico / clínicos, portanto: como interagiam em nossa subjetividade.

As questões e as consequentes reflexões de diferentes profissionais, de diferentes linhas, estavam direcionadas para preocupações em relação às queixas do vazio interior e do isolamento, que já aconteciam a partir da estimulação da cultura através de uma idealização narcísica do bem estar, crescimento e felicidade.

A banalização dos sentimentos, ou seja da percepção da visão crítica sobre a realidade, promovida tanto pela medicalização das emoções, pelas drogas não lícitas, quanto pela alienação através de comportamentos obsessivos tais como jogo, comida, sexo e internet, apresentavam-se como evidências de adoecimento em Saúde Mental de parcelas expressivas da população.

A massificação vivencial como fenômeno coletivo da realidade humana influenciada pelos meios de comunicação, promovia uma experiência existencial relacional artificial grupal, com emoções padronizadas como respostas mercadológicas de um marketing planejado.

Nós não caracterizávamos a contemporaneidade como um quadro pessimista da realidade, mas sim, como um evidente agente destas influências em nossas vidas pessoais e nas vidas de nossos pacientes.

Concluímos que o trabalho clínico sempre dependeria de nosso conhecimento teórico, da nossa intuição e capacidade de improvisar, e que sempre se manteria na linha divisória, ou interface, entre o nosso diagnóstico e a intervenção praticada a partir da nossa sensibilidade e subjetividade, ao que denominamos o “universo da arte”.

Nesse sentido, a reflexão sobre “O que Funciona em Psicoterapia” continua a ter grande importância. E pensando no hoje, vejo que relatamos todos estes questionamentos, mas ainda não conseguimos enunciar o seguinte paradoxo: os pacientes eram, e ainda são, pessoas saudáveis (ou, “estabilizadas” ou “pessoas normais”), ante uma situação anormal, incontrolável e que se torna cotidiana.

Cada vez mais, o desamparo criado por essas mudanças de paradigmas, está presente no cotidiano dos pacientes, e consequentemente, na rotina dos profissionais da área Saúde Mental.

A cultura atual continuou acentuadamente narcísica, individualista, imediatista, consumista, superficial e artificial, firmando sua autoestima em bens posicionais, portanto cada vez mais distante de sua interioridade. Para suportar conviver com o que não é natural ou anti-humano (pais que matam filhos, mulheres que picam maridos, maridos que mandam executar mulheres, filhos que matam pais, sequestros, aceitação de mentiras políticas e econômicas, sociais, catástrofes naturais), utilizamos a negação, sob a forma da banalização, fazendo de conta que estamos blindados contra estas violências e agressões, que também podemos entender em senso lato, metaforicamente, como formas de estupros e abusos. Criamos mecanismos onipotentes diante da impotência ou desamparo humano.

Vivemos na era em que provavelmente muito daquilo que sempre soubemos e defendemos esta sendo ou será comprovado cientificamente. Comprovamos hoje o cérebro emocional. E também, através dos estudos atuais sobre a integração da relação gene / ambiente / cérebro, comprovamos a existência de alterações da experiência subjetiva.

Nossa jornada visa lidar com as relações entre a psicoterapia e as diversas situações científico / políticas / econômicas / sociais e ou relacionais e ambientais, que afetam a vida do ser humano, tanto no plano individual, quanto no plano profissional e coletivamente, enquanto sociedade.

Durante a última década houve uma evolução das psicoterapias com atuações em situações traumatogênicas provocadas pelas diferentes formas manifestas da violência, ou seja, através de guerras, terrorismo internacional e do Estado, mudanças na organização familiar, política, da natureza, e outras. Portanto devido às próprias transformações ocorridas em todas essas áreas de relação humana.

A psicoterapia deixou de ser aplicada somente em consultório. Foi a campo, se descobriu e obteve êxito ao atuar em diferentes situações. Num setting diferente, em que também as relações profissionais se estabeleceram em uma forma diferente de enquadres, mas, mesmo assim, mantendo os conceitos que a solidificam e validam.

