segunda-feira, 6 de abril de 2009

Tratamentos garantem qualidade de vida


A esquizofrenia pode chegar aos poucos, manifestando-se primeiro com ansiedade, afastamento social ou pequenas alucinações. Se não forem tratados, porém, os surtos podem passar a ocorrer ininterruptamente, e o doente entra em um mundo à parte, distante da vida real. A boa notícia é que os tratamentos de hoje costumam ser eficazes e melhoram bastante a qualidade de vida do paciente.

– Os alvos são os sintomas, já que a doença não tem cura. O primeiro passo é usar os antipsicóticos modernos, que reduzem bastante as alucinações – diz a psiquiatra Clarissa Gama.

Esses remédios são administrados de duas maneiras. A mais comum é sob a forma de comprimidos diários. Outra opção são as injeções intramusculares, aplicadas a cada 15 dias ou uma vez por mês. Além do tratamento com medicamentos, os especialistas também recomendam terapia com psicólogos e terapeutas comportamentais. Fora do consultório, o acompanhamento pode continuar com enfermeiros e até educadores físicos. O objetivo é reinserir o paciente na sociedade.

Um dos problemas enfrentados, no entanto, é a queda na capacidade cognitiva (aprendizagem), contrariando a ideia muito difundida de que o esquizofrênico é um candidato a gênio. Casos como o do matemático John Forbes Nash, retratado no filme Uma Mente Brilhante (2001), de Ron Howard, ajudaram a mitificar essa história.

– Só que na vida real é diferente. Acredito que gênios como ele tenham desenvolvido suas teorias antes de a doença se manifestar – explica o psiquiatra Miguel Adad.


Agressividade
Quem sofre com esquizofrenia não costuma ser agressivo com as pessoas, mas pode ameaçar a si mesmo. Cerca de 10% chegam a cometer suicídio quando não estão sendo tratados corretamente. O uso do álcool ou de drogas pode deixar a situação pior. Esses pacientes, ou aqueles com problemas de personalidade antissocial, podem se transformar em uma ameaça também para as pessoas em volta, agredindo-as fisicamente ou se tornando um homicida.
Sintomas
Há mais de 60, mas todos podem ser divididos em quatro grandes áreas. A esquizofrenia é a combinação de manifestações de pelo menos três desses grupos:
- Sintomas positivos:
Alucinações visuais e auditivas, ou seja, ver e ouvir o que não existe
Alteração do pensamento, como delírios, confusão e mania de perseguição
- Sintomas negativos:
Falta de motivação ou iniciativa nas tarefas diárias
Falta de expressividade do afeto
- Sintomas cognitivos:
Inversão da lógica
- Habilidades sociais:
Inaptidão no convívio, por exemplo, usar roupa de lã em dia de forte calor
Falta de autocuidado, como não tomar banho
Tipos de esquizofrenia
- Paranoide: forma mais frequente, com fortes alucinações e delírios. Normalmente, acomete pessoas adultas
- Hebfrênica: também comum, com sintomas de alucinação, mas aparece a partir da adolescência, podendo causar sequelas na vida adulta
- Simples: não ocorrem alucinações nem delírios, mas há reflexos sociais. O portador pode ficar mais isolado, sozinho
- Catatônico: predomínio de sintomas motores, como cansaço e a chamada movimentação cerica, que vem de cera. Neste caso, o doente pode ficar em posições incomuns, como se fosse um boneco de cera

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