terça-feira, 10 de dezembro de 2013

ONU: Ensinamentos de Mandela continuarão orientando o trabalho das Nações Unidas


O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegou em Joanesburgo na tarde desta segunda-feira (9) onde se juntou a dezenas de pessoas que comparecerão ao funeral oficial do ex-presidente sul-africano, Nelson Mandela, hoje.

Mandela, carinhosamente conhecido como “Madiba”, morreu na quinta-feira (5). Defensor de direitos humanos, prisioneiro de consciência, pacificador internacional e o primeiro presidente democraticamente eleito após o apartheid da África do Sul, ele tinha 95 anos.

“Nós nos unimos na tristeza de uma tremenda perda e na celebração de uma grande vida”, disse Ban, em sua declaração no Centro de Memória Nelson Mandela, que é um museu. “Os princípios de Nelson Mandela em defesa da igualdade fundamental de todos os seres humanos foram decisivos para acabar com o sistema do apartheid”, disse Ban.

O secretário-geral saudou Mandela como “um parâmetro para a justiça, a igualdade e os direitos humanos”, acrescentando que ele era mais do que um dos maiores líderes do mundo, “ele era um professor, que ensinava praticando seus métodos”.

Ban lembrou da visita que fez a Mandela em sua casa, em fevereiro de 2009, e como ficou “profundamente comovido” pelo seu jeito de colocar o bem-estar dos outros em primeiro lugar, pela sua humildade, modéstia, mente humilde e decência humana. “É essa sabedoria que podemos usar hoje nos esforços para ajudar, acabar com conflitos armados, proteger os direitos humanos e criar um mundo melhor pelo qual Nelson Mandela lutou tanto.”

“O povo da África do Sul e povos de todo o mundo perderam um herói. Seu legado é profundo, imortal e vai continuar orientando o trabalho das Nações Unidas.”

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

ONU lamenta morte de Mandela, uma ‘fonte de inspiração’ e ‘gigante da justiça’



O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lamentou na noite desta quinta-feira (5) a morte do líder sul-africano Nelson Mandela.

Para Ban, Mandela foi “uma figura singular” no cenário global – um homem de “dignidade calma e realização imponente”, um “gigante da justiça e uma fonte humana de inspiração”.

Leia abaixo a declaração na íntegra, em português, de Ban Ki-moon, e assista à coletânea de vídeos sobre Mandela.

"Nelson Mandela foi uma figura singular no cenário global – um homem de dignidade calma e realização imponente, um gigante da justiça e uma fonte humana de inspiração.

Estou profundamente triste com a sua morte. Em nome das Nações Unidas, estendo minhas mais profundas condolências ao povo da África do Sul e, especialmente, à família de Nelson Mandela e entes queridos.

Muitos por todo o mundo foram fortemente influenciados por sua luta altruísta pela dignidade humana, igualdade e liberdade. Ele tocou nossas vidas de maneiras profundamente pessoais. Ao mesmo tempo, ninguém fez mais em nosso tempo para fazer avançar os valores e aspirações das Nações Unidas.

Nelson Mandela dedicou sua vida ao serviço do seu povo e da humanidade, e ele o fez com grande sacrifício pessoal. Sua posição de princípios e a força moral que sustentou foram decisivos no desmantelamento do sistema de apartheid.

Notavelmente, ele ressurgiu após 27 anos de detenção sem rancor, determinado a construir uma nova África do Sul com base no diálogo e na compreensão. A Comissão da Verdade e da Reconciliação estabelecida sob a sua liderança continua a ser um modelo para alcançar a justiça nas sociedades que confrontam um legado de violações dos direitos humanos.

Na luta de décadas contra o apartheid, as Nações Unidas estavam lado a lado com Nelson Mandela e com todos aqueles na África do Sul que enfrentaram o racismo e a discriminação implacáveis. Seu discurso em 1994 a Assembleia Geral da ONU como o primeiro presidente democraticamente eleito de uma África do Sul livre foi um momento decisivo.

A Assembleia declarou 18 de julho, seu aniversário, como o Dia Internacional Nelson Mandela, uma celebração anual em que reconhecemos e procura,ps desenvolver a sua contribuição para a promoção de uma cultura da paz e da liberdade em todo o mundo.

Tive o privilégio de conhecer Nelson Mandela em 2009. Quando eu lhe agradeci pelo trabalho de sua vida, ele insistiu que o crédito pertencia a outros. Fiquei muito emocionado por seu altruísmo e profundo senso de propósito comum.

