quarta-feira, 29 de abril de 2009

Medo da gripe suína aumenta hipocondria – com áudio da Folha Online

Com a possibilidade da gripe suína - cujo nome oficial é "influenza A (H1N1)"- se tornar uma pandemia, pessoas que não estiveram expostas ao vírus podem desenvolver doenças psicossomáticas -reações orgânicas produzidas por influências psíquicas. Em participação especial no Portal Folha Online de hoje, o psiquiatra José Toufic Thomé, coordenador da comissão técnica sobre intervenções em desastres da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) e do Centro Brasileiro de Estudos, Pesquisa e Intervenção e Desastres e Catástrofes (CBEPIDC), afirma que isso pode ocorrer quando, em condições específicas, a população saudável se sente exposta ao risco de morrer em conseqüência de uma doença.

Dados da Comissão de Saúde Mental do Conselho Econômico e Social da ONU (Organização das Nações Unidas) mostram que até 20% da população mundial tende a desenvolver doenças ligadas ao campo da saúde mental, quando expostas a situações extremas. "Todo o estresse leva ao aumento de cortisol, que aumenta o sistema noradrenérgico. Todos esses agentes vão atuar na menor recaptação da serotonina. E isso pode desencadear quadros depressivos", explica o Dr. Thomé, em áudio divulgado através do portal.

O psiquiatra afirma que alguns de seus pacientes que sofrem de distúrbios emocionais já relataram ter receio em ter contraído a doença. "Alguns pacientes já trouxeram o medo de estar com a gripe suína. Você vai deslocando uma ameaça fantasiosa interna para um ameaça real", avalia.

Thomé ainda afirma que quem se preocupa obsessivamente com o próprio estado de saúde também pode acreditar que foi contaminado, mas isto não significa que a pessoa esteja realmente doente. "As pessoas que têm tendências hipocondríacas já se sentem gripadas, com dor de cabeça, e passam a achar que tem os sintomas da gripe suína. Essa pessoa vai ao pronto socorro e ouve: 'você não tem nada, isso é emocional'", comenta.

O médico recomenda que as pessoas que sentirem os sintomas, mesmo que não tenham risco de ter contraído a doença, devem procurar auxílio médico. "Na medida em que você passa a ter sintomas, de alguma forma eles estão expressando algum tipo de sofrimento, seja ele de forma física ou emocional. Acho que vale a pena você ir ao médico, até para se livrar da ameaça", afirma.

OUÇA os comentários do psiquiatra.

Fonte: Folha Online
Seção: Podcast

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