
Andamos completamente obcecados pela felicidade, como o provam os quatro mil livros em língua inglesa publicados sobre o assunto no ano de 2008, mais dois mil do que oito anos antes, revela a revista Psychology Today, num artigo da sua última edição.
Um sintoma de que há por aí muita gente que se anda a sentir infeliz, e acredita que a solução para os seus problemas está algures num manual de auto-ajuda. O pior, conclui o artigo, é que ser capaz de dizer/saber o que nos dá felicidade não é dos nossos maiores talentos.
Quantas e quantas vezes acreditamos que está naquela coisa, naquela pessoa, ou naquele acontecimento, para, chegados ao dia e à hora, percebermos que afinal não era nada daquilo que queríamos.
Durante décadas, a psicologia e a psiquiatria interessaram-se sobretudo pela «infelicidade», por tentar perceber a depressão, a ansiedade e todos os estados que nos limitam e angustiam, mas nos anos 90, o psicólogo Martin Serligam veio fazer um apelo: e que tal se estudássemos o que nos faz felizes.
O próprio deitou mãos à obra e criou uma corrente a que deu o nome de psicologia positiva, aquela que se concentra nas coisas boas, e que devem ser cultivadas, em lugar de "perder" demasiado tempo a vasculhar o passado. Os psicólogos Alan Horwitz e Jerome Wakefield abriram uma outra frente e, em claro movimento de contracorrente, publicaram um livro em que defendem que a psiquiatria transformou a tristeza, sentimento humano e fundamental para o nosso crescimento, numa desordem depressiva, a que se seguiu o best-seller de Eric Wilson que intitulou a sua obra Contra a Felicidade.
Acusação: estamos a tentar abolir a tristeza do repertório dos nossos comportamentos, e basicamente um homem sempre feliz é uma criatura superficial, sem consciência de que a beleza da existência está nos seus paradoxos. Mais ainda, quem julga que vai conseguir viver sem obstáculos, desilusões e perdas é um alienado da realidade.
Bem vistas as coisas, dizem aquilo que a nossa mãezinha já nos dizia: é preciso encontrar sentido para a vida, potenciar os nossos talentos, darmo-nos aos outros e construir rela-ções fortes. Com crise ou sem ela.
Fonte: Destak
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