Nelson Mandela mostrou o que é possível para o nosso mundo e dentro de cada um de nós – se nós acreditarmos, sonharmos e trabalhar juntos.

Vamos continuar a cada dia a nos inspirarmos em seu exemplo ao longo da vida e seu chamado para nunca deixar de trabalhar por um mundo melhor e mais justo.”

Ban Ki-moon
Secretário-geral da ONU
5 de dezembro de 2013.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Reportagem sobre psicose pós-parto


Mães que quiseram matar filhos falam dos perigos da psicose pós-parto.

A psicose pós-parto, uma doença mental devastadora, mas pouco compreendida, afeta uma em cada 500 mães e pode resultar em suicídio ou mesmo em assassinato de bebês.

O período que sucede o parto é o momento em que as mulheres estão mais propensas a doenças mentais, tais como depressão ou psicose. Mas há tratamento.

A BBC entrevistou pessoas afetadas por esta doença que, muitas vezes, passa despercebida porque médicos e enfermeiras não estão preparados para identificar os sintomas ou porque, por medo do estigma, é escondida pelas mães.

A maioria das mulheres com a psicose pós-parto não tem história familiar ou pessoal de doença mental, alertam os especialistas.

'Estava cheia de vontade de matá-lo'

Jo Lyall era uma dessas mulheres. Depois que seu segundo filho, Finlay, nasceu, Jo passou por um episódio assustador. Uma noite, poucos dias depois de deixar o hospital, ela esteve a ponto de estrangular o bebê: "Coloquei ele adormecido na cama ao meu lado, e meu cérebro simplesmente desligou", disse ela. "Era como se alguém tivesse desligado um interruptor na minha cabeça, e eu olhei para ele e estava cheia de vontade de matá-lo."

"Eu coloquei minha mão em seu pescocinho, ainda não forte o suficiente para manter a própria cabeça, e comecei a apertar. Eu não queria machucá-lo. Sabia que não devia fazer isso, mas eu queria saber se era capaz". Jo sabia que algo estava errado, mas tinha medo de procurar ajuda, por pensar que perderia a guarda dos filhos.

Sem tratamento, ela começou a planejar como matar a si e seus dois filhos. "Um dia, pensei em sufocar os garotos enquanto eles dormiam após o almoço", disse ela. "Tinha que ter certeza de que os meninos e o cachorro estariam mortos antes que eu tirasse minha própria vida, porque eu não podia arriscar que sobrevivessem sem mim", acrescentou.

o fez várias tentativas de suicídio, mas depois de seis meses em um hospital psiquiátrico e quatro anos sob medicação, está totalmente recuperada. Ela faz campanha pela maior consciência dos sintomas de psicose pós-parto, para permitir que médicos e parteiras ofereçam um melhor tratamento para mulheres doentes. "Eu sobrevivi, em grande parte, devido a um médico e a uma quantidade extraordinária de sorte", disse ela. "Mas as mulheres não deveriam ter que confiar na sorte para sobreviver a uma condição tratável".

'Tinha desejo de machucá-lo'

Os especialistas não sabem a causa exata de psicose pós-parto, embora acredite-se que as grandes mudanças hormonais que se seguem ao nascimento do bebê tenham um papel importante, juntamente com a genética. A proporção de jovens mães em risco é grande. E mulheres com transtorno bi-polar têm 50% de chances de se tornar gravemente doentes nas semanas após o parto.

Shelley Blanchard estava nesta categoria. Por isso, sua equipe médica não só monitorou sua saúde física enquanto o nascimento do bebê se aproximava, como também o seu bem-estar psicológico. Shelley foi apoiada nos estágios finais de sua gravidez e nos primeiros meses da maternidade por uma equipe que incluía o Dr. Nick Best, psiquiatra perinatal especializado em cuidar de mulheres grávidas e jovens mães com problemas de saúde mental.

Best fez visitas regulares a Shelley, assim como a enfermeira psiquiátrica de sua comunidade. "Uma pessoa pode passar da situação normal à psicótica, delirante e paranoica no espaço de apenas dois ou três dias", disse Best.

