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quarta-feira, 16 de outubro de 2013
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Opinião: violência urbana
Crimes sem castigo
Os excessos cometidos na ficção e a violência presente na realidade.
Ao observar notícias recorrentes
nos noticiários, somos obrigados a conviver com a violência como fator
indissociável da realidade, e em muitos momentos, prestes a nos afligir, tão naturalmente quanto os congestionamentos
em metrópoles. São situações corriqueiras em que temos a falsa impressão de que
suportar a violência é parte da vida.
Há algumas semanas um telejornal
mostrava cenas em que um automóvel atropelava um motociclista parado em uma
esquina. Após a colisão, um rapaz que ocupava o banco do carona desceu do carro
e avançou sobre o motociclista que reagiu, sacou um revólver e atirou. E
enquanto o apresentador da emissora explicava que eram pai (ao volante) e
filho, reagindo contra o assaltante que levara a moto, as imagens mostravam o
pai tentando usar o carro como arma mais algumas vezes, antes de descer para socorrer
o filho, mortalmente ferido.
Acontecimentos que ganharam
manchetes relataram histórias trágicas de jovens assassinados na porta de suas
casas, em lanchonetes e no mencionado trânsito das cidades. E mesmo crimes
bárbaros como a tortura e morte da dentista Cinthya Moutinho, por mais
socialmente condenável que tenha sido, foi reproduzido dias após, levando outro
ser humano à morte.
Nas cidades mais estruturadas,
onde a miséria é proporcionalmente menor, curiosamente, parece existir mais
violência desmedida. Como explicar tanta violência em uma sociedade em que
ainda há problemas, mas onde também aconteceram inegáveis avanços no
compartilhamento de bens e serviços entre a população?
As sociedades primitivas se
organizavam ao redor de grupos rivais. Naquela realidade, em que a
sobrevivência dependia da aceitação individual nessas tribos, os líderes eram
elevados por suas ações violentas, interpretadas como fonte de poder ou força.
Essa constatação antropológica talvez possa explicar, em parte, a identificação
humana com o emprego da violência como instrumento de superação de
dificuldades. Esta sensação está presente em nosso inconsciente, ou seja, no emaranhado psíquico mais insondável que
corresponde aos processos mentais primitivos, onde irrompem muitas das nossas
pulsões, sensações e emoções. Por exemplo, a angústia, o medo, as paixões, a
vida e a morte.
A partir do inconsciente, a
pulsão de morte se estabelece como uma componente intrínseca à pulsão de vida. Ou seja, a
percepção da morte nos estimula a valorizar a vida. E assim, por mais que o
indivíduo esteja exposto em condições adversas, o ato de matar não é normal
e é humanamente identificado como errado. A exceção ocorre somente nas pessoas
destituídas de compaixão ou que sofram de séria doença em Saúde Mental. Contudo,
a prevalência de pessoas acometidas por psicopatia não poderia ser
representativa entre a população, a ponto de explicar tanta violência e mortes.
Há alguns dias, ao acompanhar um
desenho “infantil” a que meu neto assistia na TV, percebi que mesmo não havendo
armas de fogo, sangue e personagens em agonia, os disparos de laser, golpes e
desintegrações, eram representados a todo instante. E atenta à violência
disfarçada de divertimento, a criança era estimulada a libertar as suas fantasias, identificando-se com ícones
violentos, suas ações e realizações.
O mesmo propósito de
entretenimento e oferta para promoção das fantasias inconscientes que todos
temos, podemos perceber no cinema, em programas da TV, nos vídeo games e na
Internet. O estímulo à violência é oferecido em doses intermináveis para
crianças, jovens e adultos. E através de produções elaboradas para reproduzir e
criar realidades, há acesso irrestrito à emoção de assistir às cenas em que uma
pessoa atira em outra, ou atropela, queima, explode, tortura... Enfim, na era
da revolução tecnológica e da comunicação digital, o macabro repertório de
formas de ferir e matar, na ficção, parece ser tão inesgotável quanto acessível.
Não há dúvidas que a repetição de
experiências emocionais, mesmo quando virtuais, tende a amenizar a surpresa que
sentimos naturalmente ao presenciamos um feito inédito. E nesse contexto, a
exploração da violência fictícia, como alternativa de divertimento, pode sim
estimular atitudes reais. Pois assim como após a emoção despertada pelas
primeiras jogadas geniais de um craque da bola, através da frequência com que
elas se repetem, nós nos acostumamos não só a acreditar que são movimentos
possíveis, como esperamos por eles. Ao assistirmos perseguições em alta
velocidade, em que tiros são permanentemente disparados por todos os
envolvidos, e os acidentes, ferimentos e morte, num primeiro momento, nos
surpreendem. Com o tempo e a repetição de cenas similares, a velocidade, a
destruição, os tiros e até as mortes, tendem a se tornar triviais. Monótonas
até.
Contudo, recorrer à conclusão que
coloca apenas sobre os ombros da mídia e da indústria do entretenimento, a
responsabilidade pelo aumento nas ações violentas praticadas em todas as
camadas sociais, é uma escolha reducionista, que se abstém de tratar as
características mais profundas da origem do problema. Basta observar, por
exemplo, as nações que consomem conteúdos audiovisuais idênticos ou similares
aos exibidos no Brasil, e revelam índices relacionados a crimes bem menos alarmantes,
para percebermos que somente regulamentar a exposição da violência em produtos
de ficção, seria prudente, mas isoladamente não representaria grande avanço.
De fato, para modificarmos o
progressivo ciclo de violência que se instalou em muitas regiões do país,
também deverão ser áreas de trabalho prioritárias: a educação, como forma de
desenvolvimento intelectual e humano, a promoção da cultura e dos esportes,
como respostas sociais às necessidades emocionais da população (alternativas à
violência ficcional), e a presença do
Estado, não apenas como cuidador e distribuidor de justos benefícios para
as parcelas menos favorecidas, mas também e principalmente, como promotor
eficiente de segurança e justiça em todas as camadas sociais.
Presenciar a reconhecida
impunidade que assola o país, e assistir aos incontáveis exemplos de criminosos
que mesmo identificados, conseguem escapar das punições que, por lei, mereciam
(ou da maior parte delas), exerce influência muito mais nociva à ética e promoção
de qualidade de vida, que qualquer superprodução violenta de Hollywood.
Em uma sociedade permissiva, onde
os cidadãos detectam que há ineficiência na investigação de crimes, e permanente
flexibilização na aplicação das leis, a percepção de limites e responsabilidade
tende a ser desconsiderada ou negligenciada. Flexibilizam-se sentimentos e a Culpabilidade. Ou seja, a relação psicológica
entre os autores dos crimes e a sua conduta.
Autor: José
Toufic Thomé
Psiquiatra-Psicoterapeuta (ABP/AMB)
Presidente
da Unidade Brasil da Rede Ibero-Americana de Ecobioética / Cátedra UNESCO de
Bioética,
Vice-presidente da Secção Psiquiatria e Intervenção em
Crises da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA),
Vice- presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia-ABRAP
Coordenador do Curso
Intervenções em Situações Limite Desorganizadoras do Inst. Sedes Sapientiae-SP.
Vice- presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia-ABRAP
terça-feira, 26 de março de 2013
Opinião: trânsito, violência e comportamento social.
Todos somos vítimas e algozes em uma realidade que insistimos em não modificar.
No relatório mundial sobre a situação da segurança rodoviária apresentado pela Organização Mundial da Saúde – OMS, com informações de 182 países, o número de vítimas de acidentes envolvendo veículos em 2010 foi 1.24 milhão, a maioria homens com idade inferior a 44 anos.
De acordo com esses dados, das 37.594 vidas perdidas em acidentes de trânsito no Brasil em 2009 (pág. 88 do relatório), 9.398 pessoas eram motociclistas (25%), 8.647 pedestres (23%), 8.271 ocupantes de veículos de passeio (22%), e 1.504 ciclistas (4%), entre outras perdas inscritas em categorias diferentes. E se a informação oficial brasileira é alarmante, pois se equipara aos índices advindos de nações onde existem conflitos armados, não menos importante, deveria ser a atenção oferecida pelo poder público e sociedade civil organizada, à população afetada direta e indiretamente por essa verdadeira catástrofe.
Mães, pais, irmãos, familiares e amigos que perderam entes queridos em situações tão violentas e inesperadas como são os desastres no trânsito, precisam receber acompanhamento emocional, entre outros. E a ausência e/ou ineficiência do Estado em mais essa área, possivelmente estarão associadas não apenas à perspectiva de futuro adoecimento em Saúde Mental de parte dessa população, como também podem estar ligadas à própria situação recorrente de imprudência, irresponsabilidade e insegurança que continua a originar tantas mortes e sofrimento. Pois na mesma medida em que ações de fiscalização efetivamente reduzem os acidentes ocasionados por alcoolemia, por exemplo, o abandono de rodovias, a ineficiência na fiscalização sobre veículos e a capacidade efetiva dos seus condutores, e a ausência do estado, assim como da Sociedade em sua capacidade de indignar-se e exigir mudanças de atitudes, sobre motoristas e motociclistas imprudentes, obviamente, contribuem na composição da realidade que aflige a todos, sem distinção.
Falham as autoridades, das que desviam recursos e são incompetentes para gerir as organizações essenciais à promoção de qualidade de vida para a população, às que não fiscalizam vias, veículos, motoristas e transeuntes, por omissão ou conivência com a falta de estrutura que lhes é ofertada. Falham os condutores, ciclistas e pedestres, despreparados e imprudentes, assim como os familiares e amigos que os cercam, sem interferir em suas atitudes. E falha a sociedade, como instituição, indiferente, egoísta e individualista, ao atribuir sempre “ao outro” a responsabilidade por quaisquer obrigações e ônus.
Repensar a sociedade, seus vínculos emocionais, sociais/relacionais, culturais, e a percepção de realidade e responsabilidades, é imperativo para que mudanças comportamentais reais sejam alcançadas. Aliás, segundo a base de dados DATASUS do Ministério da Saúde, em 2010 o Brasil perdeu 42.844 pessoas no trânsito, cinco mil a mais que no período avaliado pela OMS.