Os clientes / pacientes passaram a trazer para o consultório diversas ansiedades e angústias advindas de situações ligadas ao traumatogênico social e midiático. E, muitas vezes, permanecem distanciados da percepção de seu próprio SER, e tendem a não mais reconhecer, ou simplesmente negar, as suas melhores qualidades individuais e humanas.

Sou eu que estou doente ou a sociedade que está adoecendo?
Eu estou delirando ou eu compreendo a verdade que é negada?

Esses são alguns questionamentos frequentes dos “supostos” pacientes. E nós, psicoterapeutas: Devemos concordar com o que eles observam, interpretam e nos relatam, ou o procedimento será compreender o relato através da escuta focada apenas no diagnóstico de sintomas?

Essas pessoas (pacientes) trazem em suas dúvidas, sentimentos que fazem parte da condição do humano. Ou são somente sintomas que caracterizam transtornos?

Nós, profissionais em Saúde Mental, mas também seres humanos também, deveremos nos identificar com suas questões, refletirmos, sem a aplicação de ideologias político / sociais, mas sim humanísticas / científicas, e medicar se necessário. Ou o caminho a seguir será apenas interpretarmos sintomas, e medicar? Nesses casos, drogando também os sentimentos?

A nossa jornada ABRAP foi planejada a partir desse tema, para nos incentivar à refletir sobre o que se tem feito na área da Psicoterapia, sua evolução e adaptação às citadas circunstancias atuais. E eu volto a afirmar: atualmente, estamos atendendo uma parcela crescente de pessoas sãs, que se desestabilizam ou se desorganizam também pela ação da realidade.

A nossa reflexão poderá ser feita através da diferenciação sobre o que é Saúde e Saúde Mental, de fato, portanto: Qualidade de vida, e o uso da mesma terminologia (SeSM) aplicada à doenças e tratamentos.

Inicialmente, décadas de 60 e 70, o campo clínico da SeSM, era compreendido dentro dos referenciais Bioéticos que tratam das relações entre tratamentos de doenças, profissionais e pacientes, e suas interações em relação aos aspectos técnicos e jurídicos ou do Direito.

Porém, surgiu a percepção de que estes princípios da Bioética, postulados como Ética Global, se desvirtuaram em parte, a partir da própria abrangência que se pretendeu atribuir a eles. E em função destes princípios estarem circunscritos ao mundo das doenças e das relações entre profissionais e pacientes.

Com o tempo, princípios terminaram reduzidos a protocolos e legislação aplicados aos relacionamentos comerciais - por vezes influenciados por interesses de seguradoras e laboratórios, e portanto, perdendo muito do seu sentido original. E avaliadas por essa perspectiva, SeSM se tornaram “reféns” dos protocolos instituídos pelas regras mercadológicas ditadas por essa “globalização comercial técnica”, que muitas vezes, influencia inclusive as instituições acadêmicas.

O aporte dos estudos desenvolvidos por Dr. Moty Benyakar nas últimas três décadas serve como pilar referencial para as reflexões contemporâneas sobre o papel da Psiquiatria e Psicologia na Saúde Mental contemporânea, diante das necessidades de atendimento da sociedade globalizada.

Nessa proposta de mudança de paradigmas, os princípios aplicados de forma global e sistêmica, devem considerar as diferentes necessidades que se interligam, simultaneamente, para proporcionar a existência saudável dos seres humanos no mundo que os rodeia. E com esse direcionamento ideológico, o Dr. Benyakar apresentou, junto cátedra de Bio-etica da UNESCO, a postulação do conceito Ecobioética, para a compreensão da Saúde Mental como apoio e suporte permanente à população.

