
O crack aciona o gatilho da violência longe da Capital. Impulsionados pela chegada da droga aos mais distantes rincões gaúchos, os homicídios estão em alta no Estado. Os dados oficiais apontam para um crescimento de 11,1% no número de assassinatos nos primeiros quatro meses de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado. Das mortes registradas a mais no ano, 86% ocorreram no Interior.
Moradores de cidades de porte médio distantes da Capital começam a viver uma rotina semelhante à de seus conterrâneos da Grande Porto Alegre. Antigos redutos de sossego, esses municípios agora deparam com a ascensão gradual das mortes violentas. A causa, acreditam as autoridades e os especialistas, é a chegada do crack.
Em Santa Maria, por exemplo, quatro das nove mortes registradas em 2009 tiveram relação direta com as drogas. O delegado regional Oscar dos Santos Júnior explica que, em três dos crimes, as vítimas eram investigadas por tráfico. A quarta foi assassinada por um casal de usuários.
– Essa droga recrudesceu as relações entre criminosos, sejam eles traficantes ou ladrões. Ficou mais fácil (por causa do efeito da droga) ir na outra boca e atirar contra o rival – avalia ele.
Comuns na Região Metropolitana, os assassinatos decorrentes de disputas por bocas-de-fumo e de dívidas de consumidores passaram a ser rotina em municípios considerados polos regionais, como Passo Fundo. O delegado regional Paulo Ruschel revela que pelo menos sete dos 13 homicídios registrados na cidade estariam relacionados à guerra entre bandos rivais no entorno do Presídio Regional da cidade.
– É um problema que afeta toda a região – ressalta.
Apreensões revelam o crack nas pequenas cidades
Subproduto da cocaína, a substância, por ser mais barata, encontrou terreno para se alastrar nas vilas de cidades médias do Interior e nas zonas rurais que sofrem com a estagnação econômica. As apreensões feitas pela Brigada Militar indicam que a substância se alastra rapidamente. Dos 17 quilos do entorpecente apreendidos pela corporação neste ano, 52% estavam nas mãos de usuários e traficantes no Interior.
Nem cidades menores estão livres. Segundo o comandante da Brigada Militar na região central do Estado, coronel Silvio Machado, desde o final do ano passado pedras de crack estão sendo apreendidas em municípios pequenos, com menos 3 mil habitantes, como Faxinal do Soturno.
– São apreensões de poucas pedras, mas que mostram como a droga se dissemina pela colônia – ressalta.
Desinformados sobre sua letalidade, muitos jovens do campo passaram a usar o entorpecente, alertam os médicos.
– Desde o ano passado, temos notado um crescimento brutal no número de atendimentos psiquiátricos a dependentes de crack no Interior. Muitos sequer tinham experimentado outra droga ilícita – afirma o psiquiatra Carlos Salgado, coordenador do Departamento de Dependência Química da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul.
Estrutura para investigar crimes se concentra na Capital
A velocidade com que a droga conquista espaço no Interior não é acompanhada pelas forças policiais gaúchas. Faltam delegados, agentes e PMs. A única delegacia especializada na investigação de homicídios, por exemplo, está instalada em Porto Alegre. Já para desarticular quadrilhas de traficantes, a Polícia Civil conta com quatro delegacias no Departamento Estadual do Narcotráfico (Denarc). No entanto, elas concentram suas investigações na Região Metropolitana.
Municiado com informações recebidas de seus delegados regionais, o chefe de Polícia, delegado João Paulo Martins, pretende pedir um estudo detalhado sobre a influência do tráfico nos assassinatos ocorridos neste ano no Interior.
– Mas a percepção é de que essa droga tem influenciado crimes também fora da Região Metropolitana – reconhece.
Fonte: Jornal Zero Hora / RS
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