O Código Penal e a psicofobia
O presidente do Senado Federal, José Sarney, recebeu há poucos dias o anteprojeto de revisão do Código Penal brasileiro. Trata-se de um avanço fundamental, tendo em vista que o Código data de 1940. Em tempos de redes sociais e comunicação instantânea, 72 anos são uma eternidade: há consenso de que as leis que regem os passos da sociedade são anacrônicas. Questões relevantes e polêmicas da contemporaneidade serão analisadas, como a criminalização do bullying e as regras de autorização de abortos. Novos ventos prometem colocar a Justiça brasileira em sintonia com o compasso acelerado da vida dos cidadãos.
Agora cabe ao Senado analisar o documento com atenção e aproveitar a chance única de atender também outras parcelas da população que, muitas vezes, não têm voz na sociedade civil, mas carecem da proteção da lei. É o caso dos brasileiros que sofrem algum tipo de transtorno mental, como esquizofrenia, bipolaridade, dislexia, autismo, ansiedade, transtornos alimentares e síndrome de Down. São mais brasileiros do que imaginamos: silenciosamente, cerca de 20% da população padece desses transtornos. Se focarmos em depressão, especificamente, pode chegar a 25%, percentuais muito significativos para serem ignorados.
Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que a depressão e os demais transtornos mentais crescem exponencialmente entre os brasileiros, é proporcional a escalada do preconceito em torno deles. É hora de combater essa discriminação. A expressão psicofobia, que começa a circular entre psiquiatras, psicólogos e leigos na internet, expressa justamente o nefasto preconceito contra os doentes mentais e portadores de deficiência.
Não há razão para as doenças mentais não serem encaradas com a seriedade que pedem e os portadores exigem. Há várias formas de preconceito; entre elas, a própria negação da doença como algo menor ou passageiro. Neste momento, cabe ao Senado fazer justiça e incluir a psicofobia como crime no anteprojeto de revisão do Código Penal.
Aos poucos, o bom-senso da causa vai ganhando adesão. As mais representativas esferas médicas, como o Conselho Federal de Medicina, a Federação Nacional dos Médicos e a Associação Médica Brasileira declararam apoio. O senador Paulo Davim (PV-RN) já solicitou que diversas instituições médicas e de pacientes compareçam à Comissão de Direitos Humanos, a fim de que sejam ouvidas no pleito da inclusão da psicofobia no novo Código Penal que se desenha. É um alentador começo. Mas podemos mais.
Em um segundo momento, será fundamental o engajamento dos estados e municípios da Federação, das escolas e universidades, dos professores e educadores. A informação é a melhor arma contra o preconceito. A conscientização é o elemento-chave para que as próximas gerações cresçam sem o nocivo lastro do prejulgamento. Uma enorme campanha de conscientização toma conta dos Estados Unidos neste momento, comparando a depressão com o câncer, pelos danos que ambos causam no cotidiano de quem os sofrem.
A ministra Cármen Lúcia, ao ser empossada presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), fez a pungente declaração: "Justiça artesanal numa sociedade de massas é um desafio que se impõe sem solução mágica, mas mudar esse quadro é o desafio que se impõe e para o qual nós nos propomos. O desafio de não apenas reformar, mas transformar a Justiça a fim de que ela corresponda aos anseios do cidadão". A colocação da ministra é perfeita. É isso que os portadores de transtornos mentais e deficiência esperam: que a Justiça corresponda aos seus anseios.
A adesão da generosa sociedade brasileira, sem dúvida, virá na sequência. Um povo que soube reagir com tanta dignidade e sabedoria a causas nobres como a dos homossexuais e a dos negros saberá dar novo exemplo de civismo e justiça.
Em pleno século 21, ideias preconceituosas devem ser combatidas com ainda mais veemência. É chegada a hora de o Poder Legislativo olhar com maturidade e respeito para os portadores de transtornos mentais. Psicofobia é crime.
Autor: Armando Castelar
(Pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia - Ibre/FGV, e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ)
Publicado no jornal Correio Braziliense.
Canal de interlocução permanente entre os profissionais, psicoterapeutas ou não, interessados em trocar informações, divulgar idéias, projetos, propostas e oportunidades de cooperação multidisciplinar relacionadas à área de Saúde Mental no Brasil.
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quarta-feira, 25 de julho de 2012
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Cantora que não sai de casa há 2 anos faz sucesso no YouTube
Uma cantora inglesa que não sai de casa há dois anos devido à agorafobia (medo de lugares abertos e de multidões) optou por apresentar suas músicas por meio de vídeos na internet, que já atraíram mais de dois milhões de visitantes.
Jemma Pixie Hixon, 20 anos, começou a apresentar sintomas de agorafobia aos 6 anos de idade. Com o agravamento da doença, dois anos atrás, Jemma ficou impossibilitada de sair de casa, sob o risco de sofrer ataques de ansiedade e de pânico.
"Quando você é bem jovem, não se dá conta do que está acontecendo, você não sabe o que é um ataque de pânico", disse a cantora em uma entrevista à BBC. "Você tem palpitações no coração, a sua cabeça fica horrível. É a pior sensação", afirma.
Sem poder se apresentar em público, Jemma optou por editar vídeos com suas músicas e publicá-los no site YouTube. Mais de dois milhões de internautas já assistiram aos seus clipes.
As músicas de Jemma frequentemente remetem à sua doença, em versos como: Stick with myself/'Cause I have no one left (“Fique comigo/Porque eu não tenho ninguém”) ou You took with you my soul/The pain sets in ("Você levou a minha alma com você/A dor se instala").