Não podemos saber que 40 mil pessoas foram mortas e simplesmente continuarmos o nosso cotidiano, como se fossem só estatísticas. Não há estabilidade emocional capaz de elaborar essa realidade, violenta e recorrente, sem que haja sensível desumanização.
Autor: Dr. José T. Thomé.
Psiquiatra-Psicoterapeuta (ABP/AMB)
Presidente da Unidade Brasil da Rede Ibero-Americana de Ecobioética / Cátedra UNESCO de Bioética,
Vice-presidente da Secção Psiquiatria e Intervenção em Crises da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA),
Vice- presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia-ABRAP
Coordenador do Curso Intervenções em Situações Limite Desorganizadoras do Inst. Sedes Sapientiae-SP.
Artigo divulgado através do portal da Rede Ecobioética.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Trauma pode ser transmitido de avós para netos
Eventos estressantes vivenciados na infância, como negligência ou abuso, deixam marcas e não raro se manifestam em problemas psíquicos na vida adulta. Agora, um estudo mostra que as sequelas podem extrapolar gerações: filhos e netos de pessoas que sofreram traumas tendem a ser mais ansiosos e vulneráveis ao estresse.
Os bioquímicos Larry Feig e Lorena Saavedra-Rodríguez, da Universidade Tufts, em Massachusetts, estimularam o estresse em ratos jovens, mudando-os seguidamente de gaiola ao longo de sete semanas. Quando os animais se tornaram adultos, os pesquisadores os submeteram a testes que avaliam a ansiedade social em roedores, como a frequência com que se aproximam e interagem com ratos desconhecidos. As fêmeas adultas apresentaram comportamentos mais ansiosos em comparação com animais do grupo de controle, mas os machos não. Entretanto, posteriormente, os filhotes dos ratos de ambos os sexos mostraram-se mais vulneráveis ao estresse que a média.
O interessante, segundo Feig e Lorena, é que os ratos machos do início do estudo transmitiram o comportamento para as fêmeas de sua terceira geração, as “netas”. “Estudos anteriores sugerem que as fêmeas têm maior risco de ansiedade, o que pode ser causado por uma interação de fatores sociais e bioquímicos”, diz Feig. Ele afirma, porém, que é cedo para estender os resultados a humanos. “Os ratos do estudo foram criados em gaiolas simples, com número limitado de influências ambientais. Humanos, claro, são sujeitos a uma variedade muito maior de estímulos e também têm a habilidade de desenvolver formas de enfrentamento”, acredita.
Informação divulgada través do portal da revista Mente e Cérebro.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Opinião: tratamento após a tragédia em Santa Maria-RS
Impacto emocional e tratamento após tragédias.
Vivemos um momento de dor, e eu não desejo manifestar-me como “oportunista” a partir de um acontecimento tão triste como o que ocorreu em Santa Maria, no dia 27 passado. A dimensão do sofrimento que sentem os pais que perderam seus filhos, os amigos, professores e pessoas das comunidades que foram violentadas por essa tragédia, somente eles próprios podem descrever. E como brasileiro, eu anseio por estender a todos a minha solidariedade.
Na condição de médico especializado em psiquiatria e psicoterapia, que há quase três décadas estuda e trata os impactos emocionais e consequências psíquicas que afligem populações expostas em desastres, entretanto, devo alertar as autoridades do Estado do Rio Grande do Sul e do Ministério da Saúde, sobre algumas características de eventos como esse. Por exemplo, sobre a necessidade de comprometimento, e ações efetivas e duradouras, no sentido de prevenir e, quando necessário, oferecer tratamento em Saúde Mental, para as pessoas afetadas direta e indiretamente pelo incêndio.
Após desastres de natureza antropogênica, em que estão presentes características como as que foram noticiadas nas últimas semanas, as reações iniciais das pessoas são explosivas e se manifestam sob forma de desespero, revolta e intenção de identificar e punir as pessoas envolvidas em atitudes com influência direta sobre o desastre. Essas reações estimulam a impressão de que o problema será solucionado e, de alguma forma, a dor irá amenizar. Entretanto, na população afetada, o sentimento de perda e a percepção sobre a alteração imposta às suas vidas, emergirá com mais intensidade posteriormente. Por exemplo, para os alunos que retornarão às escolas e não encontrarão seus colegas, e para as mães que não terão mais a presença dos filhos durante o jantar. Será nesse período, semanas após as informações sobre a tragédia terem deixado os noticiários, que a presença de uma rede social de apoio, fundamentada em relações humanas, conhecimento especializado e confiança, poderá evitar que momentos de desordem emocional evoluam para quadros de adoecimento da sociedade.
Dimensionar o tamanho da população que deverá receber e poderá multiplicar iniciativas de suporte dentro dessa rede social, não é tarefa simples. Segundo dados da Rede Ibero-americana de Ecobioética / Cátedra UNESCO de Bioética, após catástrofes, surgem centenas de pessoas indiretamente afetadas emocionalmente, para cada indivíduo diretamente afligido no acidente. Assim, diante de uma situação extrema como a que está acontecendo em Santa Maria, sob a perspectiva da Saúde Mental - leia-se também promoção de Qualidade de Vida, não basta concentrar esforços em assistência às famílias que sofreram perdas, apenas durante os momentos iniciais. É necessário agir não somente sobre o momento, disruptivo e potencialmente traumatogênico, mas também por um período posterior longo, e contemplando todas as instâncias envolvidas na tragédia. Nesse caso, é indispensável identificar agentes multiplicadores e capacitar a mencionada rede social de apoio, que poderá amparar e acompanhar a população afetada, durante o doloroso período posterior ao acontecimento que modificou parte das suas histórias de vida.
É importante não esquecer que as famílias que hoje necessitam de apoio não sofrem de doença psíquica, e são compostas, na sua maioria, por pessoas estabilizadas, que foram submetidas em um momento de impacto emocional enorme, e compreensivelmente estão desestabilizadas, enquanto buscam representar psiquicamente o acontecimento que as abalou. Por isso, as iniciativas promovidas pelas autoridades não devem estar fundamentadas somente em consultórios, nem tampouco contemplar apenas ações terapêuticas emergenciais. Mas sim, promover políticas de reinserção, que considerem a realidade, a cultura, as tradições e as características humanas da população da região de Santa Maria, para reconstruir vínculos e o sentimento de segurança/confiança, entre pessoas, compreensivelmente, vulneráveis.
Infelizmente, a tendência em eventos que estimulam comoção nacional é revelar intervenções públicas pontuais e imediatistas, que oferecem apoio apenas durante o período mais agudo e recente do acontecimento, buscam acalmar a população, e a abandonam logo em seguida. Diante de uma situação tão desestabilizadora como a que ocorreu em Santa Maria, sem diminuir a importante contribuição humana e técnica que os profissionais voluntários ofereceram nos dias posteriores ao desastre, é indispensável observar e interagir em toda a cadeia de vínculos psico-relacionais que influenciam as pessoas afetadas pelo acidente. Afinal, não é possível, acreditar que pais que perderam filhos de forma tão abrupta, medicados ou não, participem em sessões semanais de psicoterapia e, em suas residências, atividades e cotidiano, acumulem suas emoções para expressá-las novamente, apenas na sessão da semana seguinte. Essas pessoas e toda a população que as cerca, precisam ser acompanhadas e receber apoio para que em conjunto, reconstruam os seus vínculos emocionais, sentimentos e tenham a percepção de sua resiliência, ou seja, a capacidade de se reconstruir depois de atingido pelo evento disruptivo. Nesse contexto, a contribuição oferecida por aqueles que eu denomino “cuidadores”, tais como educadores, sacerdotes, profissionais de assistência social, profissionais de saúde, autoridades e membros das comunidades locais, serão determinantes para reforçar a identidade e a união da população local.
Como referência do período de tempo em que as pessoas afetadas por desastres precisam receber acompanhamento especializado, e individualizado através de registro e consulta periódica aos seus históricos pré e pós evento, posso afirmar, com segurança e baseado em programas de apoio em situações análogas, que este não deve ser inferior a 3 anos. E, assim sendo, a diferença entre promoção de ações emergenciais, promessas e simples retórica política, e o suporte disponibilizado a partir capacitação da citada rede de apoio através de trabalho técnico/científico em Saúde, torna-se evidente.
A cultura e as tradições tão exemplarmente preservadas e presentes no estado do Rio Grande, são características facilitadoras para quaisquer políticas de reinserção e promoção de qualidade de vida, que sejam empreendidas na região. Assim sendo, caberá às autoridades municipais, estaduais e federais, a tarefa de somente cumprir os seus papéis, de forma responsável e integrada, para que o sofrimento gerado no último domingo de janeiro, não se perpetue durante anos, sob forma de adoecimento psíquico e comorbidades.
Autor: José Toufic Thomé
Presidente da Unidade Brasil da Rede Ibero-Americana de Ecobioética / Cátedra UNESCO de Bioética,
Vice-presidente da Secção Psiquiatria e Intervenção em Catástrofes da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA),
Psiquiatra-Psicoterapeuta (ABP/AMB),
Coordenador do Curso Intervenções em Situações Limite Desorganizadoras do Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Opinião: a SES, o CRIA e a Coordenação de Saúde Mental
O caminho errado
A SES não pode ignorar um século de embasamento teórico e clínico da Psicanálise.
A intenção da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, que propôs a extinção do Centro de Referência da Infância e da Adolescência - CRIA, da Unifesp, argumentando que serviços de base psicanalítica não contam com eficácia comprovada, e consequentemente, que a Instituição “produz pouco”, reúne equívocos técnicos e administrativos.
Sob o ponto de vista científico e conceitual, provavelmente o Dr. Giovanni Guido Cerri, atual Secretário, ignora a afronta que a Secretaria que dirige enviou aos profissionais da Unifesp, ao diminuir os resultados advindos de tratamentos psicanalíticos multidisciplinares, em que a população é atendida por médicos, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais especializados. E inclusive o nosso governador, Geraldo Alckmin, também médico e capacitado para compreender a importância de tratamentos preventivos e com espectro de atuação amplo, talvez desconheça a opinião apresentada pela SES.