O conceito de Ecobioética confronta as relações do homem com o próprio homem, assim como do homem com o meio ambiente em que ele vive, incluindo-se não só animais vegetais e minerais, como também os fenômenos geofísicos, para promover um desenvolvimento saudável, amparado no seu tempo e sustentável. E em sua postulação, Benyakar afirma: ”a Ecobioética se propõe a ir além de uma disciplina apoiada somente em medicina e direito, para assumir a postura de integração entre todas as disciplinas que participam da vida dos indivíduos, tais como economia, política, educação, ecologia, filosofia, urbanismo , comunicação social, engenharia, entre tantas outras”, para concluir “contexto em que a Saúde Mental passa a ser compreendida como parte integrante e essencial da disciplina Ecobioética, com um papel permanente a desempenhar frente ao homem plenamente saudável”.

De fato, o “campo Psi” já realizou com êxito a mudança da abordagem ‘multidisciplinar’ para a ‘interdisciplinar’ que hoje é compreendida como fundamental. E o conceito de Ecobioética incita ao próximo movimento, que resulta em ‘transdisciplinariedade’. Universo de atuação que o sociólogo Edgard Morin denomina Complexidade.

Podemos dizer que é na trama da Complexidade que acontece esta dinâmica fundamentada nas suas diferentes perspectivas de avaliação. E por meio da Ecobioética, empreende-se a busca pela compreensão de tal Complexidade, partindo não de componentes de massificação determinados em protocolos formais (Bioética), mas da necessidade de interação entre cada indivíduo e suas diferentes manifestações de subjetividade.

E ao primar por compreender, preservar e desenvolver os seres humanos e seu meio ambiente, essa busca proposta pela Ecobioética admite considerar, simultaneamente, tanto as mudanças geofísicas, quanto às especificidades culturais, sociais, físicas, políticas e espirituais das populações, durante o atendimento empreendido através das assistências em suas diferentes dimensões.

Neste sentido estamos afirmando que SeSM é, de fato, promoção e manutenção de qualidade de vida para as pessoas, portanto para as populações. E é o momento em que podemos nos voltar para a Psicoterapia pensando-a para toda a sociedade, inclusive esse paciente e esse profissional, que vive em 2012.

Ao lidar com a sistemática ruptura de referências, como autodefesa emocional, os indivíduos tendem a minimizar os atos de violência em seu entorno, banalizando-os. Comportamento capaz de gerar transtornos psíquicos e aumentar a agressividade em relações cotidianas.

Tirar a vida de uma pessoa já não constrange, pelo menos quando se trata de preservar o patrimônio, imagem social ou a tranquilidade individual do ser humano do século XXI. Nossa sociedade incentiva à competição pela perspectiva do resultado e não dos méritos e princípios que geraram a conquista. Nesse contexto revelam-se, mais que situações de desrespeito à vida e inversão de valores, os sintomas que expõe a realidade desorientadora ou ‘disruptiva’ a que todos estamos submetidos. Condição que pode adoecer ou não, a partir da predisposição biológica, das experiências sociais e percepções subjetivas de cada indivíduo.

Impulsionada pelo processo internacional de acesso à informação, às tecnologias, à economia e à necessidade de interlocução entre culturas, nem sempre simples, a Vida no século XXI contempla amplo espectro de exposição a estímulos emocionais, condição que, por exemplo, não existia no início do século passado. E se por um lado, em alguns momentos a avaliação subjetiva que nos envolve parece tender à ansiedade, e até à angústia, por outra perspectiva, a humanidade nunca contou com tantos recursos e conhecimentos universalmente compartilhados para compreender a multiplicidade de alternativas que podem ser trabalhadas para estabelecermos a harmonia entre pessoas e meio ambiente.