Shelley também começou um tratamento com drogas anti-psicóticas na mesma noite que ela deu à luz o bebê Oliver. Mas algumas semanas depois do nascimento, o humor de Shelley começou a piorar e ela parou de tomar os medicamentos anti-psicóticos porque a deixavam sonolenta. "Comecei a ter pensamentos desagradáveis sobre Oliver, tinha desejo de machucá-lo, de jogá-lo pelas escadas ou soltá-lo de propósito", disse ela.

"Eu estava tão assustada, não queria machucar meu filho, mas os pensamentos foram ficando mais fortes e mais frequentes, então tive que buscar ajuda." Ela contatou a equipe médica e foi internada em uma unidade especial em Winchester, onde as mães e seus bebês podem ser mantidos em segurança durante o tratamento.

Três meses mais tarde, Oliver e Shelley estavam em casa novamente, recuperados. "Se eu não tivesse ido para a unidade, acho que provavelmente teria acabado por tomar uma overdose, e teria possivelmente me matado. Eu estava fora de controle", disse Shelley à época.

"Foi um tempo tão sombrio, mas consegui aprender um pouco mais sobre mim. Estou realmente me sentindo muito bem agora, poderia até dizer que estou me sentindo fantástica."

Pai perdeu mulher e filha

Dave Emson sabe como a psicose pós-parto pode ser grave - quando sua filha Freya tinha apenas três meses de idade, sua esposa Daksha matou o bebê a facadas e colocou fogo em seu quarto. Daksha morreu em consequência das queimaduras quase três semanas mais tarde. "Cheguei em casa por volta das cinco e meia ou mais, e quando cheguei à porta da frente senti um cheiro de queimado", disse Dave ao recordar o dia em que a tragédia aconteceu.

"Normalmente, ao entrar eu dizia 'Daksha, querida, estou em casa' e ela respondia e eu ouvia o balbuciar do bebê. Mas naquele dia houve um silêncio. Daksha deixou um bilhete falando de seus temores de que a filha do casal fosse vítima de "forças das trevas" e de seu desejo de proteger Freya a todo custo. Daksha tinha estudado psiquiatria e estava prestes a se tornar consultora quando morreu. Ela tinha escolhido a carreira em parte porque sofrera de depressão grave por anos, mas poucas pessoas sabiam de sua condição, já que ela tinha medo do estigma que traria.

O inquérito sobre sua morte levou a novas diretrizes no sistema de saúde britânico para o tratamento de funcionários com doença mental. Dave agora escreve um livro sobre sua história - para ajudar outras pessoas em situação semelhante: "Primeiramente, é uma forma de Daksha falar através de mim, de falar com pessoas que estão sofrendo, companheiros trabalhadores da área de saúde mental, pessoas que estão sofrendo com as condições de saúde mental, para que saibam que não estão sozinhas", disse ele.

reportagem divulgada através da BBC Brasil, em agosto de 2012.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

TEORIA DAS JANELAS PARTIDAS

Há alguns anos, a Universidade de Stanford (EUA), realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor, abandonadas na via pública. Uma no Bronx, zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia. Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. A viatura abandonada em Palo Alto, entretanto, manteve-se intacta.

Mas a experiência em questão não terminou aí. Quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os pesquisadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto. O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Por quê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso? Evidentemente, não é devido à pobreza, é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação. Faz quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras. Induz ao “vale-tudo”. Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa idéia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Baseados nessa experiência, foi desenvolvida a ‘Teoria das Janelas Partidas’, que conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores. Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se desenvolverão delitos e violência.

Na mesma linha de raciocínio, se cometem ‘pequenas faltas’ (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar com o sinal vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.

Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas, estes mesmos espaços serão progressivamente ocupados pelos delinquentes.

A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. O início foi dedicado ao combate das pequenas transgressões: lixo jogado no chão das estações, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de ‘Tolerância Zero’. A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão ‘Tolerância Zero’ soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinqüente, pois aos dos abusos de autoridade da polícia deve-se também aplicar-se a tolerância zero. Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito.Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

Essa é uma teoria interessante e pode ser comprovada em nossa vida diária, seja em nosso bairro, na rua onde vivemos.

A tolerância zero colocou Nova York na lista das cidades seguras. Esta teoria pode também explicar o que acontece aqui no Brasil com corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, etc.



Texto divulgado no blog da Clínica Alamedas, de São Paulo.