É importante lembrar que por uma década o trabalho desenvolvido no CRIA foi, e ainda é, referencia de alto padrão em atendimento na área, no Estado e no Brasil. Entretanto, para se dedicar ao necessário e indispensável tratamento especializado oferecido aos autistas e pacientes com transtornos de personalidade, a Coordenação de Saúde Mental recomendou, e a SES acolheu, a intenção de descontinuar a oferta de tratamento para a população afligida por todos outros transtornos, questionando a contribuição e a comprovada influência que a Psicanálise ofereceu ao campo Saúde Mental, desde o final do século XIX.
Sob o ponto de vista administrativo e governamental, a decisão de extinguir o CRIA está no mesmo patamar equivocado da justificativa grosseira apresentada à Unifesp. Afinal, se as políticas da SES realmente tem o objetivo de “humanizar o atendimento nos serviços da rede pública, promover a sua integração, e atuar em prevenção”, é evidente que descontinuar o atendimento prestado às populações expostas ao sofrimento psíquico, e simplesmente abandoná-las à própria sorte, significa seguir na direção oposta à estratégia divulgada. E a decisão é contrária a princípios econômicos, inclusive. Pois negar atendimento às crianças e jovens com problemas psíquicos, é expor a sociedade em situações mais graves, com soluções mais caras, em médio e longo prazo.
Estou convencido que o Governador e o Secretário da Saúde, não permitirão essa decisão tão errada, sob qualquer ângulo de avaliação. Porém, ao observar o horizonte da Saúde Mental internacionalmente, preocupo-me com a tendência revelada por algumas correntes profissionais, que insistem em sistematizar diagnósticos e tratamentos de quadros psíquicos, a partir da análise mecânica de sintomas.
A intenção de reduzir a importância da escuta humana, e a relação singular entre profissional em Saúde Mental e paciente, em promoção de soluções pré-determinadas, não raro fortemente baseadas em medicalização, transparece em mais esse ataque disfarçado de política administrativa. Mas igualmente óbvia é a percepção comum sobre os setores econômicos e corporações que serão beneficiadas, e quem terminará severamente prejudicado, se os tratamentos psíquicos forem reduzidos a soluções prescritas em manuais e produtos adquiridos em prateleiras.
Autor: José Toufic Thomé
Psiquiatra e Psicoterapeuta, Especialista em Traumas e Crises pela Rede Ibero-Americana de EcoBioética / Cátedra UNESCO de Bioética.
Vice-presidente da Secção Psiquiatria em Desastres da Associação Mundial de Psiquiatria - WPA
Vice-presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia - ABRAP
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
NOTA OFICIAL DA ABRAP
O ENCERRAMENTO DO CRIA
(CENTRO DE REFERÊNCIA DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA) DA UNIFESP
(CENTRO DE REFERÊNCIA DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA) DA UNIFESP
A Associação Brasileira de Psicoterapia vem a público para manifestar seu apoio e respeito à equipe do Centro de Referência da Infância e da Adolescência (CRIA), serviço da maior relevância social e científica na área de saúde mental infantil e adolescente, e seu repúdio ao anúncio da Secretaria de Saúde do Governo do Estado de São Paulo de encerrar o apoio financeiro à entidade, alegando que “serviços de base psicanalítica não contam com eficácia comprovada”.
O CRIA é um Serviço do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) que desenvolve atividades de ensino, assistência e pesquisa na área da saúde mental. É composto por uma equipe multiprofissional, que conta com médicos psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, arte-terapeutas, musicoterapeuta e fonoaudiólogos, para garantir o exercício de um olhar amplo e abrangente sobre os problemas humanos ligados à esfera da saúde mental de crianças, adolescentes e suas famílias. Realiza mais de 1.200 atendimentos mensais, de crianças e jovens com as mais variadas patologias e não apenas psicóticos e autistas, como demanda a Secretaria de Saúde. Abrange desde o atendimento por luto, abandono, abuso e rejeição, entre outros casos, na tentativa de minimizar seu sofrimento psíquico e incluir esses indivíduos na sociedade.
A ABRAP – entidade vinculada ao World Council for Psychoterapy, presente em mais de 120 países, e que congrega, no Brasil, profissionais de diferentes abordagens, tendo por filosofia a pluralidade e a transparência – entende que a suspensão do apoio financeiro por parte do Governo de São Paulo revela uma postura preconceituosa e dogmática, sem entender a complexidade do sofrimento psíquico por que passam os pacientes e a diversidade de olhares frente a esses problemas. O simples rompimento do apoio financeiro revela, sobretudo, um descaso com os pacientes lá atendidos.
A ABRAP espera que as autoridades tenham a humildade de reconhecer a precipitação da medida de encerramento de apoio e revejam a decisão, de modo a não interromper este importante serviço prestado à sociedade paulista.
As atividades realizadas pelo CRIA podem ser conferidas em seu site: http://www.unifesp.br/dpsiq/novo/d/cria/
São Paulo, 29 de novembro de 2012
Amélia Thereza de Moura Vasconcellos
Presidente da ABRAP | CRM/SP 10.524
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Encerramento das atividades do CRIA / Unifesp
COMUNICADO OFICIAL DA COORDENAÇÃO E DA EQUIPE TÉCNICA DO
Centro de Referência da Infância e da Adolescência - CRIA DA UNIFESP, DIANTE DO ENCERRAMENTO DE SUAS ATIVIDADES
Centro de Referência da Infância e da Adolescência - CRIA DA UNIFESP, DIANTE DO ENCERRAMENTO DE SUAS ATIVIDADES
"O nosso objetivo é partilhar a indignação diante de grave acontecimento decorrente de uma tendência que vem prevalecendo no sistema estadual de saúde. O Governo de SP , através da Secretaria Estadual de Saúde (SES), assumiu, oficialmente, que serviços de base psicanalítica não contam com eficácia comprovada. Nesse contexto, propõe encerrar o apoio financeiro que há mais de dez anos confere ao Centro de Referência da Infância e Adolescência - CRIA.
O CRIA foi inaugurado em 2002, por um convênio entre a UNIFESP e a SES, com a interveniência da SPDM. É uma instituição que realiza cerca de 1200 atendimentos mensais de bebês, crianças, adolescentes e seus familiares através de uma equipe interdisciplinar que garante uma visão e assistência global aos pacientes.
A assistência prestada pelo CRIA é abrangente e inclui pacientes com diversas patologias graves. Para nosso espanto, a diretriz atual da SES do Estado de São Paulo criticou severamente o fato de atendermos qualquer queixa ou diagnostico afirmando que a população alvo deve ser composta por pacientes psicóticos e autistas. Entendemos que todo sofrimento merece ser escutado e tratado sem delimitar sua atuação em função de uma única patologia, diferentemente do que prega o mainstream atual das práticas médicas e assistências vigentes em nossa atualidade.
Nossos encaminhamentos são oriundos de diversas instituições (abrigos, escolas, creches, conselhos tutelares, vara da infância, hospitais, CAPs e outros serviços de Saúde Mental) que sideradas e apavoradas diante daquilo que escapa a nomenclatura dos manuais classificatórios nos procuram e demandam atendimento a esta população, pedindo ainda, em muitas situações, supervisão para a própria equipe.
Em que espaços serão escutadas e trabalhadas nas suas questões, as crianças que estão vivendo um luto pela morte de algum parente próximo, os adolescentes adotados, devolvidos por seus pais para abrigos? Ou mesmo adolescentes em relação fusional com seus objetos primordiais que fazem em seu próprio corpo os cortes simbólicos que não estão operando em seu psiquismo, levando-os a sérias tentativas de suicídio? Sem falar ainda nas inúmeras crianças que estão com fobias que a impedem de ir à escola, estudar ou aprender? Ou ainda os adolescentes chamados delinquentes que buscam a qualquer preço uma referência? E as crianças vitimas de violência, que necessitam de um espaço para falar?
Desta forma, ainda que atendemos, ao longo destes dez anos, crianças autistas e adolescentes psicóticos (temos dois programas estruturados para isso além de um programa de atendimento de bebês que procura identificar sinais de risco para tais patologias e intervir precocemente) não restringimos assistência à estas patologias.
A razão de nossa posição se deve à nossa concepção de clínica que considera como aspecto fundamental a plasticidade dos sintomas apresentados na infância e adolescência, e além disso, o fato do sofrimento destes jovens estarem referidos a dinâmica familiar a qual estão inseridos. Se isto, por um lado, torna a tarefa clinica muito mais complicada e desafiadora, por outro, também garante as intervenções um grande poder de êxito, tornando esta clinica muito menos sujeita a cronificacão das patologias e por isso muito mais flexível e surpreendente.
Muitos pacientes que foram atendidos no CRIA melhoraram de seus sintomas e puderam retomar sua vida e seu desenvolvimento. Mas não nos dispomos e nem nunca tivemos a pretensão de isentar os nossos pacientes de fazer calar sua angustia. Os convidamos com disponibilidade a que eles falem e escutem a história que acompanha seu sofrimento, o que se coloca nas entrelinhas, as várias versões sobre o que se apresenta como sintoma.
O fechamento do CRIA representa também uma perda na formação de médicos residentes, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais que la realizam suas primeiras experiências clinicas com crianças e adolescentes e que aprendem que por detrás de um diagnóstico, de uma patologia, existe um ser humano que sofre.
O CRIA, por estar inserido numa Universidade, oferece muitas horas de trabalho de sua equipe na formação de estudantes e outros profissionais da rede por meio de supervisões clínicas, aulas, palestras, seminários e simpósios. Infelizmente, a SES ignora tais atividades afirmando que a instituição produz pouco.
A produtividade de um serviço que prima pela qualidade não pode ser medida apenas levando em conta números de atendimentos. O CRIA oferece aos pacientes consultas de longa duração para que possam falar de suas questões que ultrapassam a descrição fenomenológica dos sintomas.
A SES, ao fechar o CRIA, leva em consideração as consequências para os pacientes que há anos lá se tratam? Como responderão adolescentes que já tentaram suicídio diversas vezes e que lá encontraram um espaço para falar de seus sofrimentos sem precisarem recorrer a uma forma tão dramática? E as crianças tão vinculadas aos profissionais que há anos as atendem?