Não se trata apenas de enxergar a realidade a partir de uma perspectiva otimista e menos desestabilizadora emocionalmente. Na prática, a Ecobioética nos convida a reconhecer as limitações humanas, ao mesmo tempo que apresenta o caminho da transdisciplinaridade. Ou seja, cooperação entre todas as atividades envolvidas na construção e aprimoramentos das realidades, como alternativa amadurecida, para não só combater o sofrimento emocional, como para construir qualidade de vida em escala muito maior.

Esse direcionamento propõe novas perspectivas, e uma possibilidade para desenvolver a Psicoterapia para o homem e para a sociedade. O potencial clínico que a Psicoterapia possui, poderá ser orientado para os tratamentos, intervenções e assistências direcionadas às populações, ampliando a abrangência de seus benefícios através de novos settings e enquadres.

Autor: Dr. José Thome, durante a conferência de abertura da II Jornada ABRAP.
Realizada em São Paulo, em 28 de setembro de 2012.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Entrevista: Leopold Nosek

“O DESAFIO DO ANALISTA É PERMANECER HUMANISTA”

Quando o antigo já não existe mais e o novo ainda não se estruturou é que se criam os monstros, segundo Leopold Nosek, da Federação Psicanalítica da América Latina. Os sintomas desse momento de transição– no qual se encontra a humanidade– estão na pauta dos principais desafios dos analistas contemporâneos. Desafios esses que serão tratados no Congresso Latino-Americano de Psicanálise (que começa terça-feira no Sheraton WTC), presidido por Nosek.

Cerca de dois mil psicanalistas se reunirão para debater o papel do analista na contemporaneidade: “O filme A Pele em que Habito, de Pedro Almodóvar, apresenta o monstro atual”, pondera. “O indivíduo pode trocar de sexo, de pele, fazer filhos de proveta, coisas antes inimagináveis”. Os temas do encontro serão tradição e invenção. “Veremos como esses dois dados se relacionam. Sem a tradição não se vive. No entanto, ficar paralisado na tradição também não é viver”, afirma.

A seguir, os melhores momentos da entrevista.

O mundo atual é muito fragmentado, a análise ajuda a dar unidade para pensamentos e sentimentos?

O paciente continua um ser humano. Só precisa ser lembrado disso. É um trabalho de recuperação. Não vivemos de construções velhas, portanto é impossível um analista estar ouvindo a mesma coisa. Nossos sentimentos pedem sempre novos versos.

Dê um exemplo.

As canções de ninar. São todas iguais. Falam de monstros, não de sossego. Porque a criança tem o medo e o horror dentro dela. E quando encontra uma representação, se sente entendida. Quando se adquirem palavras para o conflito e para a dor, aquilo se circunscreve. Deixa de ser infinito e adquire um tamanho. A partir daí, monta-se a equação e pode-se lidar com isso. Uma boa análise não resolve as equações, mas ajuda a montá-las. E, às vezes, isso é o mais difícil. “A cuca vem já já, papai foi pra roça, mamãe foi trabalhar”. É uma equação de desamparo.

O ser humano continuou igual, enquanto o mundo sofreu um avanço tecnológico imenso?

Em qualquer idade nos encontramos em transição. Sempre foi assim. Mas, agora, a velocidade é assombrosa. Outro dia, um adolescente me falou uma coisa interessante: que John Lennon nunca tinha visto um computador.

Quando um paciente tem alta, quem define isso: ele ou o analista?

Não creio em alta. A alta não faz parte da minha ideia analítica. A cura é uma ideia médica e se baseia em sintomas. O que existe são momentos de desenvolvimento que promovem emancipação. Tem muita gente que quer se aprofundar em si mesmo. Por outro lado, para quem faz análise, esse tipo de exercício reflexivo é vital. Não há como evitar.

Existe quem consiga fazer essa reflexão sozinho?