Acesse o texto completo (em inglês) da Teoria das Janelas Partidas, escrito por James Q. Wilson e George L. Kelling.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Orgasmo feminino tem efeito terapêutico, sugere pesquisador

O orgasmo feminino pode ter um efeito terapêutico. Quem diz é o psicólogo americano Barry Komisaruk, professor da Universidade Rutgers, de Nova Jersey, que já passou 30 de seus 72 anos investigando os benefícios do prazer sexual no bem-estar das mulheres.

Seu último estudo demonstra que o clímax estimula todas as principais áreas do cérebro e tenta encontrar possíveis usos terapêuticos do estímulo vaginal.

No atual estágio, os estudos de Komisaruk estão concentrados em verificar se o prazer sexual pode ajudar no tratamento de pacientes com ansiedade, depressão ou dependências.

Durante sua pesquisa, Komisaruk colocou suas pacientes em câmaras de ressonância magnética com a recomendação de estimular suas partes íntimas até alcançar o orgasmo.

O monitoramento cerebral desse processo o levou a algumas conclusões interessantes, que Komisaruk compartilhou nesta entrevista telefônica com a BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

BBC - O que acontece no cérebro de uma mulher durante um orgasmo?

Barry Komisaruk - Há um enorme aumento da atividade. O que averiguamos é que durante o orgasmo há um aumento impressionante do fluxo de sangue e de oxigênio na cabeça, ambos nutrientes muito benéficos para o cérebro.

BBC - Como é sua análise do cérebro?

Komisaruk - Monitoramos sua atividade durante o clímax e observamos quais zonas são ativadas quando a mulher tem um orgasmo. Já vimos que seus efeitos benéficos chegam a todos os sistemas principais do cérebro. Eu me refiro ao sistema sensorial, ao sistema de coordenação motora, etc.

BBC - Seu estudo menciona que conhecer os efeitos do orgasmo na nossa cabeça pode ajudar a superar a depressão, a ansiedade ou o vício. Como?

Komisaruk - É precisamente isso que queremos comprovar. Para isso, permitimos que a paciente veja a própria análise de seu cérebro ao vivo. Estamos no processo de averiguar se visualizar os processos de nossa mente ajuda a controlá-la. Há uma zona chamada núcleo accumbens que é a área do prazer.

Essa área é ativada pela nicotina, pelo chocolate, pela cocaína e também pelos orgasmos. A minha pergunta é: podemos ensinar a nós mesmos como aumentar conscientemente a atividade nesse núcleo observando seu funcionamento? Que efeito teria isso em pacientes com depressão ou ansiedade?

BBC - Quão conhecidos são os efeitos do orgasmo na saúde?

Komisaruk - Praticamente não há estudos. Este é o primeiro que se faz sobre suas consequências sobre o cérebro. O que já se estudou é o resultado do orgasmo no coração da mulher e também os benefícios do orgasmo masculino para evitar o câncer de próstata.

Comprovou-se que as mulheres que tinham mais orgasmos gozavam de uma melhor saúde cardíaca. O estudo em homens mostrou que os que tinham menos orgasmos não haviam liberado substâncias tóxicas que estavam acumuladas na próstata pela ausência de ejaculação. Esse fator os faz mais propensos ao câncer.

BBC - Quando acredita que seu conhecimento sobre o cérebro será suficiente para oficializar uma prescrição médica de orgasmos?

Komisaruk - Eu já recomendo. Mas para conseguir que isso seja feito de maneira regular são necessárias mais pesquisas. Dependerá das descobertas que façamos no futuro.

BBC - É fácil conseguir dinheiro para pesquisar a sexualidade?

Komisaruk - É muito difícil. As entidades que financiam são reticentes em dar dinheiro para estudos sobre o prazer e o sexo. Em parte porque enfrentam a pressão social. O governo não quer se envolver com pesquisas sobre a sexualidade por temor de ser criticado com o argumento de que há problemas mais sérios.

BBC - Por que está interessado no orgasmo da mulher e não do homem? Há muita diferença entre os dois?

Komisaruk - Há mais semelhanças que diferenças. A razão pela qual comecei a me interessar pelo orgasmo feminino foi que encontrei evidências de que o estímulo vaginal tem a capacidade de bloquear a dor sem necessidade sequer de alcançar o orgasmo.

Demonstramos que ambos os prazeres atuam como calmante, mas que o orgasmo é mais efetivo que a simples estimulação.