Nos resta agora a lamentável tarefa de dizer aos pacientes e seus familiares que há mais restrições de assistência a eles no quadro da nossa saúde pública. Dizer a eles que o sofrimento que os levou a buscar atendimento não é suficiente nem legitimo de merecer escuta e trabalho. E que o vínculo que fizeram com os profissionais é irrelevante. Ainda que do ponto de vista epidemiológico seus sintomas e queixas componham parte significativa da demanda de atendimento.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
O que Funciona na Prática Clínica da Psicoterapia
Para contextualizar esta II Segunda Jornada da ABRAP em seu tema: o que Funciona na Prática Clínica da Psicoterapia, eu preciso explicar o seu processo de origem.
Em outubro de 2001 o então Departamento de Psicodinâmica do Instituto Sedes Sapientiae, apoiado pelo Departamento de Psicoterapia da ABP organizou sua jornada convidando diferentes escolas e linhas de estudo, com a finalidade de discutir como se entendia o clínico em Psicoterapia no início da 1ª década do século XXI.
Foi um evento em que várias linhas psicoterapêuticas e epistemológicas, se propuseram a refletir, em conjunto, sobre os objetivos e resultados do nosso trabalho com a mudança de paradigmas que se passava a viver.
O atentado de 11 de setembro, de forma rápida, brusca e violenta, acelerou as mudanças dos referenciais ideológicos em relação aos aspectos econômicos, políticos, científicos, sociais / relacionais, e da religiosidade. E a nossa busca comum passou a ser tentar desenvolver novas formas de propiciar alívio ao sofrimento humano diante das mudanças reais que já vinham acontecendo, e que tomavam rumos mais ortodoxos / fundamentalistas.
Na época, os nossos questionamentos pretendiam determinar como ficaria este Ser Humano, no nosso caso o paciente / cliente; como ficaria o profissional; e como ficariam os quadros clínicos e a Psicoterapia.
Constatamos que vivíamos um momento no qual a dessacralização pós-moderna estava presente mudando os conceitos. E isso exigiria reflexão crítica e reconhecimento sobre como os valores científicos, políticos, socioeconômicos religiosos e culturais, conscientes ou inconscientes, estariam misturados em nossos modelos teórico / clínicos, portanto: como interagiam em nossa subjetividade.
As questões e as consequentes reflexões de diferentes profissionais, de diferentes linhas, estavam direcionadas para preocupações em relação às queixas do vazio interior e do isolamento, que já aconteciam a partir da estimulação da cultura através de uma idealização narcísica do bem estar, crescimento e felicidade.
A banalização dos sentimentos, ou seja da percepção da visão crítica sobre a realidade, promovida tanto pela medicalização das emoções, pelas drogas não lícitas, quanto pela alienação através de comportamentos obsessivos tais como jogo, comida, sexo e internet, apresentavam-se como evidências de adoecimento em Saúde Mental de parcelas expressivas da população.
A massificação vivencial como fenômeno coletivo da realidade humana influenciada pelos meios de comunicação, promovia uma experiência existencial relacional artificial grupal, com emoções padronizadas como respostas mercadológicas de um marketing planejado.
Nós não caracterizávamos a contemporaneidade como um quadro pessimista da realidade, mas sim, como um evidente agente destas influências em nossas vidas pessoais e nas vidas de nossos pacientes.
Concluímos que o trabalho clínico sempre dependeria de nosso conhecimento teórico, da nossa intuição e capacidade de improvisar, e que sempre se manteria na linha divisória, ou interface, entre o nosso diagnóstico e a intervenção praticada a partir da nossa sensibilidade e subjetividade, ao que denominamos o “universo da arte”.
Nesse sentido, a reflexão sobre “O que Funciona em Psicoterapia” continua a ter grande importância. E pensando no hoje, vejo que relatamos todos estes questionamentos, mas ainda não conseguimos enunciar o seguinte paradoxo: os pacientes eram, e ainda são, pessoas saudáveis (ou, “estabilizadas” ou “pessoas normais”), ante uma situação anormal, incontrolável e que se torna cotidiana.
Cada vez mais, o desamparo criado por essas mudanças de paradigmas, está presente no cotidiano dos pacientes, e consequentemente, na rotina dos profissionais da área Saúde Mental.
A cultura atual continuou acentuadamente narcísica, individualista, imediatista, consumista, superficial e artificial, firmando sua autoestima em bens posicionais, portanto cada vez mais distante de sua interioridade. Para suportar conviver com o que não é natural ou anti-humano (pais que matam filhos, mulheres que picam maridos, maridos que mandam executar mulheres, filhos que matam pais, sequestros, aceitação de mentiras políticas e econômicas, sociais, catástrofes naturais), utilizamos a negação, sob a forma da banalização, fazendo de conta que estamos blindados contra estas violências e agressões, que também podemos entender em senso lato, metaforicamente, como formas de estupros e abusos. Criamos mecanismos onipotentes diante da impotência ou desamparo humano.
Vivemos na era em que provavelmente muito daquilo que sempre soubemos e defendemos esta sendo ou será comprovado cientificamente. Comprovamos hoje o cérebro emocional. E também, através dos estudos atuais sobre a integração da relação gene / ambiente / cérebro, comprovamos a existência de alterações da experiência subjetiva.
Nossa jornada visa lidar com as relações entre a psicoterapia e as diversas situações científico / políticas / econômicas / sociais e ou relacionais e ambientais, que afetam a vida do ser humano, tanto no plano individual, quanto no plano profissional e coletivamente, enquanto sociedade.
Durante a última década houve uma evolução das psicoterapias com atuações em situações traumatogênicas provocadas pelas diferentes formas manifestas da violência, ou seja, através de guerras, terrorismo internacional e do Estado, mudanças na organização familiar, política, da natureza, e outras. Portanto devido às próprias transformações ocorridas em todas essas áreas de relação humana.
A psicoterapia deixou de ser aplicada somente em consultório. Foi a campo, se descobriu e obteve êxito ao atuar em diferentes situações. Num setting diferente, em que também as relações profissionais se estabeleceram em uma forma diferente de enquadres, mas, mesmo assim, mantendo os conceitos que a solidificam e validam.
Os clientes / pacientes passaram a trazer para o consultório diversas ansiedades e angústias advindas de situações ligadas ao traumatogênico social e midiático. E, muitas vezes, permanecem distanciados da percepção de seu próprio SER, e tendem a não mais reconhecer, ou simplesmente negar, as suas melhores qualidades individuais e humanas.
Sou eu que estou doente ou a sociedade que está adoecendo?
Eu estou delirando ou eu compreendo a verdade que é negada?
Eu estou delirando ou eu compreendo a verdade que é negada?
Esses são alguns questionamentos frequentes dos “supostos” pacientes. E nós, psicoterapeutas: Devemos concordar com o que eles observam, interpretam e nos relatam, ou o procedimento será compreender o relato através da escuta focada apenas no diagnóstico de sintomas?
Essas pessoas (pacientes) trazem em suas dúvidas, sentimentos que fazem parte da condição do humano. Ou são somente sintomas que caracterizam transtornos?
Nós, profissionais em Saúde Mental, mas também seres humanos também, deveremos nos identificar com suas questões, refletirmos, sem a aplicação de ideologias político / sociais, mas sim humanísticas / científicas, e medicar se necessário. Ou o caminho a seguir será apenas interpretarmos sintomas, e medicar? Nesses casos, drogando também os sentimentos?
A nossa jornada ABRAP foi planejada a partir desse tema, para nos incentivar à refletir sobre o que se tem feito na área da Psicoterapia, sua evolução e adaptação às citadas circunstancias atuais. E eu volto a afirmar: atualmente, estamos atendendo uma parcela crescente de pessoas sãs, que se desestabilizam ou se desorganizam também pela ação da realidade.
A nossa reflexão poderá ser feita através da diferenciação sobre o que é Saúde e Saúde Mental, de fato, portanto: Qualidade de vida, e o uso da mesma terminologia (SeSM) aplicada à doenças e tratamentos.
Inicialmente, décadas de 60 e 70, o campo clínico da SeSM, era compreendido dentro dos referenciais Bioéticos que tratam das relações entre tratamentos de doenças, profissionais e pacientes, e suas interações em relação aos aspectos técnicos e jurídicos ou do Direito.
Porém, surgiu a percepção de que estes princípios da Bioética, postulados como Ética Global, se desvirtuaram em parte, a partir da própria abrangência que se pretendeu atribuir a eles. E em função destes princípios estarem circunscritos ao mundo das doenças e das relações entre profissionais e pacientes.
Com o tempo, princípios terminaram reduzidos a protocolos e legislação aplicados aos relacionamentos comerciais - por vezes influenciados por interesses de seguradoras e laboratórios, e portanto, perdendo muito do seu sentido original. E avaliadas por essa perspectiva, SeSM se tornaram “reféns” dos protocolos instituídos pelas regras mercadológicas ditadas por essa “globalização comercial técnica”, que muitas vezes, influencia inclusive as instituições acadêmicas.
O aporte dos estudos desenvolvidos por Dr. Moty Benyakar nas últimas três décadas serve como pilar referencial para as reflexões contemporâneas sobre o papel da Psiquiatria e Psicologia na Saúde Mental contemporânea, diante das necessidades de atendimento da sociedade globalizada.
Nessa proposta de mudança de paradigmas, os princípios aplicados de forma global e sistêmica, devem considerar as diferentes necessidades que se interligam, simultaneamente, para proporcionar a existência saudável dos seres humanos no mundo que os rodeia. E com esse direcionamento ideológico, o Dr. Benyakar apresentou, junto cátedra de Bio-etica da UNESCO, a postulação do conceito Ecobioética, para a compreensão da Saúde Mental como apoio e suporte permanente à população.
O conceito de Ecobioética confronta as relações do homem com o próprio homem, assim como do homem com o meio ambiente em que ele vive, incluindo-se não só animais vegetais e minerais, como também os fenômenos geofísicos, para promover um desenvolvimento saudável, amparado no seu tempo e sustentável. E em sua postulação, Benyakar afirma: ”a Ecobioética se propõe a ir além de uma disciplina apoiada somente em medicina e direito, para assumir a postura de integração entre todas as disciplinas que participam da vida dos indivíduos, tais como economia, política, educação, ecologia, filosofia, urbanismo , comunicação social, engenharia, entre tantas outras”, para concluir “contexto em que a Saúde Mental passa a ser compreendida como parte integrante e essencial da disciplina Ecobioética, com um papel permanente a desempenhar frente ao homem plenamente saudável”.
