O termo suicídio foi utilizado pela primeira vez em 1737 por Desfon-taines. O signifi-cado tem origem no latim, na junção das pala-vras sui (si mesmo) e cae-deres (ação de matar). Esta conotação específica a morte intencional ou auto-infligida que se verifica, quando a pessoa, por desejo de escapar de uma situação de sofrimento intenso, decide tirar sua própria vida.Em geral, o suicídio é um ato considerado voluntário pelo qual um indivíduo possui a intenção e provoca a própria morte. Pode ser realizado através de atos como o tiro, envenenamento ou enforcamento, ou por omissão a exemplo da recusa em alimentar-se.
SUICÍDIO NA ANTIGUIDADE
Na civilização romana a morte não era significativa, importante era a forma de morrer: com dignidade e no momento certo. Para os primeiros cristãos, a morte equivalia à libertação, pois a doutrina pregava que a vida era um “vale de lágrimas e pecados”. Nesse momento a morte surgia como um atalho ao paraíso.
Nos séculos V e VI, nos Concílios de Orleans, Braga e Toledo, proibiram as honras fúnebres aos suicidas, e determinaram que mesmo aquele que não tivesse obtido sucesso em uma tentativa deveria ser excomungado. Assim o suicídio passou a ser considerado um crime que poderia implicar na condenação à morte dos que fracassavam.
Os familiares dos suicidas eram deserdados e vilipendiados enfrentando os preconceitos sociais. Apenas na Renascença a humanidade dos suicidas foi reconhecida, o romantismo desse período forjou em torno do tema uma determinada áurea de respeitabilidade.
SUICÍDIO NOS DIAS ATUAIS
Nos dias atuais o suicídio pode ser considerado um problema de saúde pública e segundo Bertolote (2004) representa 1,5% do custo total das doenças para a sociedade e acresenta:
* No mundo suicidam-se diariamente 2.000 pessoas.
* Nos Estados Unidos são 30.000 suicídios por ano (quase 100 por dia).
* No geral, 7% dos suicidas sofrem de dependência alcoólica.
* Aproximadamente 90% de quem tenta, avisa antes.
* Em torno de 70% dos suicídios ocorrem em decorrência de uma fase depressiva.
* Quem já fez uma tentativa, tem 30% mais chances de repetir do que quem nunca tentou.
Nos Estados Unidos os índices de mortes por suicídio são bastante elevados, mas são muito maiores os números referentes às tentativas infrutíferas.
Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que ocorre um suicídio em alguma parte do planeta a cada 40 segundos, mas acredita-se que as estatísticas podem ser reduzidas se houver maior esclarecimento público e vontade política.
SUICÍDIO NO BRASIL
Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde (MS) aponta que, em 2004, alguns estados e capitais brasileiros já apresentavam taxas de suicídio comparáveis aos países com índices preocupantes.
Os números mostram que o problema atinge pessoas de todas as idades. Do total de suicídios registrados em 2004, 103 estavam na faixa de 10 a 14 anos. Entre os jovens de 15 a 19 anos, foram 640 casos. Na faixa de 20 a 29 anos está o maior índice de suicidas: 1.946 pessoas naquele ano.
Do total de pessoas que se suicidaram em 2004, os que tinham idade entre 30 e 39 anos correspondem a 1.712 pessoas.
Somaram 1.459 pessoas os que tinham entre 40 e 49 anos de idade. Entre os idosos, os que tinham entre 50 e 59 anos totalizaram 600. Na faixa etária de 70 a 79 anos, 385 se suicidaram. O número caiu para 150 pessoas entre os que tinham mais de 80 anos de idade.
O estudo, que abrangeu o período de 1994 a 2004, aponta que no Brasil, a taxa de mortalidade por suicídio era de 4,5 mortes por 100 mil habitantes. O Rio Grande do Sul tinha, em 2004, a maior taxa de mortalidade masculina por suicídios: 16,6 casos por 100 mil homens.
Entre as capitais, maior incidência foi em Macapá (AP), com 13,6 suicídios por 100 mil homens. No que diz respeito às mulheres, Mato Grosso do Sul era o estado que apresentava as maiores taxas - 4,2 mortes por 100 mil mulheres e, entre as capitais, Teresina (PI), com taxa idêntica.
O estudo apurou, ainda que, embora a mortalidade no sexo masculino seja mais elevada (em torno de 3,7 mortes de homem para uma morte de mulher), o aumento proporcional das taxas, de 1994 a 2004, foi maior entre o público feminino: de 24,7% para as mulheres e de 16,4% para os homens.
Os dados desse primeiro grande estudo sobre o suicídio contribuíram decisivamente para que o Brasil se tornasse o primeiro país da América Latina a ter uma proposta de ação nacional voltada à prevenção do suicídio por considerá-lo um problema de saúde pública.
ESTRATÉGIA NACIONAL DE PREVENÇÃO DO SUICÍDIO
Considerando o aumento de casos de suicídio na última década, no Brasil, o MS lançou em agosto de 2006, o projeto-piloto da Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio - Amigos da Vida.
O projeto ComViver oferece atenção especializada aos familiares e amigos de pessoas suicidas, com o objetivo de reduzir o impacto dos danos do suicídio nessa população fragilizada, acolhendo-os e acompanhando-os na superação do trauma.
Segundo a OMS, mortes provocadas pela própria vítima interferem na saúde mental, emocional e profissional de cinco a dez pessoas mais próximas.
Com a iniciativa, inédita na América Latina, o Brasil começa a buscar soluções para o enfrentamento desse problema de saúde pública. O projeto conta com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e vem sendo paulatinamente incorporado em toda a rede do Sistema Único de Saúde - SUS.
O documentário "A Ponte", de Erin Steel, retrata como algumas pessoas com problemas de saúde mental procuram a ponte Golden Gate para cometerem suicídio, uma queda de 130m. Durante o ano de 2004, quando foi realizado o filme, Steel registrou 24 quedas. O documentário relatos de amigos e parentes, mostrando como essas pessoas estavam deprimidas ou não se encaixavam na sociedade, além das cenas dos minutos finais dessas vidas. Para assistir o documentário (dividido em seis partes), clique nos links abaixo:
"A Ponte" - Parte 1
"A Ponte" - Parte 2
"A Ponte" - Parte 3
"A Ponte" - Parte 4
"A Ponte" - Parte 5
"A Ponte" - Parte 6
"A Ponte" - Parte 2
"A Ponte" - Parte 3
"A Ponte" - Parte 4
"A Ponte" - Parte 5
"A Ponte" - Parte 6
Fonte: A Gazeta Online
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