A partir disso, muitas mulheres me disseram que utilizam a estimulação vaginal para reduzir o mal-estar da menstruação ou a dor provocada pela prática de esportes. E isso funciona para elas.

BBC - Então a estimulação vaginal pode aliviar a dor a longo prazo ou somente a curto prazo?

Komisaruk - Meus estudos somente conseguiram estabelecer que o orgasmo reduz a dor menstrual imediatamente e pode ter um efeito por horas.
O alívio das dores nas costas é outro efeito benéfico da estimulação vaginal e dos orgasmos.

Entrevista divulgada através do portal da BBC.

Leia também: "Orgasmo ajuda a prevenir doenças físicas e mentais, diz estudo"

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Depressão é 2ª maior causa global de invalidez, diz estudo

A depressão é a segunda causa mais comum de invalidez em todo o mundo, atrás somente de dores nas costas, segundo um estudo recém-publicado.

O estudo, publicado na revista científica PLOS Medicine, comparou a depressão clínica com mais de outras 200 doenças e lesões apontadas como causas de invalidez.

Segundo os autores da pesquisa, a doença deve ser tratada como uma prioridade de saúde pública global.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, globalmente apenas uma pequena proporção dos pacientes com depressão tem acesso a tratamento.

Apesar de ser globalmente classificada como segunda principal causa de invalidez, a depressão tem um impacto variado dependendo do país e da região.

A incidência de depressão é maior em países como Afeganistão, Rússia e Turquia e menor em locais como Austrália, China, México, Japão e Grã-Bretanha.

O Brasil, assim como os demais países da América do Sul, são classificados como nações de incidência média de depressão, assim como países como Estados Unidos, Índia, a maior parte da Europa e da África.

'Mais atenção'

"A depressão é um grande problema e nós definitivamente precisamos prestar mais atenção a isso do que estamos prestando agora", afirmou a coordenadora do estudo, Alize Ferrari, da Escola de Saúde Populacional da Universidade de Queensland, na Austrália.

"Ainda há mais trabalho a fazer em termos de conscientização sobre a doença e também em descobrir formas de tratá-la com sucesso", disse. "O peso da doença é diferente entre os países. Ele costuma ser maior em países de renda média ou baixas e menor em países de alta renda", observou.

Segundo ela, as autoridades já fizeram um grande esforço para conscientizar sobre a doença, mas "ainda há muito estigma associado à saúde mental".

"O que uma pessoa reconhece como causa de invalidez pode ser diferente de outra pessoa e pode ser diferente entre os países também. Há muitas implicações culturais e interpretações envolvidas, o que torna mais importante aumentar a conscientização sobre o tamanho do problema e também os sinais de como detectar isso", diz.

Os dados - do ano 2010 - seguem os padrões de outros estudos semelhantes realizados em 1990 e em 2000 sobre depressão em todo o mundo.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Fome e sede ameaçam sobreviventes de tufão nas Filipinas

O cenário em Tacloban é de devastação. Na rua principal da cidade, de cerca 280 mil habitantes antes da tragédia, dezenas de corpos se decompõem a céu aberto.

Três dias após a passagem do tufão Haiyan, ainda não foram enterrados.

Até 10 mil pessoas podem ter morrido apenas em Tacloban, além de centenas em outros lugares.

Em meio aos escombros do aeroporto da cidade, foi montado um hospital improvisado. Muitos dos pacientes são tratados sem anestesia.

As pessoas que esperam no local estão desesperadas para deixar a região, em qualquer avião que possam encontrar. Centenas de pessoas esperam no aeroporto por qualquer ajuda que possa chegar.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

As 10 profissões que mais atraem psicopatas.

SEGUNDO A PUBLICAÇÃO BRITÂNICA THE WEEK,
CEO É A PROFISSÃO QUE MAIS POSSUI PSICOPATAS

Ter um colega de trabalho psicopata pode ser mais comum do que se imagina e isso não significa que alguém será cortado com uma serra elétrica. Falta de empatia, tendência à insensibilidade, desprezo pelos sentimentos de outras pessoas, irresponsabilidade, irritabilidade e agressividade são as principais características da psicopatia, um transtorno de personalidade antissocial.

A publicação britânica The Week divulgou duas listas: uma com as profissões que mais possuem psicopatas e outra com as que possuem menos psicopatas.