De fato, o “campo Psi” já realizou com êxito a mudança da abordagem ‘multidisciplinar’ para a ‘interdisciplinar’ que hoje é compreendida como fundamental. E o conceito de Ecobioética incita ao próximo movimento, que resulta em ‘transdisciplinariedade’. Universo de atuação que o sociólogo Edgard Morin denomina Complexidade.
Podemos dizer que é na trama da Complexidade que acontece esta dinâmica fundamentada nas suas diferentes perspectivas de avaliação. E por meio da Ecobioética, empreende-se a busca pela compreensão de tal Complexidade, partindo não de componentes de massificação determinados em protocolos formais (Bioética), mas da necessidade de interação entre cada indivíduo e suas diferentes manifestações de subjetividade.
E ao primar por compreender, preservar e desenvolver os seres humanos e seu meio ambiente, essa busca proposta pela Ecobioética admite considerar, simultaneamente, tanto as mudanças geofísicas, quanto às especificidades culturais, sociais, físicas, políticas e espirituais das populações, durante o atendimento empreendido através das assistências em suas diferentes dimensões.
Neste sentido estamos afirmando que SeSM é, de fato, promoção e manutenção de qualidade de vida para as pessoas, portanto para as populações. E é o momento em que podemos nos voltar para a Psicoterapia pensando-a para toda a sociedade, inclusive esse paciente e esse profissional, que vive em 2012.
Ao lidar com a sistemática ruptura de referências, como autodefesa emocional, os indivíduos tendem a minimizar os atos de violência em seu entorno, banalizando-os. Comportamento capaz de gerar transtornos psíquicos e aumentar a agressividade em relações cotidianas.
Tirar a vida de uma pessoa já não constrange, pelo menos quando se trata de preservar o patrimônio, imagem social ou a tranquilidade individual do ser humano do século XXI. Nossa sociedade incentiva à competição pela perspectiva do resultado e não dos méritos e princípios que geraram a conquista. Nesse contexto revelam-se, mais que situações de desrespeito à vida e inversão de valores, os sintomas que expõe a realidade desorientadora ou ‘disruptiva’ a que todos estamos submetidos. Condição que pode adoecer ou não, a partir da predisposição biológica, das experiências sociais e percepções subjetivas de cada indivíduo.
Impulsionada pelo processo internacional de acesso à informação, às tecnologias, à economia e à necessidade de interlocução entre culturas, nem sempre simples, a Vida no século XXI contempla amplo espectro de exposição a estímulos emocionais, condição que, por exemplo, não existia no início do século passado. E se por um lado, em alguns momentos a avaliação subjetiva que nos envolve parece tender à ansiedade, e até à angústia, por outra perspectiva, a humanidade nunca contou com tantos recursos e conhecimentos universalmente compartilhados para compreender a multiplicidade de alternativas que podem ser trabalhadas para estabelecermos a harmonia entre pessoas e meio ambiente.
Não se trata apenas de enxergar a realidade a partir de uma perspectiva otimista e menos desestabilizadora emocionalmente. Na prática, a Ecobioética nos convida a reconhecer as limitações humanas, ao mesmo tempo que apresenta o caminho da transdisciplinaridade. Ou seja, cooperação entre todas as atividades envolvidas na construção e aprimoramentos das realidades, como alternativa amadurecida, para não só combater o sofrimento emocional, como para construir qualidade de vida em escala muito maior.
Esse direcionamento propõe novas perspectivas, e uma possibilidade para desenvolver a Psicoterapia para o homem e para a sociedade. O potencial clínico que a Psicoterapia possui, poderá ser orientado para os tratamentos, intervenções e assistências direcionadas às populações, ampliando a abrangência de seus benefícios através de novos settings e enquadres.
Autor: Dr. José Thome, durante a conferência de abertura da II Jornada ABRAP.
Realizada em São Paulo, em 28 de setembro de 2012.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Entrevista: Leopold Nosek
“O DESAFIO DO ANALISTA É PERMANECER HUMANISTA”
Quando o antigo já não existe mais e o novo ainda não se estruturou é que se criam os monstros, segundo Leopold Nosek, da Federação Psicanalítica da América Latina. Os sintomas desse momento de transição– no qual se encontra a humanidade– estão na pauta dos principais desafios dos analistas contemporâneos. Desafios esses que serão tratados no Congresso Latino-Americano de Psicanálise (que começa terça-feira no Sheraton WTC), presidido por Nosek.
Cerca de dois mil psicanalistas se reunirão para debater o papel do analista na contemporaneidade: “O filme A Pele em que Habito, de Pedro Almodóvar, apresenta o monstro atual”, pondera. “O indivíduo pode trocar de sexo, de pele, fazer filhos de proveta, coisas antes inimagináveis”. Os temas do encontro serão tradição e invenção. “Veremos como esses dois dados se relacionam. Sem a tradição não se vive. No entanto, ficar paralisado na tradição também não é viver”, afirma.
A seguir, os melhores momentos da entrevista.
O mundo atual é muito fragmentado, a análise ajuda a dar unidade para pensamentos e sentimentos?
O paciente continua um ser humano. Só precisa ser lembrado disso. É um trabalho de recuperação. Não vivemos de construções velhas, portanto é impossível um analista estar ouvindo a mesma coisa. Nossos sentimentos pedem sempre novos versos.
Dê um exemplo.
As canções de ninar. São todas iguais. Falam de monstros, não de sossego. Porque a criança tem o medo e o horror dentro dela. E quando encontra uma representação, se sente entendida. Quando se adquirem palavras para o conflito e para a dor, aquilo se circunscreve. Deixa de ser infinito e adquire um tamanho. A partir daí, monta-se a equação e pode-se lidar com isso. Uma boa análise não resolve as equações, mas ajuda a montá-las. E, às vezes, isso é o mais difícil. “A cuca vem já já, papai foi pra roça, mamãe foi trabalhar”. É uma equação de desamparo.
O ser humano continuou igual, enquanto o mundo sofreu um avanço tecnológico imenso?
Em qualquer idade nos encontramos em transição. Sempre foi assim. Mas, agora, a velocidade é assombrosa. Outro dia, um adolescente me falou uma coisa interessante: que John Lennon nunca tinha visto um computador.
Quando um paciente tem alta, quem define isso: ele ou o analista?
Não creio em alta. A alta não faz parte da minha ideia analítica. A cura é uma ideia médica e se baseia em sintomas. O que existe são momentos de desenvolvimento que promovem emancipação. Tem muita gente que quer se aprofundar em si mesmo. Por outro lado, para quem faz análise, esse tipo de exercício reflexivo é vital. Não há como evitar.
Existe quem consiga fazer essa reflexão sozinho?
De fato não criamos nada em isolamento. Prefiro dizer que há pessoas que fecham a porta para esse tipo de prática. Muitas possuem uma dificuldade de olhar para sua interioridade. São pessoas que estão sempre em ação, impedindo o contato com o mundo onírico. Outros têm uma cegueira para o que é conflitivo, contraditório e escuro. O que sabemos sobre a análise é que aquele que a faz fica um pouquinho melhor na comparação com ele mesmo. E esse pouco melhor é inestimável. A família e as pessoas ao lado notam. Claro que, como tudo, análise depende de sorte. De achar a companhia certa para tanto. Nelson Rodrigues dizia que sem sorte você não chupa nem picolé porque vai cair no seu sapato.
A rapidez e a competição da atualidade contribui para o aumento da angústia?
Vivemos transformações importantes. Acostumamo-nos a lidar com um aparelho eletrônico e já temos que lidar com um novo. Existe hoje um paradoxo. Vamos viver mais de oitenta anos, mas ficaremos obsoletos profissionalmente, muitas vezes, com 40, 50 anos. Isso gera uma grande insegurança. Há uma enorme concentração de recursos materiais e de expediente para o trabalho para se produzir. Isto influencia nosso modo de viver. Por exemplo, os bancos vão se preocupar com suas ações e não com as hipotecas e o destino dos mutuários. Será que as grandes corporações farmacêuticas são diferentes?
E qual a consequência disso?
Falta tempo para o ser humano olhar para a própria humanidade. Não conseguimos construir um acervo onírico, uma personalidade. Sonhar e adquirir um repertório cultural, poético, requer tempo. É isso que necessitamos para dar conta da vida. É um desafio dos analistas de hoje, muito diferente da época do Freud. O sofrimento atual é de outra ordem. A do vazio. O indivíduo sofre, mas não articula um discurso. Quem tem pânico, por exemplo, sequer sabe diferenciar se o sofrimento é psíquico ou corporal. E crescem doenças como a anorexia, obesidade e a bulimia, que há 40 anos eram uma raridade.
O que é anorexia?
Ausência de desejo. Não se sente fome, não há vida sexual. Porque o desejo é visto pelo anoréxico como um perigo de destruição interna. Ele não tem acervo para dar conta. Isso é o desafio para o analista. Como trata-se de um discurso que não se organiza, é impossível realizar o que os analistas faziam antigamente – presente no imaginário popular –, de atribuir significados inconscientes ao que o paciente fala. É necessário a criação de novas narrativas, novos sonhos.
E como o analista reage em uma situação como essa?
É um dos temas do nosso congresso. Colocar o analista em questão. Estamos diante de um mundo novo. Que implica em novo corpo, sexualidade, ética e moralidade. Além de um sistema jurídico que terá que se adaptar a tudo isso. Em um mundo onde as coisas estão cada vez mais técnicas, o desafio para o analista é permanecer um humanista.
Com o avanço das drogas psiquiátricas, o paciente é o que ele toma?
Claro que não. Comemoramos as novas medicações, são um progresso. Entretanto, há um exagero. As pessoas não podem mais ficar tristes. Crises e os lutos são grandes oportunidades de transformação, de inventividade, desenvolvimento. Se você não tem tempo do luto, as pessoas tornam-se descartáveis. Como viver sem perdas? O importante é dar um destino criativo para elas.