De fato não criamos nada em isolamento. Prefiro dizer que há pessoas que fecham a porta para esse tipo de prática. Muitas possuem uma dificuldade de olhar para sua interioridade. São pessoas que estão sempre em ação, impedindo o contato com o mundo onírico. Outros têm uma cegueira para o que é conflitivo, contraditório e escuro. O que sabemos sobre a análise é que aquele que a faz fica um pouquinho melhor na comparação com ele mesmo. E esse pouco melhor é inestimável. A família e as pessoas ao lado notam. Claro que, como tudo, análise depende de sorte. De achar a companhia certa para tanto. Nelson Rodrigues dizia que sem sorte você não chupa nem picolé porque vai cair no seu sapato.

A rapidez e a competição da atualidade contribui para o aumento da angústia?

Vivemos transformações importantes. Acostumamo-nos a lidar com um aparelho eletrônico e já temos que lidar com um novo. Existe hoje um paradoxo. Vamos viver mais de oitenta anos, mas ficaremos obsoletos profissionalmente, muitas vezes, com 40, 50 anos. Isso gera uma grande insegurança. Há uma enorme concentração de recursos materiais e de expediente para o trabalho para se produzir. Isto influencia nosso modo de viver. Por exemplo, os bancos vão se preocupar com suas ações e não com as hipotecas e o destino dos mutuários. Será que as grandes corporações farmacêuticas são diferentes?

E qual a consequência disso?

Falta tempo para o ser humano olhar para a própria humanidade. Não conseguimos construir um acervo onírico, uma personalidade. Sonhar e adquirir um repertório cultural, poético, requer tempo. É isso que necessitamos para dar conta da vida. É um desafio dos analistas de hoje, muito diferente da época do Freud. O sofrimento atual é de outra ordem. A do vazio. O indivíduo sofre, mas não articula um discurso. Quem tem pânico, por exemplo, sequer sabe diferenciar se o sofrimento é psíquico ou corporal. E crescem doenças como a anorexia, obesidade e a bulimia, que há 40 anos eram uma raridade.

O que é anorexia?

Ausência de desejo. Não se sente fome, não há vida sexual. Porque o desejo é visto pelo anoréxico como um perigo de destruição interna. Ele não tem acervo para dar conta. Isso é o desafio para o analista. Como trata-se de um discurso que não se organiza, é impossível realizar o que os analistas faziam antigamente – presente no imaginário popular –, de atribuir significados inconscientes ao que o paciente fala. É necessário a criação de novas narrativas, novos sonhos.

E como o analista reage em uma situação como essa?

É um dos temas do nosso congresso. Colocar o analista em questão. Estamos diante de um mundo novo. Que implica em novo corpo, sexualidade, ética e moralidade. Além de um sistema jurídico que terá que se adaptar a tudo isso. Em um mundo onde as coisas estão cada vez mais técnicas, o desafio para o analista é permanecer um humanista.

Com o avanço das drogas psiquiátricas, o paciente é o que ele toma?

Claro que não. Comemoramos as novas medicações, são um progresso. Entretanto, há um exagero. As pessoas não podem mais ficar tristes. Crises e os lutos são grandes oportunidades de transformação, de inventividade, desenvolvimento. Se você não tem tempo do luto, as pessoas tornam-se descartáveis. Como viver sem perdas? O importante é dar um destino criativo para elas.

Onde entra a análise?

As pesquisas mostram que uma terapia, de ordem verbal, aliada a medicação, funciona melhor do que só o remédio. Isso é consenso em psiquiatria também. No entanto, existe uma predileção por sucesso rápido. Costuma-se dizer que a psicanálise é demorada. O que ocorre é que entramos em um processo de desenvolvimento. Se a análise for boa você sente os benefícios desde o primeiro encontro.

Como se manter são ?

Eu nem pretendo isso. Não me apresento assim. Não tenho cara de são e não faço a menor questão de ser. E não sei mais do que a pessoa que está lá comigo. Só tenho um ouvido disciplinado para aquilo. Para ser analista, tem que ter problemas suficientes para não conseguir ficar quieto.

Como o senhor vê o crescimento dos fundamentalistas no mundo?