Ainda sem vender discos, Jemma diz que compõe suas próprias canções, além de fazer parcerias com DJs.
"Assim que começo a cantar, eu me sinto uma pessoa completamente diferente", afirma a cantora. "Na vida normal, eu não tenho confiança e tenho ataques de pânico, mas, assim que eu começo a cantar, me sinto mais confiante."
Apesar de conseguir uma grande audiência online, Jemma diz que os sintomas da sua doença não acabaram. Sua maior vontade é voltar a se apresentar em público.
"O sucesso é muito bom, mas a minha situação com a agorafobia ainda é a mesma, não mudou muito o fato de eu ter (a doença)", diz a cantora. "Eu gostaria muito de tentar sair mais, porque eu quero voltar a me apresentar no palco."
Acesse o CANAL de Jemma no You Tube.
Para mais informações sobre Agorafobia, acesse:
- Dráuzio Varella
- Portal Mundo Educação.
- Portal Psicologia.org
Fonte: Portal BBC Brasil.
Jemma Pixie Hixon, 20 anos, começou a apresentar sintomas de agorafobia aos 6 anos de idade. Com o agravamento da doença, dois anos atrás, Jemma ficou impossibilitada de sair de casa, sob o risco de sofrer ataques de ansiedade e de pânico.
"Quando você é bem jovem, não se dá conta do que está acontecendo, você não sabe o que é um ataque de pânico", disse a cantora em uma entrevista à BBC. "Você tem palpitações no coração, a sua cabeça fica horrível. É a pior sensação", afirma.
Sem poder se apresentar em público, Jemma optou por editar vídeos com suas músicas e publicá-los no site YouTube. Mais de dois milhões de internautas já assistiram aos seus clipes.
As músicas de Jemma frequentemente remetem à sua doença, em versos como: Stick with myself/'Cause I have no one left (“Fique comigo/Porque eu não tenho ninguém”) ou You took with you my soul/The pain sets in ("Você levou a minha alma com você/A dor se instala").
Ainda sem vender discos, Jemma diz que compõe suas próprias canções, além de fazer parcerias com DJs.
"Assim que começo a cantar, eu me sinto uma pessoa completamente diferente", afirma a cantora. "Na vida normal, eu não tenho confiança e tenho ataques de pânico, mas, assim que eu começo a cantar, me sinto mais confiante."
Apesar de conseguir uma grande audiência online, Jemma diz que os sintomas da sua doença não acabaram. Sua maior vontade é voltar a se apresentar em público.
"O sucesso é muito bom, mas a minha situação com a agorafobia ainda é a mesma, não mudou muito o fato de eu ter (a doença)", diz a cantora. "Eu gostaria muito de tentar sair mais, porque eu quero voltar a me apresentar no palco."
Acesse o CANAL de Jemma no You Tube.
Para mais informações sobre Agorafobia, acesse:
- Dráuzio Varella
- Portal Mundo Educação.
- Portal Psicologia.org
Fonte: Portal BBC Brasil.
terça-feira, 8 de março de 2011
Agorafobia
Agorafobia é um transtorno de ansiedade, na maioria das vezes, associado às crises de pânico. Originalmente, a palavra era empregada para definir o medo de lugares abertos ou com muita gente. Hoje, é usada para definir comportamentos de esquiva, que aparecem quando a pessoa se encontra em situações ou locais dos quais seria difícil ou embaraçoso escapar, ou mesmo receber socorro, se algo de errado acontecesse.
Não se conhece a causa do distúrbio, que se manifesta mais nas mulheres do que nos homens. Em alguns aspectos, ele pode se confundido com a fobia social, uma vez que os portadores da desordem tendem a reduzir os contatos sociais como forma de esquivar-se das situações em que imaginem ser difícil obter auxílio.
Nos casos mais graves, a agorafobia compromete a vida social e profissional dos pacientes. A antecipação do medo de sentir medo e de um ataque de pânico inesperado impede, muitas vezes, que a pessoa realize atividades banais, por considerá-las potencialmente de risco.
Sintomas
Os sintomas são semelhantes aos da crise de pânico e a intensidade varia de pessoa para pessoa. Eles podem ser classificados em:
a) psicológicos (medo de morrer, de enlouquecer, de perder o controle sobre si próprio);
b) somáticos (taquicardia, palpitação, falta de ar, sudorese abundante, náuseas, vômitos, dor de estômago, diarréia, tremores, tonturas).
Mais informações no Portal do colega Dráuzio Varella
Não se conhece a causa do distúrbio, que se manifesta mais nas mulheres do que nos homens. Em alguns aspectos, ele pode se confundido com a fobia social, uma vez que os portadores da desordem tendem a reduzir os contatos sociais como forma de esquivar-se das situações em que imaginem ser difícil obter auxílio.
Nos casos mais graves, a agorafobia compromete a vida social e profissional dos pacientes. A antecipação do medo de sentir medo e de um ataque de pânico inesperado impede, muitas vezes, que a pessoa realize atividades banais, por considerá-las potencialmente de risco.
Sintomas
Os sintomas são semelhantes aos da crise de pânico e a intensidade varia de pessoa para pessoa. Eles podem ser classificados em:
a) psicológicos (medo de morrer, de enlouquecer, de perder o controle sobre si próprio);
b) somáticos (taquicardia, palpitação, falta de ar, sudorese abundante, náuseas, vômitos, dor de estômago, diarréia, tremores, tonturas).
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