Onde entra a análise?
As pesquisas mostram que uma terapia, de ordem verbal, aliada a medicação, funciona melhor do que só o remédio. Isso é consenso em psiquiatria também. No entanto, existe uma predileção por sucesso rápido. Costuma-se dizer que a psicanálise é demorada. O que ocorre é que entramos em um processo de desenvolvimento. Se a análise for boa você sente os benefícios desde o primeiro encontro.
Como se manter são ?
Eu nem pretendo isso. Não me apresento assim. Não tenho cara de são e não faço a menor questão de ser. E não sei mais do que a pessoa que está lá comigo. Só tenho um ouvido disciplinado para aquilo. Para ser analista, tem que ter problemas suficientes para não conseguir ficar quieto.
Como o senhor vê o crescimento dos fundamentalistas no mundo?
Quando eu comecei, a angústia dos pais era que os filhos estavam virando revolucionários. Hoje, se preocupam porque os filhos estão virando fanáticos. Com o a falta de tempo para construir um acervo que dê conta da sua humanidade, o indivíduo apela para as receitas prontas.
Em qualquer época?
Em tempos de transformação. Quando o velho não existe mais e o novo ainda não se estruturou, criam-se os monstros, dizia Antonio Gramsci. São momentos em que ainda não há um novo sonho, uma referência poética. Em épocas como essa, em que não existe tempo de esperar até que se organize um novo sonho, uma nova referência poética e cultural, é que as pessoas se socorrem de coisas estabelecidas.
Outra discussão é sobre a esfera do público e do privado. Mudou com a internet?
Sim. O Facebook e similares, por exemplo. As pessoas acreditam que estão expondo a intimidade ali. Mas, na verdade, não. Mudou o critério de intimidade. O que é íntimo, de verdade, as pessoas não mostram.
Por quê?
Porque quando é íntimo é conflituoso. O sexo pode ser íntimo para uma pessoa e não para outra. E parte da graça do sexo é que é tremendamente conflituoso e angustiante. Senão, seria como comer bife. O medo da perda, da invasão, do excesso, estão sempre aí. O número de fantasias, medos e expectativas que acompanham a sexualidade é enorme, e aí é que está a graça.
O que é a felicidade?
Essa felicidade da qual se fala é uma bobagem (risos). Uma coisa é viver criativamente, viver bem. Viver feliz é um sonho infantil. A ideia de não ter conflitos, problemas, é uma negação da realidade. Isso não é viver feliz, é ter uma anestesia para uma parte da vida. Uma pessoa que acredita nisso não vive as crises dos filhos, as questões amorosas, os lutos. Pensa em soluções. Chamo essas pessoas de “solucionáticas”.
Cada vez mais o tratamento é bipessoal. Na sala de análise tudo pode acontecer virtualmente. O analista tem que ser corajoso e participativo. Ter audácia. Tem que ter o conhecimento. Esta é a sua ética. Estamos todos em questão, o paciente, o analista e a análise. Cabe a brincadeira “vamos olhar seus problemas de frente: pode se deitar”.
Entrevista publicada pelo jornal O Estado de São Paulo.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Sobre a série Sessão de Terapia
A arte imita a vida. Somente isso.
Na última segunda-feira, dia 1 de outubro, o canal GNT, da Rede Globo, estreou a série de ficção Sessão de Terapia, dirigida pelo ator e diretor Selton Mello.
Jose T. Thomé
Psiquiatra e Psicoterapeuta.
Coordenador da Rede Ibero-americana de Ecobioética - Cátedra UNESCO de Bioética
VP Secção de Intervenção em Crises e Desastres da WPA (World Psychiatric Association)
VP Associação Brasileira de Psicoterapia - ABRAP
Representante do WCP (World Council for Psychiatry) na ONU
Mais informações sobre a série Sessão de Terapia.
Mais informações sobre o diretor da série Selton Mello.
Assista ao teaser da série Sessão de Terapia.
Assista a apresentação da série Sessão de Terapia.
Na última segunda-feira, dia 1 de outubro, o canal GNT, da Rede Globo, estreou a série de ficção Sessão de Terapia, dirigida pelo ator e diretor Selton Mello.
Bem produzido, porém limitado às necessidades de tempo, formato e linguagem da Televisão, o seriado é interessante e eu espero que o programa ajude a desmistificar o papel dos profissionais de Saúde Mental, assim como combater o preconceito com relação às pessoas que buscam essa forma de auxílio profissional, para se comprender, e para poder se ajudar.
Eu penso que o diretor, que já encerrou toda a primeira etapa de filmagens, possui uma retaguarda profissional ética e clínica, capacitada na área da psicoterapia. E torço para que todos eles tenham consciência da tênue linha que o programa deverá respeitar, para não se transformar, de dramaturgia indicativa de informações benéficas à sociedade, em divulgador de interpretações errôneas, que privilegiem profissionais não tão bem preparados. E espero que a televisão, como veículo de comunicação e empresa comercial que é, consiga evitar a armadilha da satirização irresponsável de emoções, culturas e individualidades, em sua permanente busca por audiência.
Como profissional da área que sou, desejo lembrar que a Série é uma dramatização do que o(s) autor(es), diretor e elenco compreendem como “Terapia”, e de forma alguma Psicoterapia. Pois há uma diferença conceitual importante entre ambas. E que as encenações produzidas, editadas e exibidas através da Televisão, sob o ponto de vista Clínico, não refletem uma sessão de Psicoterapia, que é um ato único e irreproduzível, resultado da capacitação do profissional que está trabalhando, da sua interação com outro ser humano, em situação de atendimento, e da subjetividade de ambos.
Jose T. Thomé
Psiquiatra e Psicoterapeuta.
Coordenador da Rede Ibero-americana de Ecobioética - Cátedra UNESCO de Bioética
VP Secção de Intervenção em Crises e Desastres da WPA (World Psychiatric Association)
VP Associação Brasileira de Psicoterapia - ABRAP
Representante do WCP (World Council for Psychiatry) na ONU
Mais informações sobre a série Sessão de Terapia.
Mais informações sobre o diretor da série Selton Mello.
Assista ao teaser da série Sessão de Terapia.
Assista a apresentação da série Sessão de Terapia.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
II Jornada da ABRAP
Recomendamos muito a participação nessa
jornada da ABRAP.
Será uma excelente oportunidade para trocar experiências com profissionais com especializações diferentes, em um evento objetivo, rápido e muito produtivo.
PARTICIPE!
Será uma excelente oportunidade para trocar experiências com profissionais com especializações diferentes, em um evento objetivo, rápido e muito produtivo.
PARTICIPE!
Dias 28 e 29 de setembro de 2012.
Centro Clínico Pinheiros: Rua João Moura 647 (Mezanino) - São Paulo – SP
Centro Clínico Pinheiros: Rua João Moura 647 (Mezanino) - São Paulo – SP
O QUE FUNCIONA NA
PRÁTICA CLÍNICA DA PSICOTERAPIA?
PRÁTICA CLÍNICA DA PSICOTERAPIA?
28/09. Sexta-feira
20h30 - AberturaSaúde não é ausência de doença: Psicoterapia e Saúde Mental.
Amélia Vasconcellos, José Toufic Thomé, Julienta Quayle.
Coordenação: Samia Simurro
29/09. Sábado
8h45 às 10h30
Psicoterapia: para quem? Quem é o paciente hoje?
Ângela Hiluey, Samia Simurro, Wilson C. Almeida.
Coordenação: Rubens Kignel
10h45 às 12h30
Para além dos modismos e escolas: o que funciona em psicoterapia?
Eliana Krambek, Elisa Yoshida, Ruy de Mathis.
Coordenação: Emília Afrange
13h45 às 15h00
A formação acadêmica formal e a especialização em diferentes abordagens.
Como a ABRAP vê a formação para o exercício da psicoterapia.
Ivonise F. da Motta, Julieta Quayle, Maria Rosa Spinelli.
Coordenação: Amélia Vasconcelos
15h30 às 16h45
Discussão em grupos
17h00 às 18h00
Sessão plenária
Apoio:
FENPB / Laboratório Pfizer / Maura Books / WPA /
Rede Ibero-americana de Ecobioética – UNESCO
Inscrições Através do portal ABRAP.
Associados: R$ 40,00 / Não associados R$ 80,00 / Estudantes: R$ 30,00
ATENÇÃO! As inscrições só serão efetivadas após envio de comprovantes por e-mail.
Contate a Secretaria da ABRAP: secretaria@abrap.org
Depósito bancário em nome da Associação Brasileira de Psicoterapia. Banco Itaú (341) - Agência nº. 0186 – Conta corrente nº. 00734-0
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Artigo: Qualidade de Vida para profissionais da Saúde.
“Efeitos colaterais“ da Pratica Médica em seus Profissionais
Em nosso dia a dia, tornou-se comum ouvirmos a expressão “estresse” para explicar situações, sintomas e, não raro, alguns sentimentos que não nos agradam. E nas últimas décadas do século XX, a cultura popular impôs a disseminação do diagnóstico Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), como ultra-abrangente. Com o tempo, estresse e trauma, foram assimilados pelo imaginário popular, e traduzidos, respectivamente, como: reação emocional exaltada que caracteriza convivência cotidiana e enfrentamento de situações desagradáveis; e vivências provocadas por alguma situação violeta, identificada como traumática.
O conceito errôneo relacionado à situação traumática, ainda se desdobrou em novo erro relacionado às outras patologias que se “desenvolvem“, simultaneamente, ao TEPT. E sabendo que o diagnóstico de TEPT é admitido baseado na classificação da observação de sintomas e não na compreensão de sua origem emocional, torna-se fácil compreender porque o mesmo apresenta comorbidade entre 70 e 80% junto às outras patologias, provocando imprecisão e engano no diagnóstico principal.
De fato, não existe situação ou evento traumático. Existem situações ou eventos disruptivos que poderão, ou não, ser potencialmente traumatogênicos para cada uma das pessoas envolvidas. O traumático é um fenômeno que poderá ocorrer na mente ou psiquismo do ser humano e isso em função da sua subjetividade.
