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sexta-feira, 5 de agosto de 2011
16 mil somalis estão vivendo em "terra de ninguém
Um relatório feito pela organização não governamental Save the Children aponta que mais de 16 mil refugiados somalis vivem em uma verdadeira “terra de ninguém”, em refúgios improvisados.
Essas pessoas fogem da intensa seca que atinge a região do chamado Chifre da África, e têm partido rumo ao Quênia, país vizinho da Somália, onde se encontra o maior acampamento de refugiados do mundo, Dadaab.
"O número de refugiados que fogem da crise alimentícia na Somália é tão elevado que existe um atraso de mais de 16 mil pessoas para identificar nas entradas dos campos de refugiados do Quênia", afirmou a ONG em comunicado emitido em Nairóbi.
No último dia 20 de julho, a ONU declarou oficialmente estado de crise de fome em duas regiões do sul da Somália - Bakool e Lower Shabelle -, algo inédito nesse país durante as últimas duas décadas.
Essas pessoas "se veem obrigadas a viver fora e no meio do mato, em refúgios improvisados com os materiais que vão encontrando". Além disso, "as famílias, muitas delas com crianças pequenas, estão vivendo sem as mínimas condições de higiene e longe de clínicas, escolas e outros serviços", afirmou a organização.
A Save the Children explicou que o atraso na identificação dessas pessoas se deve à falta de funcionários trabalhando no processo de registro, e fez uma chamada às autoridades do Quênia para aumentar os recursos nos campos.
"Todos os meninos e meninas que fogem da fome e da guerra na Somália chegam exaustos ao campo, mas agarrados à vida. Temos que fazer algo mais que obrigá-los a viver no mato", disse o responsável pela ONG no Quênia, Prasant Naik.
O campo de refugiados de Dadaab (leste do Quênia), que tem capacidade para 90 mil pessoas, abriga atualmente mais de 400 mil - a maioria somalis. Quase metade da população da Somália - 3,7 milhões de pessoas - sofre com a crise, sendo que 2,8 milhões vivem no sul, segundo informações das Nações Unidas.
A seca que castiga o Chifre da África é a pior na região dos últimos 70 anos e seus devastadores efeitos mantêm em situação crítica cerca de 11 milhões de pessoas, segundo a ONU.
Fonte: Época
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