
Sabe aquela mentirinha boba que o seu filho costuma contar quando volta da escola? Em alguns casos, de boba ela não tem nada. Por isso, é importante perceber até que ponto a mentira é inocente ou não.
A coordenadora pedagógica do Colégio Itatiaia, na capital paulista, Claudia Fernanda Venelli Razuk, alerta que esse sintoma é muito comum e, dependendo da idade, não exige preocupação.
"Até os cinco anos, o mundo da fantasia se confunde com a realidade. É comum a criança inventar histórias extraordinárias, seja para conseguir mais atenção ou mesmo para tentar sair de uma situação de dificuldade, como um ato incorreto que tenha feito", explica. De acordo com a profissional, nesta fase é interessante ter atenção à persistência das mentirinhas e suas consequências.
"Enquanto ela insistir em narrar contos fantásticos, desde que estes não prejudiquem ninguém, não há porque se preocupar. Essas situações não deixam de ser uma experiência de criatividade e tendem a diminuir com o passar do tempo." Porém, se a criança começa a usar a mentira para esconder seus erros, é hora de uma conversa mais séria.
Mauro Godoy, psicólogo clínico licenciado pelo Border do Estado da Flórida, nos EUA, onde fez mestrado em psicologia analítica, lembra que, para a psicologia, este mundo do faz de contas é chamado de ideal de ego, uma projeção do que gostaríamos de ser.
"Enquanto ainda não somos essa pessoa, muitas vezes vendemos alguém que não existe. E este é o lado saudável da mentira, quando criamos soluções, projetos e virtudes."
Ele conta que o cérebro humano é constituído por duas substâncias: massa branca, que atua na criação de informações, e a massa cinzenta que as processa.
Os mentirosos têm até 26% a mais de massa branca no córtex pré-frontal, onde ocorre uma intensa transmissão de informações. Até os cinco anos, as crianças têm três quartos de massa branca no cérebro, por isso é natural que ela viva no mundo da fantasia.
"Após os seis anos, ela passa a contemplar o mundo que está fora e então o realismo começa a tomar conta. É aí que os pais devem se preocupar se o filho continuar mentindo", alerta Godoy.
Na casa da psicopedagoga Janete Andrade, de 40 anos, estas situações não são mais toleradas. "Tenho um filho de 7 anos que mentia sem parar.
E achava aquilo estranho, já que não costumo mentir, nem aquelas bobas de alguém ligar em casa e pedir para dizer que não estou." De forma séria, ela mostrou ao filho a importância de sempre dizer a verdade.
"Expliquei que todo mundo erra e ele percebeu que nem sempre errar é ruim e que sempre dá-se um jeito por meio da verdade."
Fonte: Agência Estado
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