Há décadas, pesquisadores de vários países membros da Cátedra UNESCO de Bioética, desenvolvem pesquisas e intervenções, empíricas e clínicas, acerca do que se entende como “O Disruptivo” e sobre os tratamentos empreendidos em patologias a ele interligadas. Ao mesmo tempo, também dedicam atenção ao crescente contingente humano são, regularmente exposto em situações disruptivas, e por isso propenso ao adoecimento emocional.
Situações disruptivas são compreendidas como eventos provocados por desastres naturais ou antropogênicos, que podem desencadear reações emocionais negativas e até adoecimento, em pessoas sãs, sem qualquer histórico de problemas em Saúde Mental. Por exemplo: populações expostas à violência urbana, conflitos armados, crises econômicas, categorias profissionais que mantém equipes trabalhando permanentemente em ambientes insalubres, e os novos fenômenos que a cultura contemporânea estabelece, entre eles a “Incerteza”.
A influência que o ambiente exerce sobre as pessoas, individualmente ou em grupos, é parte indissociável da formação e manutenção do equilíbrio emocional de cada ser humano. E, muitas vezes, a prática da medicina coloca os profissionais de Saúde diante do enfretamento cotidiano de situações desorganizadoras, em que o seu equilíbrio emocional é provocado e se desestabiliza.
Nessas situações, em função da pressão externa exercida sobre as suas limitações emocionais e físicas, os questionamentos subjetivos podem ir muito além das avaliações sobre satisfação na vida privada e cumprimento de responsabilidades profissionais. É comum que sejam questionados, entre outros: a capacitação emocional oferecida aos profissionais da área durante a sua formação; o potencial de adoecimento psíquico que existe nas atuais unidades de trabalho em Saúde; o modelo de atendimento orientado pelas seguradoras; e a gestão corporativa praticada em cada centro de atendimento.
Ao observar a realidade a que estão submetidos muitos profissionais da área de Saúde, fica evidente a necessidade de lhes oferecer acompanhamento em Saúde Mental para minimizar o potencial de adoecimento que existe em seu entorno. São recorrentes os relatos sobre problemas para dormir, automedicação desnecessária e/ou uso de álcool como medicamento, nas horas de folga, instabilidade nos relacionamentos pessoais, agressividade, e desconforto nas relações entre profissionais e pacientes, e entre profissionais e gestores; entre muitas outras situações.
São muitos os indicativos de que o cotidiano profissional das pessoas que trabalham em Saúde tende a consumir a sua energia e equilíbrio emocional, reduzindo progressivamente a sua qualidade de vida. E ao trocar experiências entre colegas, necessidades, expectativas e angústias se mostram coincidentes. Entretanto, não basta apenas externar conflitos. Entre as inúmeras maneiras que podem ser encontradas para suplantar tais condições, algumas poderão significar equilíbrio instável. E é indispensável que essas pessoas recebam auxílio profissional para compreender quais atitudes podem prejudicá-las, e quais irão beneficiá-las.
Os postulados da Cátedra UNESCO de Bioética estabelecem as relações da Medicina com as leis jurídicas implicadas na ética dos tratamentos das doenças. E a perspectiva da Ecobioética (Benyakar/2005) foi desenvolvida a partir do entendimento sobre o conceito Saúde podendo também representar condição saudável para qualidade de vida do ser humano são, exposto em ambientes adversos, e que necessita ser assistido para não adoecer.
Atualmente, é consensual que estabelecer caminhos que proporcionem Qualidade de Vida à população é o objetivo final também dos profissionais dedicados à Saúde Mental. Afinal, Saúde Mental é sinônimo de equilíbrio, prazer e felicidade, e não de doença. E diante da percepção transdisciplinar das diferentes realidades que oprimem grupos de pessoas em lares, comunidades e ambientes corporativos, a admissão do conceito e as práticas desenvolvidas pela Ecobioética para assistência preventiva, ganham espaço a cada dia.
Assim como já é consenso no campo das políticas públicas, que combater o aumento no consumo de tabaco, é mais eficiente e econômico que tratar pessoas que adoecerão em consequência desse vício. Também em Saúde Mental, admite-se que é necessário agir preventivamente junto às comunidades expostas às situações disruptivas, antes que haja adoecimento psíquico e/ou físico.
Nem sempre o agente estressor do entorno pode ser identificado e isolado em um evento ou período limitado ou mesmo admitido como situação adversa finita. Muitas vezes, cotidianos disruptivos integram o ambiente dos profissionais em áreas específicas. Portanto, é necessário oferecer defesas para que essas pessoas não sejam tão afetadas pelo ambiente que as cerca, e que não será facilmente transformado.
Baseado nas experiências vivenciadas através da Ecobioética, é seguro afirmar que a partir do momento em que profissionais expostos em realidades adversas permitem-se reunir para externar suas angústias e trocar informações, regularmente e sob a supervisão de especialistas, cada indivíduo conquista a oportunidade de não só aprender como usar mecanismos individuais de defesa emocional durante o cotidiano profissional, como também ter acesso às respostas para angústias que os afligem.
Esse modelo de conduta poderá ser adotado institucionalmente, pois representa benefício pessoal para cada indivíduo da equipe, e contribui significativamente para a harmonização de toda a estrutura de trabalho corporativo.
Autor: José Toufic Thome
(Psiquiatra-Psicoterapeuta (ABP/AMB) - CRM 16619)
Em nosso dia a dia, tornou-se comum ouvirmos a expressão “estresse” para explicar situações, sintomas e, não raro, alguns sentimentos que não nos agradam. E nas últimas décadas do século XX, a cultura popular impôs a disseminação do diagnóstico Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), como ultra-abrangente. Com o tempo, estresse e trauma, foram assimilados pelo imaginário popular, e traduzidos, respectivamente, como: reação emocional exaltada que caracteriza convivência cotidiana e enfrentamento de situações desagradáveis; e vivências provocadas por alguma situação violeta, identificada como traumática.
O conceito errôneo relacionado à situação traumática, ainda se desdobrou em novo erro relacionado às outras patologias que se “desenvolvem“, simultaneamente, ao TEPT. E sabendo que o diagnóstico de TEPT é admitido baseado na classificação da observação de sintomas e não na compreensão de sua origem emocional, torna-se fácil compreender porque o mesmo apresenta comorbidade entre 70 e 80% junto às outras patologias, provocando imprecisão e engano no diagnóstico principal.
De fato, não existe situação ou evento traumático. Existem situações ou eventos disruptivos que poderão, ou não, ser potencialmente traumatogênicos para cada uma das pessoas envolvidas. O traumático é um fenômeno que poderá ocorrer na mente ou psiquismo do ser humano e isso em função da sua subjetividade.
Há décadas, pesquisadores de vários países membros da Cátedra UNESCO de Bioética, desenvolvem pesquisas e intervenções, empíricas e clínicas, acerca do que se entende como “O Disruptivo” e sobre os tratamentos empreendidos em patologias a ele interligadas. Ao mesmo tempo, também dedicam atenção ao crescente contingente humano são, regularmente exposto em situações disruptivas, e por isso propenso ao adoecimento emocional.
Situações disruptivas são compreendidas como eventos provocados por desastres naturais ou antropogênicos, que podem desencadear reações emocionais negativas e até adoecimento, em pessoas sãs, sem qualquer histórico de problemas em Saúde Mental. Por exemplo: populações expostas à violência urbana, conflitos armados, crises econômicas, categorias profissionais que mantém equipes trabalhando permanentemente em ambientes insalubres, e os novos fenômenos que a cultura contemporânea estabelece, entre eles a “Incerteza”.
A influência que o ambiente exerce sobre as pessoas, individualmente ou em grupos, é parte indissociável da formação e manutenção do equilíbrio emocional de cada ser humano. E, muitas vezes, a prática da medicina coloca os profissionais de Saúde diante do enfretamento cotidiano de situações desorganizadoras, em que o seu equilíbrio emocional é provocado e se desestabiliza.
Nessas situações, em função da pressão externa exercida sobre as suas limitações emocionais e físicas, os questionamentos subjetivos podem ir muito além das avaliações sobre satisfação na vida privada e cumprimento de responsabilidades profissionais. É comum que sejam questionados, entre outros: a capacitação emocional oferecida aos profissionais da área durante a sua formação; o potencial de adoecimento psíquico que existe nas atuais unidades de trabalho em Saúde; o modelo de atendimento orientado pelas seguradoras; e a gestão corporativa praticada em cada centro de atendimento.
Ao observar a realidade a que estão submetidos muitos profissionais da área de Saúde, fica evidente a necessidade de lhes oferecer acompanhamento em Saúde Mental para minimizar o potencial de adoecimento que existe em seu entorno. São recorrentes os relatos sobre problemas para dormir, automedicação desnecessária e/ou uso de álcool como medicamento, nas horas de folga, instabilidade nos relacionamentos pessoais, agressividade, e desconforto nas relações entre profissionais e pacientes, e entre profissionais e gestores; entre muitas outras situações.
São muitos os indicativos de que o cotidiano profissional das pessoas que trabalham em Saúde tende a consumir a sua energia e equilíbrio emocional, reduzindo progressivamente a sua qualidade de vida. E ao trocar experiências entre colegas, necessidades, expectativas e angústias se mostram coincidentes. Entretanto, não basta apenas externar conflitos. Entre as inúmeras maneiras que podem ser encontradas para suplantar tais condições, algumas poderão significar equilíbrio instável. E é indispensável que essas pessoas recebam auxílio profissional para compreender quais atitudes podem prejudicá-las, e quais irão beneficiá-las.
Os postulados da Cátedra UNESCO de Bioética estabelecem as relações da Medicina com as leis jurídicas implicadas na ética dos tratamentos das doenças. E a perspectiva da Ecobioética (Benyakar/2005) foi desenvolvida a partir do entendimento sobre o conceito Saúde podendo também representar condição saudável para qualidade de vida do ser humano são, exposto em ambientes adversos, e que necessita ser assistido para não adoecer.
