Por enquanto, vale a pena ler o material que foi publicado nesse domingo, no portal da entidade.
José Thomé
Em setembro de 2008, a passagem de um ciclone causou sérios estragos à costa do Haiti, deixando diversas cidades alagadas, em torno de 800 mil desabrigados e centenas de mortos. Médicos Sem Fronteiras (MSF), que atua no país desde 1991, montou uma intervenção de emergência para ajudar as vítimas desta catástrofe. Com projetos espalhados pelo país, MSF limpou os locais atingidos, distribuiu medicamentos e reabilitou o centro cirúrgico de Gonaives, uma das cidades mais afetadas.Percebendo a grande demanda, MSF montou também um projeto psicossocial para atender a população haitiana. Nele, trabalhou a psicóloga Débora Noal, de 28 anos, em sua primeira missão com a organização. Além disso, ela fez parte também do projeto de atendimento a mulheres e crianças vítimas de violência sexual. Nesta entrevista, ela conta um pouco mais sobre essa experiência e a atual situação do país.
Quanto tempo durou sua missão?
Débora Noal - Fui em novembro de 2008 e voltei em março de 2009. Participei de dois projetos, o primeiro durante dois meses e o segundo por dois meses e meio.
Que atividades você exercia?
Débora - Em ambos os projetos eu era responsável pela coordenação e supervisão de equipes, atendimento dos casos clínicos mais críticos e formação de profissionais nativos, seguindo os moldes de MSF. A diferença é que, no primeiro projeto, eu coordenava uma equipe de quatro psicólogos haitianos. Nós montamos uma estratégia para urgência de desastre natural, sendo uma parte voltada só para psicologia escolar. Coordenava também a psicologia comunitária e hospitalar. No segundo, eu montei uma estratégia para o ano todo, além de critérios de inclusão dos casos clínicos e estruturação de uma rede de formação de conselheiros sociais.
Quais os principais impactos da passagem do ciclone no país?
Débora - È impressionante. Logo que chegamos, mesmo um mês depois da passagem do ciclone, ainda se viam lagos na cidade, muita lama e várias casas destruídas. Parecia estar um pântano, ao invés de uma cidade. A rua fica cheia de poeira o tempo todo e há muita sujeira visível.
E nas pessoas, do ponto de vista psicológico?
Débora - Do ponto de vista psicológico é interessante observar a capacidade que eles têm de se reerguer mesmo muito abalados. Não foi a primeira vez, nem será a última que uma catástrofe natural acontece no Haiti. Ao mesmo tempo, é possível observar também a perda da vontade de viver de muitos, quando percebem que o entorno se desfez.
Você trabalhou nas cidades de Gonaives e Porto Príncipe. Vocês chegaram a trabalhar em mais de um local?
Débora - Ah, sim. Rodamos muito para explorar terrenos alagados. Fomos também à praia para ver a população que vive perto do mar. O primeiro projeto não teve base fixa, foi feito muito trabalho em escolas, hospitais e albergues. Já no segundo, a base era mais fixa, mas nós andávamos muito para conhecer as pessoas em suas casas, saber como era o funcionamento social.
Há diferenças entre o nível de desenvolvimento da capital, Porto Príncipe e de Gonaives?
Com certeza. Principalmente pela quantidade de organizações internacionais que tabalham na capital, enquanto o interior não tem muitas coisas. Em Gonaives faltam universidades, escolas etc. Os desejos e ambições das duas populações também são muito diferentes apesar de fazerem parte do mesmo país.
Você falou em seu diário de bordo bastante sobre a diversidade cultural. Como foi lidar com isso?
Débora - O comportamento da população é muito diferente da nossa cultura. Pelo contexto sócio-cultural, eles são muito agressivos e mudam rapidamente a intensidade de seus desejos. Ao mesmo tempo, os haitianos são extremamente inteligentes e bem informados, têm conhecimento do que se passa em todo o resto do mundo.
Fonte: Portal MSF.
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