terça-feira, 3 de novembro de 2009

Estresse: obrigados a conviver com ele

Todas as pessoas que vivem em grandes cidades e desenvolvem múltiplas atividades se expõem a situações estressantes. A afirmação é do professor doutor Geraldo Francisco do Amaral, coordenador do Centro de Referência em Transtorno do Humor da Universidade Federal de Goiás.

Segundo o médico, a vida cotidiana está repleta de agentes do estresse. “A caminho do trabalho, preocupada em chegar atrasada, e já antevendo os problemas que enfrentará, a pessoa percebe o trânsito como um inferno”, explica. Problemas financeiros, desafios, rotina profissional e conflitos familiares são outros ingredientes. A correria inevitável para cumprir compromissos e a falta de segurança completam receita. Esses estímulos desagradáveis desencadeiam a produção de adrenalina, que nos prepara para lutar ou fugir, na selva de pedra e aço das metrópoles.

Geraldo Amaral tem uma boa notícia para quem passa por todos esses sufocos. “Situações de estresse permanente desenvolvem sintomas e podem chegar a doença. Mas isso não significa que todas as pessoas submetidas aos mesmos agentes adoecerão. A doença é produto da predisposição genética. Cada um tem a sua vulnerabilidade específica.”

O estresse é inevitável. Amaral diz que o que se pode fazer é atenuar sua força, potencialmente destrutiva. “Só de sair debaixo do agente estressor já melhora. O que cada um precisa fazer é tentar, de alguma forma, resolver a situação.” A mudança pode ser o simples fato de sair dez minutos mais cedo de casa para evitar congestionamentos até mudar completamente o estilo de vida.

Nos ambientes de trabalho e família, Geraldo Amaral sugere que se crie “horários de felicidade”. Ele cita o “Pronto Sorriso”, programa da Faculdade de Medicina, como bom exemplo. “Os estudantes do segundo ano se vestem de palhaços e vão divertir pacientes e profissionais. Todos riem e se sentem melhores.”

O especialista admite que, em empresas, os momentos de alegria ainda encontram resistência, mas garante que seriam benéficos e lucrativos. “Se parar tudo, por dez minutos, uma vez por dia, para uma brincadeira, o sorteio de um brinde, qualquer coisa que quebre a rotina, a produtividade aumenta.”

Amaral cita uma pesquisa americana, desenvolvida em cinco grandes cidades que demonstram o efeito da falta de qualidade de vida no trabalho. O absenteísmo e outros problemas causam perdas de 40 bilhões de dólares anuais.

Só para doentes

Geraldo Amaral diz que o “remedinho”, indicado por parentes e amigos, só traz problemas para os estressados. “Quem desenvolve uma doença deve procurar um médico. O comprimidinho que se toma e parece ter resolvido tudo instantaneamente pode levar à dependência”, adverte.

Quem tenta aliviar tensões do dia a dia com remédios pode entrar em um beco sem saída. Foi o que aconteceu com Zélia Fini, hoje coordenadora da Fazendinha, instituição que trata dependentes químicos. Trabalhadora incansável pela recuperação das internas, Zélia já foi apática. Passava mais tempo dormindo do que acordada. “Fui dependente de remédios no mais alto grau. Quase morri. Bebia todos os remédios que tinha em casa e corria à farmácia para comprar mais.”

Zélia registrou sua amarga experiência no livro Dependência Química: o estranho caminho para o interior do nada. “Tomei remédios durante 27 anos. Bebi 40 comprimidos por dia durante 10 anos. Parei porque tive medo de morrer na frente de minha mãe. Levei oito anos para me livrar”, conta. Outro cuidado que o médico recomenda é evitar o abuso de álcool e drogas ilícitas.

Doenças

As doenças físicas mais associadas ao estresse são respiratórias, gastrointestinais e dermatológicas. No campo psicológico, as pressões cotidianas podem desencadear depressão em quem já é predisposto a desenvolver a doença.

O remédio para os que não estão doentes é melhorar a qualidade de vida. “Nós temos uma questão social muito séria, que não é levada a sério no trabalho e na família, a qualidade da relação pessoal.”

Mudança de hábitos

O único caminho seguro para afastar os agentes estressores é a mudança de hábito. É, também, quase sempre o mais difícil. Os comerciantes Edísio Quixabeira, 48, e a esposa Dilcea Quixabeira, 36, driblaram as fontes de tensão com a mudança para o imóvel onde têm um mercado, em Aparecida de Goiânia.

Edísio percorria dez quilômetros para ir de casa ao trabalho. "Todos dias via acidentes e o trânsito é infernal. Morei em São Paulo, vivia tenso."

A mudança para o mesmo lote onde trabalha, diz Edísio, provocou melhora na qualidade de toda a família. "Minha filha tinha dores de cabeça frequentes. Agora todos acordam mais relaxados."

Para Dilcea, se livrar da viagem diária foi um alívio. Além de ganhar tempo e dar mais conforto à filha, a mudança livrou a família de riscos de assaltos no percurso. "Melhorou demais. Foi realmente muito bom", comemora.


Fonte: Diário da Manhã

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