Profissões com
MAIS
psicopatas
Ranking da
The Week
Profissões com
MENOS
psicopatas
CEO
Cuidador
Advogado
Enfermeiro
Profissional de Mídia
(TV/Rádio)
Terapeuta
Vendedor
Artesão
Cirurgião
Estilista
Jornalista
Voluntário
Policial
Professor
Líder Religioso
Artista
Chef
Médico
Funcionário Público
10º
Contador


O site da revista justifica o ranking da lista de profissões que possuem menos psicopatas. Segundo a publicação, essas atividades precisam de conexão humana e, por sua própria natureza, os psicopatas não seriam atraídos por elas.

Por outro lado, a maioria das funções que atraem mais psicopatas requerem capacidade de tomar decisões objetivas, sem usar os sentimentos. "Psicopatas seriam atraídos para esses papéis e iriam prosperar", afirma a The Week.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Orgasmo ajuda a prevenir doenças físicas e mentais, diz estudo


"Uma sinfonia do cérebro" ou "um show de fogos artificiais". Estas são alguns dos termos usados pelos cientistas para se referir à resposta do cérebro ao momento do orgasmo. Mas embora o prazer proporcionado por essa sensação seja de conhecimento geral, quais são os benefícios para a saúde?

Magdalena Salamanca, psicanalista especializada em sexo baseada na Espanha, disse à BBC que a ausência do prazer sexual pode provocar doenças e transtornos mentais.

"É importante porque o orgasmo é a satisfação de um dos instintos mais importantes do ser humano, que é o sexual", diz.

Ela destacou ainda que muitos dos problemas de cunho social ou profissional estão vinculados à insatisfação sexual. "Por exemplo, a ansiedade é um dos transtornos mais relacionados com a ausência do orgasmo".

Além disso, a psicóloga Ana Luna disse que "fisiologicamente, a descarga de muitas tensões que o ser humano acumula se produz por meio do orgasmo".

Atividade cerebral

Há alguns meses, cientistas da Universidade de Rutgers, no Estado americano de Nova Jersey, determinaram que o orgasmo ativa mais de 80 diferentes regiões do cérebro.

Utilizando imagens de ressonância magnética do cérebro de uma mulher de 54 anos enquanto tinha um orgasmo, os cientistas descobriram que no ato quase todo o cérebro se torna amarelo, o que indica que o órgão está praticamente todo ativo.

Os níveis de oxigênio no cérebro também refletem um espectro que vai desde o vermelho intenso até um amarelo claro, e isto tem um impacto em todo organismo.

Benefícios para a saúde

"Há outros benefícios porque todo esse sangue oxigenado que flui pelo corpo chega aos microssensores da pele e vai para todos os órgãos", diz a psicóloga Ana Luna.

Já Magdalena Salamanca destaca que a saúde física e psíquica estão muito vinculadas à satisfação sexual proporcionada pelo orgasmo, o que o estudo da Universidade Rutgers parece comprovar.

A pesquisa mostrou como a atividade cerebral iniciada pelo orgasmo se propaga por todo o sistema límbico, relacionado às emoções e à personalidade.

Por isso, psicólogos como Ana Luna acreditam que o orgasmo é uma parte essencial de uma personalidade sadia.

"Quando você não tem orgasmo toda essa energia fica represada", diz a estudiosa, acrescentando que muitas vezes a ausência do prazer sexual torna a pessoa irritadiça, triste, rabugenta e até mesmo com dificuldades para sorrir.

Informação divulgada através do portal BBC.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Feminicídios: a violência fatal contra a mulher


A violência contra as mulheres continua revelando
casos aterradores e estatísticas alarmantes.

Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea, estima que somente no período entre 2001 e 2011, tenham ocorrido mais de 50 mil feminicídios, o que equivale a, aproximadamente, 5 mil mortes ao ano. E apesar de não existirem estimativas nacionais oficiais sobre a proporção de mulheres que são assassinadas por parceiros ( ! ), acredita-se que grande parte desses crimes formam decorrentes de violência doméstica e familiar contra a mulher, uma vez que um terço deles ocorreram no próprio domicílio das vítimas.

Na versão condensada do estudo (disponível nos ARQUIVOS da Rede Ecobioética), há muitas boas informações estatísticas. E as quatro pesquisadoras responsáveis pelo trabalho publicarão a versão completa do estudo como Texto para Discussão - TD Ipea (no link).