Quando eu comecei, a angústia dos pais era que os filhos estavam virando revolucionários. Hoje, se preocupam porque os filhos estão virando fanáticos. Com o a falta de tempo para construir um acervo que dê conta da sua humanidade, o indivíduo apela para as receitas prontas.

Em qualquer época?

Em tempos de transformação. Quando o velho não existe mais e o novo ainda não se estruturou, criam-se os monstros, dizia Antonio Gramsci. São momentos em que ainda não há um novo sonho, uma referência poética. Em épocas como essa, em que não existe tempo de esperar até que se organize um novo sonho, uma nova referência poética e cultural, é que as pessoas se socorrem de coisas estabelecidas.

Outra discussão é sobre a esfera do público e do privado. Mudou com a internet?

Sim. O Facebook e similares, por exemplo. As pessoas acreditam que estão expondo a intimidade ali. Mas, na verdade, não. Mudou o critério de intimidade. O que é íntimo, de verdade, as pessoas não mostram.

Por quê?

Porque quando é íntimo é conflituoso. O sexo pode ser íntimo para uma pessoa e não para outra. E parte da graça do sexo é que é tremendamente conflituoso e angustiante. Senão, seria como comer bife. O medo da perda, da invasão, do excesso, estão sempre aí. O número de fantasias, medos e expectativas que acompanham a sexualidade é enorme, e aí é que está a graça.

O que é a felicidade?

Essa felicidade da qual se fala é uma bobagem (risos). Uma coisa é viver criativamente, viver bem. Viver feliz é um sonho infantil. A ideia de não ter conflitos, problemas, é uma negação da realidade. Isso não é viver feliz, é ter uma anestesia para uma parte da vida. Uma pessoa que acredita nisso não vive as crises dos filhos, as questões amorosas, os lutos. Pensa em soluções. Chamo essas pessoas de “solucionáticas”.

Para resumir, qual o maior desafio para o analista hoje?

Cada vez mais o tratamento é bipessoal. Na sala de análise tudo pode acontecer virtualmente. O analista tem que ser corajoso e participativo. Ter audácia. Tem que ter o conhecimento. Esta é a sua ética. Estamos todos em questão, o paciente, o analista e a análise. Cabe a brincadeira “vamos olhar seus problemas de frente: pode se deitar”.

Entrevista publicada pelo jornal O Estado de São Paulo.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Artigo: violência e educação

Conflito e violência na escola

Em primeiro lugar, é importante destacar que o conflito é fenômeno inerente às próprias relações interpessoais. Basta uma relação entre duas pessoas para que surjam ocasiões em que desejos e interesses se contrapõem, desencadeando situação de conflito. Eles não devem e não podem ser evitados, podendo ser resolvidos de forma construtiva por meio do diálogo ou negativa quando se usam as diferentes formas de violência.

Imaginemos, agora, o potencial de conflitos existentes em uma comunidade escolar, que reúne diferentes atores — alunos e seus responsáveis, professores, profissionais de apoio, equipes de direção — e lida diretamente com outros grupos de interesse, como a comunidade do entorno, representantes dos órgãos centrais da educação, além da própria opinião pública. Cada um deles com seus interesses e sua cultura, que, além de diferenciados, podem ser extremamente antagônicos. Nessa conjuntura, não dá para varrer as divergências para baixo do tapete. É fundamental que se desenvolvam estratégias para lidar com o conflito.

Também nesse campo, o importante é prevenir, identificando-se os possíveis fatores geradores. Talvez os mais importantes sejam os valores dominantes em nossa sociedade. Vivemos em um mundo pautado pelo individualismo, pela falta de ética, pelo desrespeito aos outros e às regras, e pela impunidade. A escola precisa assumir seu papel na formação das novas gerações, desenvolvendo estratégias pedagógicas intencionalmente voltadas para a construção de valores pautados na ética.