Atualmente, é consensual que estabelecer caminhos que proporcionem Qualidade de Vida à população é o objetivo final também dos profissionais dedicados à Saúde Mental. Afinal, Saúde Mental é sinônimo de equilíbrio, prazer e felicidade, e não de doença. E diante da percepção transdisciplinar das diferentes realidades que oprimem grupos de pessoas em lares, comunidades e ambientes corporativos, a admissão do conceito e as práticas desenvolvidas pela Ecobioética para assistência preventiva, ganham espaço a cada dia.
Assim como já é consenso no campo das políticas públicas, que combater o aumento no consumo de tabaco, é mais eficiente e econômico que tratar pessoas que adoecerão em consequência desse vício. Também em Saúde Mental, admite-se que é necessário agir preventivamente junto às comunidades expostas às situações disruptivas, antes que haja adoecimento psíquico e/ou físico.
Nem sempre o agente estressor do entorno pode ser identificado e isolado em um evento ou período limitado ou mesmo admitido como situação adversa finita. Muitas vezes, cotidianos disruptivos integram o ambiente dos profissionais em áreas específicas. Portanto, é necessário oferecer defesas para que essas pessoas não sejam tão afetadas pelo ambiente que as cerca, e que não será facilmente transformado.
Baseado nas experiências vivenciadas através da Ecobioética, é seguro afirmar que a partir do momento em que profissionais expostos em realidades adversas permitem-se reunir para externar suas angústias e trocar informações, regularmente e sob a supervisão de especialistas, cada indivíduo conquista a oportunidade de não só aprender como usar mecanismos individuais de defesa emocional durante o cotidiano profissional, como também ter acesso às respostas para angústias que os afligem.
Esse modelo de conduta poderá ser adotado institucionalmente, pois representa benefício pessoal para cada indivíduo da equipe, e contribui significativamente para a harmonização de toda a estrutura de trabalho corporativo.
Autor: José Toufic Thome
(Psiquiatra-Psicoterapeuta (ABP/AMB) - CRM 16619)
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
CURSO: Intervenções em Situações Limite Desorganizadoras (mód. I)
Na próxima segunda-feira, 06/02, encerra-se a primeira fase para inscrições no curso Intervenções em Situações Limite Desorganizadoras (mód. I), oferecido no Instituto Sedes em SP.
A especialização foi desenvolvida pelo Dr. José Thomé, através da Rede Ibero-americana de Ecobioética / Cátedra UNESCO de Bioética, segundo protocolos reconhecidos pela Associação Mundial de Psiquiatria (WPA).
Fundamentado em Psicodinâmica, o curso parte da visão integradora transdisciplinar, e se apoia nos princípios da Teoria da Complexidade, de Edgar Morin. Contempla também os estudos psicanalíticos para a compreensão do funcionamento mental em Freud, Ferenczi, Melanie Klein, Winnicott e Piera Aulagnier, compreendidos no modelo de Moty Benyakar para as intervenções diante do evento disruptivo.
Mais informações AQUI.
A especialização foi desenvolvida pelo Dr. José Thomé, através da Rede Ibero-americana de Ecobioética / Cátedra UNESCO de Bioética, segundo protocolos reconhecidos pela Associação Mundial de Psiquiatria (WPA).
Fundamentado em Psicodinâmica, o curso parte da visão integradora transdisciplinar, e se apoia nos princípios da Teoria da Complexidade, de Edgar Morin. Contempla também os estudos psicanalíticos para a compreensão do funcionamento mental em Freud, Ferenczi, Melanie Klein, Winnicott e Piera Aulagnier, compreendidos no modelo de Moty Benyakar para as intervenções diante do evento disruptivo.
Mais informações AQUI.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Curso de especialização em São Paulo.
Intervenções em Situações Limite Desorganizadoras (parte 1)
Curso anual de aperfeiçoamento e especialização, desenvolvido pela Rede Ibero-americana de Ecobioética para a Educação, a Ciência e a Tecnologia / Cátedra UNESCO de Bioética, segundo protocolos reconhecidos internacionalmente, pela Associação Mundial de Psiquiatria (WPA na sigla em inglês).
Início: sábado, 10 de março de 2012.
Corpo docente:
José Toufic Thomé - Coordenador;
Emília Aparecida Calixto Afrange; Erane Paladino; Ively Taralli; Regina Lúcia de Araújo Gribel.
Professores convidados:
Álvaro Ancona de Faria; Marcelo de Mello Feijó; João Figueiró; Michel Achatz; Eloisa Q. Fagalli; Ruy de Mathis.
Objetivo:Numa leitura psicodinâmica, o curso parte de visão integradora, multi/inter e transdisciplinar, apoiada nos princípios de Edgar Morin e sua Teoria da Complexidade. Fundamenta-se também nos estudos psicanalíticos para a compreensão do funcionamento mental em Freud, Ferenczi, Melanie Klein, Winnicott e Piera Aulagnier compreendidos no modelo de Benyakar para as intervenções diante do evento disruptivo.
Conteúdo Programático:- Discutir e esclarecer as diferentes situações atuais que têm levado as pessoas ao limite da desorganização psíquica;
- Introduzir as diferenças nos conceitos do Trauma Psíquico, do Traumático e do Estresse Pós-Traumático relacionando-os com o conceito de Patologias por Disrupção;
- Conceitos de Imunidade Psíquica e de Resiliência;
- Informar sobre modelo adequado de Psicoterapia para o traumático e sobre possibilidades de intervenção multi / inter e transdisciplinares em Intervenções Sociais e em Psico-Educação;
Metodologia:
Aulas expositivas e dinâmicas em grupo, que oferecem ambiente para reflexão sobre temas teóricos e técnicos de forma vivencial.
Este diferencial pedagógico permitirá a compreensão conceitual e as possibilidades das práticas terapêuticas deste novo campo de conhecimento e aperfeiçoamento.
Destinado a:Profissionais que atuam na área de Saúde Mental e Saúde.
Horário:Somente aos sábados, das 09h00 às 13h00.
Datas das aulas:
10 e 31/03; 14/04; 05/05; 16/06; 04 e 18/08; 01/09; 20/10; 10/11 e 01/12/2012
(ainda haverá uma data adicional, que será definida no decorrer do curso).
Local:Instituto Sedes Sapientiae SP.
Rua Ministro Godoi, 1484 – Perdizes – São Paulo – SP.
Duração: 1 ano.
Carga horárias: 48 horas.
Vagas: 20.
Período de inscrições:Fase 1 até segunda-feira, 06 de fevereiro de 2012.
Seleção:Os candidatos serão submetidos à entrevista em grupo no dia 06 de fevereiro de 2012, das 09h00 às 12h00. No ato da inscrição o candidato deverá entregar cópia do curriculum vitae.
Informações complementares:Telefone: 55 (11) 3866 2730
http://sedes.org.br/site
Instrução sobre inscrições AQUI.
Investimento:
Anuidade 2012: matrícula (R$ 238,00), mais 10 parcelas de R$ 238,00.
Código do curso no Sedes: 6009.
Inscrição on line: AQUI.
Curso anual de aperfeiçoamento e especialização, desenvolvido pela Rede Ibero-americana de Ecobioética para a Educação, a Ciência e a Tecnologia / Cátedra UNESCO de Bioética, segundo protocolos reconhecidos internacionalmente, pela Associação Mundial de Psiquiatria (WPA na sigla em inglês).
Início: sábado, 10 de março de 2012.
Corpo docente:
José Toufic Thomé - Coordenador;
Emília Aparecida Calixto Afrange; Erane Paladino; Ively Taralli; Regina Lúcia de Araújo Gribel.
Professores convidados:
Álvaro Ancona de Faria; Marcelo de Mello Feijó; João Figueiró; Michel Achatz; Eloisa Q. Fagalli; Ruy de Mathis.
Objetivo:Numa leitura psicodinâmica, o curso parte de visão integradora, multi/inter e transdisciplinar, apoiada nos princípios de Edgar Morin e sua Teoria da Complexidade. Fundamenta-se também nos estudos psicanalíticos para a compreensão do funcionamento mental em Freud, Ferenczi, Melanie Klein, Winnicott e Piera Aulagnier compreendidos no modelo de Benyakar para as intervenções diante do evento disruptivo.
Conteúdo Programático:- Discutir e esclarecer as diferentes situações atuais que têm levado as pessoas ao limite da desorganização psíquica;
- Introduzir as diferenças nos conceitos do Trauma Psíquico, do Traumático e do Estresse Pós-Traumático relacionando-os com o conceito de Patologias por Disrupção;
- Conceitos de Imunidade Psíquica e de Resiliência;
- Informar sobre modelo adequado de Psicoterapia para o traumático e sobre possibilidades de intervenção multi / inter e transdisciplinares em Intervenções Sociais e em Psico-Educação;
Metodologia:
Aulas expositivas e dinâmicas em grupo, que oferecem ambiente para reflexão sobre temas teóricos e técnicos de forma vivencial.
Este diferencial pedagógico permitirá a compreensão conceitual e as possibilidades das práticas terapêuticas deste novo campo de conhecimento e aperfeiçoamento.
Destinado a:Profissionais que atuam na área de Saúde Mental e Saúde.
Horário:Somente aos sábados, das 09h00 às 13h00.
Datas das aulas:
10 e 31/03; 14/04; 05/05; 16/06; 04 e 18/08; 01/09; 20/10; 10/11 e 01/12/2012
(ainda haverá uma data adicional, que será definida no decorrer do curso).
Local:Instituto Sedes Sapientiae SP.
Rua Ministro Godoi, 1484 – Perdizes – São Paulo – SP.
Duração: 1 ano.
Carga horárias: 48 horas.
Vagas: 20.
Período de inscrições:Fase 1 até segunda-feira, 06 de fevereiro de 2012.
Seleção:Os candidatos serão submetidos à entrevista em grupo no dia 06 de fevereiro de 2012, das 09h00 às 12h00. No ato da inscrição o candidato deverá entregar cópia do curriculum vitae.
Informações complementares:Telefone: 55 (11) 3866 2730
http://sedes.org.br/site
Instrução sobre inscrições AQUI.
Investimento:
Anuidade 2012: matrícula (R$ 238,00), mais 10 parcelas de R$ 238,00.
Código do curso no Sedes: 6009.
Inscrição on line: AQUI.
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