Leitura muito recomendável.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Campanha quer por fim a uso de hienas para tratar doentes mentais na Somália

A Somália tem um dos maiores números de doentes mentais do mundo e com um sistema de saúde devastado por décadas de guerra, muitos pacientes não recebem qualquer tratamento. Muitos são acorrentados – em árvores ou em casa. Alguns são até trancados em jaulas com hienas. Mas um homem está tentando mudar este cenário.

Dr. Hab não é um psiquiatra. Seu nome real é Abdirahman Ali Awale, um enfermeiro que, após três meses de treinamento na Organização Mundial da Saúde (OMS), abraçou a missão de cuidar dos que sofrem de doenças mentais em seu país. Ele diz estar apto a tratar todos os tipos de distúrbios, desde depressão pós-parto à esquizofrenia.

Quem não quer fazer uma consulta com Dr. Hab pode fazer uma visita aos populares curandeiros que usam erva medicinais para tratar doenças mentais ou "sheiks" que ainda advocam curas tradicionais e normalmente barbáricas.

"Há uma crença na Somália de que hienas podem ver tudo, inclusive os espíritos malignos que as pessoas apontam como causadores das doenças mentais", diz ele.

"Em Mogadishu, é possível encontrar hienas que foram trazidas de bosques e famílias estão dispostas a pagar US$ 560 (R$ 1,2 mil) para trancar um ente querido junto com o animal dentro de um quarto durante a noite"

Mordidas

O "tratamento" com hienas - que custa mais do que as famílias ganham em média por ano – é brutal. Ao cravar suas garras e morder o paciente, a hiena estaria forçando os maus espíritos a deixar o corpo. Pacientes, inclusive crianças, já morreram em ataques do animal carnívoro.

"Estamos tentando mostrar às pessoas que isso não faz sentido", diz Hab. "Doenças mentais são como qualquer outra e precisam de métodos científicos para serem curadas", afirma.

A campanha do enfermeiro foi desencadeada por um incidente em 2005, quando ele testemunhou um grupo de mulheres com distúrbios mentais sendo perseguidas por jovens na rua.

"Depois disso eu decidi que teria de abrir o primeiro hospital psiquiátrico da Somália", relembra.

O Hospital Público de Saúde Mental (Habeb) em Mogadishu foi o primeiro dos seis centros que hoje Dr. Hab mantém toda a Somália, tendo atendido mais de 15 mil pacientes.

Ele enfrenta um grande desafio. A OMS estima que um em cada três somalis esteja ou tenha sido afetado por doenças mentais, bem acima da média global de um para dez. Em certas partes do país mais atingidas por décadas de conflito, este índice é ainda maior.

Dr.Hab diz que não dispõe de muitos recursos para tratar os pacientes, contando com doações de medicamentos por parte de ONGs e de farmácias particulares. Acorrentados

Ele diz que é difícil fazer os pacientes entenderem que sofrem de problemas mentais. Problemas psicológicos são geralmente explicados como dores físicas – dores de cabeça, excesso de suor e dor no peito. Alguns conceitos nem existem na cultura somali. Depressão, por exemplo, se traduz como "os sentimentos de um camelo quando seu amigo morre".

Mas nada é mais indicativo sobre a falta de entendimento da população sobre doenças mentais do que a prática disseminada de acorrentar pacientes em árvores ou em quartos.

A ONG italiana GRT tem registros de pacientes que ficaram acorrentados até morrer.

"Eu mesmo já salvei muitos pacientes que foram abandonados pela família e ficam acorrentados esperando a morte", diz Hab, que percorre áreas rurais em uma van em busca de pessoas acorrentadas para libertá-las e conduzi-las a um de seus centros.

A OMS financia a iniciativa "Livre das Correntes" em uma tentativa de erradicar a prática, começando pelos hospitais. Mas o próprio Hab admite já ter acorrentado os pacientes mais agressivos.

Hab mostra uma planilha com todos os itens de que necessita em seus centros – novos colchões, comida para os pacientes e diesel para sua van. Segundo ele, há também uma carência de enfermeiros e psiquiatras qualificadas. A luta diária para prover o tratamento adequado para seus pacientes e o sofrimento que ele testemunha está claramente afetando sua saúde.

"É um trabalho muito difícil físico e mentalmente", diz ele. "Eu era saudável quando comecei e agora sofro de diabetes".

"Eu já chorei na TV, já chorei em público, já chorei diante de presidentes", diz ele. "Até agora eu estou com vontade de chorar".