A actual conjuntura económica pode ter impacto no aumento do consumo de substâncias psicoactivas”. Uma convicção manifestada pela docente da Universidade dos Açores, Teresa Medeiros, em declarações à margem do V Seminário do Ciclo de Formação em Psicologia, sobre “Prevenção do mau uso e abuso de substâncias psicoactivas e de outros comportamentos de risco”.No entender da docente a fase actual pode potenciar um incremento do consumo das referidas substâncias porque, “quando aumenta a dificuldade, se a pessoa não tiver características de personalidade que a tornem capaz de lidar com situações adversas, o refúgio podem ser essas substâncias”.
“Instala-se então o ciclo do prazer baseado no consumo, ou seja, sem produto o indivíduo fica mais deprimido”, explica Teresa Medeiros, acrescentando que, nesse processo, para além da dependência física desenvolve-se em paralelo outro tipo de necessidade a nível psicológico.
Por tudo isso, a especialista apontou este sábado a importância da prevenção, sobretudo a um nível primário. No seu entender, esse processo tem de começar nos pais, “na forma como educam e nos conhecimentos que têm”.
Teresa Medeiros defende, por isso, uma aposta crescente no que chama de “educação pela responsabilidade” e alerta para as fases da pré-adolescência e adolescência que é, em norma, quando é tomado contacto pela primeira vez com substâncias psicoactivas. “A questão do consumo de cerveja ou shots, por exemplo, por jovens de onze,12 e13 anos nas saídas à noite é realmente preocupante. Para ver isso, basta, por exemplo, sair à noite numa sexta-feira e passar pelas ruas de Ponta Delgada”.
Nesse contexto, a professora universitária alerta para o que considera ser a necessidade da própria comunidade tomar consciência de que esse é “um problema de saúde comunitária”. Teresa Medeiros considera, a esse propósito, que “tem de existir essa consciência principalmente dos pais quando deixam os filhos sair com essas idades”.
“É que o consumo começa cada vez mais cedo e, em norma, pelo álcool”, revela. Um cenário preocupante que faz aumentar a necessidade de “formar as pessoas para responder a essas problemáticas, sobretudo nas nossas escolas”.
Como se não bastasse, Teresa Medeiros chama a atenção para o aparecimento de fenómeno novo que se prende com o início do consumo tardio, ou seja, na faixa dos 30/40 anos.
“Pode acontecer à primeira dificuldade que têm. É que por detrás do consumo há sempre problemas psicológicos: baixa autoestima, falta de tolerância à frustração, entre outros”, indica.
“Daí a importância de - preparar os nossos filhos para saberem tolerar o fracasso”, remata.
Fonte: Açoirano Oriental
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