Processo que se inicia em atos de cortesia (bom-dia, obrigado, por favor), prossegue na capacidade de se colocar no lugar do outro (empatia) e desemboca no sentimento de solidariedade. A consolidação da ideia de igualdade é fundamental para o desenvolvimento de valores como respeito, confiança e solidariedade, considerados como componentes básicos do capital social. Baixos níveis de capital social estão associados a grupos cujas relações são pautadas na violência, perdendo a capacidade de gerar resultados.

A ênfase na intencionalidade desse processo baseia-se no fato de que, sem a clara determinação de realizar esse trabalho e o desenho de caminhos educacionais mais efetivos para realizá-lo, não será possível reverter a ideia, fortemente hegemônica, de que os seres humanos são melhores ou piores, dependendo da origem socioeconômica, do gênero, da raça, da idade, do peso, da aparência ou da opção sexual. Nessa lógica, caso não seja homem, branco, jovem, magro, bonito, heterossexual e rico, você poderá ser considerado necessariamente inferior, merecendo ser discriminado, marginalizado, violentado psicológica ou fisicamente, ou, no limite, exterminado. Assim, num momento de choque de interesses, aqueles que se enquadram em um dos padrões socialmente valorizados, podem se sentir no direito de impor sua vontade por meio da violência, assim como o discriminado, de se sentir obrigado a utilizá-la para se fazer respeitar.

O uso da violência numa situação de conflito pode também estar ligado à incapacidade de resolvê-lo por meio do diálogo. É através do diálogo e da argumentação que se consegue mediar conflitos e encaminhá-los para uma resolução satisfatória para todos. Assim é que o mais importante antídoto contra o uso da violência, em situações de conflito, parece ser um trabalho efetivo das escolas no desenvolvimento de habilidades dialogais. Uma sociedade democrática prescinde da prática argumentativa.

Enfrentar as duas questões seria agir na raiz do problema, mas, como toda mudança cultural, com resultados a mais longo prazo. A escola precisa, entretanto, preparar-se, a curto prazo, para os complexos conflitos que vem enfrentando, cada vez mais resolvidos por meio da violência. O primeiro passo seria a institucionalização das normas de funcionamento, mediante um estatuto, construído de forma participativa, divulgado amplamente e cumprido de forma justa. Pior do que não ter um estatuto, é tê-lo desconhecido, na gaveta ou usado de forma arbitrária. Começa assim, para as novas gerações, a prática da ausência de normas ou do respeito às normas, aliada ao sentimento de impunidade ou injustiça.

É claro que a escola não é uma ilha, estando sujeita à violência que a circunda e muitas vezes a invade, mas, como formadora de sujeitos sociais, ela também é responsável pela reprodução do seu uso nas situações de conflito. Ter a intenção e desenvolver as melhores estratégia para a formação de sujeitos éticos; estabelecer relações, entre os diferentes atores da comunidade escolar, baseadas no respeito, na confiança e na solidariedade; estruturar-se como instituição baseada em normas claras, consubstanciadas em um estatuto conhecido e aprovado por todos e aplicado com justiça; podem ser os primeiros passos para que as novas gerações aprendam a resolver seus conflitos por meio do diálogo, não da violência.

Autora: Wanda Engel
(superintendente executiva do Instituto Unibanco) Publicado no jornal Correio Braziliense.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

CURSO: Intervenções em Situações Limite Desorganizadoras (mód. I)

Na próxima segunda-feira, 06/02, encerra-se a primeira fase para inscrições no curso Intervenções em Situações Limite Desorganizadoras (mód. I), oferecido no Instituto Sedes em SP.

A especialização foi desenvolvida pelo Dr. José Thomé, através da Rede Ibero-americana de Ecobioética / Cátedra UNESCO de Bioética, segundo protocolos reconhecidos pela Associação Mundial de Psiquiatria (WPA).

