
O contexto social e a cultura americana e europeia de intolerância, na qual os atiradores estavam inseridos, são fatores que podem originar matanças como as ocorridas na Alemanha e nos Estados Unidos, explicam as psicólogas Kátia Maheirie e Letícia Delpizzo.
Os dois casos ocorridos nesta semana teriam em comum a cultura do preconceito, acredita a professora de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Kátia Maheirie.
– Muitas pessoas desses países são arrogantes e acreditam serem melhores do que negros e latinos, por exemplo. Têm a postura de olhar de uma perspectiva superior aos outros, e esse preconceito gera violência. A intolerância se reflete facilmente na violência – analisa Kátia.
A professora, porém, lembra que a violência é determinada por vários fatores e que cada um dos casos precisa ser estudado separadamente. A psicóloga Letícia Delpizzo, que tem formação em terapia familiar, lembra que a cultura americana de competitividade exacerbada também precisa ser analisada neste caso:
– Os americanos têm a necessidade de serem os maiores e mais poderosos. E alguém com uma arma tem poder – diz a psicóloga.
Além da cultura em que os atiradores estavam inseridos, um transtorno de personalidade e o tipo de educação que receberam são fatores que podem ter influenciado nas chacinas.
O pai do alemão Tim Kretschmer, por exemplo, possuía 16 armas em casa. O próprio Tim teria feito parte de um clube de armas e teria dois revólveres em seu nome.
– Essa quantidade de arma na residência e a facilidade de acesso aos revólveres é algo que me espanta. Não se sabe como a família lidava com essa questão – diz Letícia.
A psicóloga também explica que uma pessoa que apresenta problemas de conduta quando criança, como maltratar animais, pode se tornar um psicopata caso não seja tratada na época correta:
– Essa pessoa terá dificuldade de se colocar no lugar dos outros e de se relacionar com terceiros. Podem surgir, assim, os serial killers e, até mesmo, os corruptos – completa.
Em casos semelhantes de chacinas ocorridas nos Estados Unidos, alguns atiradores haviam sido vítima de bullying (atos de violência física ou psicológica praticados, normalmente, contra crianças incapazes de se defender).
– A violência moral que as crianças recebem de seus pares podem incentivar uma vingança. Se um menino não tem um atendimento adequado quando sofre do problema, não tem um apoio emocional, pode acabar elaborando um plano de vingança – explica Letícia.
Fonte: Diário Catarinense
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