Aluna da 5ª série do Colégio Municipal Conde de Agrolongo, a estudante Maiá Gonçalves, de 12 anos, não conseguiu voltar para casa na Vila Cruzeiro, na Penha (zona norte do Rio), após assistir à aula ontem.Em pânico com os tiros durante a operação da Polícia Militar na favela, ela chorava e segurava a mão da pessoa mais próxima no bar, situado na esquina da Avenida Nossa Senhora da Penha com a Rua Soldado Vasco, de onde não passou por causa dos tiros que ricocheteavam no asfalto.
A expressão da menina simboliza o medo dos cariocas desde sábado, quando o tráfico mostrou seu poderio bélico e mergulhou a cidade, ainda inebriada com a conquista da Olimpíada de 2016, em um pesadelo de tiroteios. Desde a queda do helicóptero da Polícia Militar, 34 pessoas morreram.
A exemplo de muitas crianças da Vila Cruzeiro, Maiá passa boa parte do dia sozinha. O pai, motorista, chega em casa à noite. Ela mora na localidade conhecida como Quatro Bicas, a região mais pobre da favela, onde se concentraram os tiroteios entre policiais e traficantes. A cada estampido, a menina agarrava sua mochila como se recusasse o cotidiano de granadas, mortos e amputados pela violência.
Aos poucos, Maiá foi convencida por jornalistas a se abrigar em um salão de beleza. De lá, foi levada de volta à escola. Quando se acalmou, mostrou que, mesmo diante da falta de perspectivas, as crianças da Vila Cruzeiro sonham com um futuro. "Eu pensava em ser delegada, mas com estes tiros vi que não dá. Tenho medo", respondeu, ao ser questionada sobre o que gostaria de ser quando crescer.
Fonte: O Estado de S. Paulo
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