Fundamentado em Psicodinâmica, o curso parte da visão integradora transdisciplinar, e se apoia nos princípios da Teoria da Complexidade, de Edgar Morin. Contempla também os estudos psicanalíticos para a compreensão do funcionamento mental em Freud, Ferenczi, Melanie Klein, Winnicott e Piera Aulagnier, compreendidos no modelo de Moty Benyakar para as intervenções diante do evento disruptivo.

Mais informações AQUI.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Curso de especialização em São Paulo.

Intervenções em Situações Limite Desorganizadoras (parte 1)
Curso anual de aperfeiçoamento e especialização, desenvolvido pela Rede Ibero-americana de Ecobioética para a Educação, a Ciência e a Tecnologia / Cátedra UNESCO de Bioética, segundo protocolos reconhecidos internacionalmente, pela Associação Mundial de Psiquiatria (WPA na sigla em inglês).

Início: sábado, 10 de março de 2012.

Corpo docente:
José Toufic Thomé - Coordenador;
Emília Aparecida Calixto Afrange; Erane Paladino; Ively Taralli; Regina Lúcia de Araújo Gribel.

Professores convidados:
Álvaro Ancona de Faria; Marcelo de Mello Feijó; João Figueiró; Michel Achatz; Eloisa Q. Fagalli; Ruy de Mathis.

Objetivo:Numa leitura psicodinâmica, o curso parte de visão integradora, multi/inter e transdisciplinar, apoiada nos princípios de Edgar Morin e sua Teoria da Complexidade. Fundamenta-se também nos estudos psicanalíticos para a compreensão do funcionamento mental em Freud, Ferenczi, Melanie Klein, Winnicott e Piera Aulagnier compreendidos no modelo de Benyakar para as intervenções diante do evento disruptivo.

Conteúdo Programático:- Discutir e esclarecer as diferentes situações atuais que têm levado as pessoas ao limite da desorganização psíquica;

- Introduzir as diferenças nos conceitos do Trauma Psíquico, do Traumático e do Estresse Pós-Traumático relacionando-os com o conceito de Patologias por Disrupção;

- Conceitos de Imunidade Psíquica e de Resiliência;
- Informar sobre modelo adequado de Psicoterapia para o traumático e sobre possibilidades de intervenção multi / inter e transdisciplinares em Intervenções Sociais e em Psico-Educação;

Metodologia:
Aulas expositivas e dinâmicas em grupo, que oferecem ambiente para reflexão sobre temas teóricos e técnicos de forma vivencial.
Este diferencial pedagógico permitirá a compreensão conceitual e as possibilidades das práticas terapêuticas deste novo campo de conhecimento e aperfeiçoamento.

Destinado a:Profissionais que atuam na área de Saúde Mental e Saúde.

Horário:Somente aos sábados, das 09h00 às 13h00.

Datas das aulas:
10 e 31/03; 14/04; 05/05; 16/06; 04 e 18/08; 01/09; 20/10; 10/11 e 01/12/2012
(ainda haverá uma data adicional, que será definida no decorrer do curso).

Local:Instituto Sedes Sapientiae SP.
Rua Ministro Godoi, 1484 – Perdizes – São Paulo – SP.

Duração: 1 ano.

Carga horárias: 48 horas.

Vagas: 20.

Período de inscrições:Fase 1 até segunda-feira, 06 de fevereiro de 2012.

Seleção:Os candidatos serão submetidos à entrevista em grupo no dia 06 de fevereiro de 2012, das 09h00 às 12h00. No ato da inscrição o candidato deverá entregar cópia do curriculum vitae.

Informações complementares:Telefone: 55 (11) 3866 2730
http://sedes.org.br/site
Instrução sobre inscrições AQUI.

Investimento:
Anuidade 2012: matrícula (R$ 238,00), mais 10 parcelas de R$ 238,00.

Código do curso no Sedes: 6009.

Inscrição on line: AQUI.