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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

As 10 profissões que mais atraem psicopatas.

SEGUNDO A PUBLICAÇÃO BRITÂNICA THE WEEK,
CEO É A PROFISSÃO QUE MAIS POSSUI PSICOPATAS

Ter um colega de trabalho psicopata pode ser mais comum do que se imagina e isso não significa que alguém será cortado com uma serra elétrica. Falta de empatia, tendência à insensibilidade, desprezo pelos sentimentos de outras pessoas, irresponsabilidade, irritabilidade e agressividade são as principais características da psicopatia, um transtorno de personalidade antissocial.

A publicação britânica The Week divulgou duas listas: uma com as profissões que mais possuem psicopatas e outra com as que possuem menos psicopatas.


Profissões com
MAIS
psicopatas
Ranking da
The Week
Profissões com
MENOS
psicopatas
CEO
Cuidador
Advogado
Enfermeiro
Profissional de Mídia
(TV/Rádio)
Terapeuta
Vendedor
Artesão
Cirurgião
Estilista
Jornalista
Voluntário
Policial
Professor
Líder Religioso
Artista
Chef
Médico
Funcionário Público
10º
Contador


O site da revista justifica o ranking da lista de profissões que possuem menos psicopatas. Segundo a publicação, essas atividades precisam de conexão humana e, por sua própria natureza, os psicopatas não seriam atraídos por elas.

Por outro lado, a maioria das funções que atraem mais psicopatas requerem capacidade de tomar decisões objetivas, sem usar os sentimentos. "Psicopatas seriam atraídos para esses papéis e iriam prosperar", afirma a The Week.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Opinião: Eleições na ABP

O papel das Federadas na visão da Chapa 2 / ABP Plural - grupo que se apresenta como alternativa à atual gestão da Associação Brasileira de Psiquiatria?

No bate papo: Hélio Lauar candidato à presidência da ABP pela Chapa 2, Miguel Roberto Jorge (ex-presidente da ABP) e Alexandre Pereira, psiquiatra associado da Entidade.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Charge: Políticas públicas


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Charge: Programa Mais Médicos



A charge acima foi criada pelo desenhista e músico Júnior Lima, que já teve passagem por diversos jornais de Manaus. Atualmente, Jr. Lima desenvolve seu trabalho nos jornais Diário do Amazonas, Dez Minutos, agências e editoras de livros.

Acesse o blog do artista.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Opinião: política de Saúde

Dilma, deixa eu te falar uma coisa!

Este ano completo 7 anos de formada pela Universidade Federal Fluminense e desde então, por opção de vida, trabalho no interior. Inclusive hoje, não moro mais num grande centro. Já trabalhei em cada canto...

Você não sabe o que eu já vi e vivi, não só como médica, mas como cidadã brasileira. Já tive que comprar remédio com meu dinheiro, porque a mãe da criança só tinha R$ 2,00 para comprar o pão.

Por que comprei?

Porque não tinha vaga no hospital para internar e eu já tinha usado todos os espaços possíveis (inclusive do corredor!) para internar os mais graves.

Você sabe o que é puxadinho?

Agora, já viu dentro de enfermaria? Pois é, eu já vi. E muitos.
Sabe o que é mãe e filho dormirem na mesma maca porque simplesmente não havia espaço para sequer uma cadeira?

Já viu macas tão grudadas, mas tão grudadas, que na hora da visita médica era necessário chamar um por um para o consultório porque era impossível transitar na enfermaria?

Já trabalhei num local em que tive que autorizar que o familiar trouxesse comida (não tinha, ora bolas!) e já trabalhei em outro que lotava na hora do lanche (diga-se refresco ralo com biscoito de péssima qualidade) que era distribuído aos que aguardavam na recepção.

Já esperei 12 horas por um simples hemograma. Já perdi o paciente antes de conseguir um mera ultrassonografia. Já vi luva descartável ser reciclada. Já deixei de conseguir vaga em UTI pra doente grave porque eu não tinha um exame complementar que justificasse o pedido.

Já fui ambuzando um prematuro de 1Kg (que óbvio, a mãe não tinha feito pré natal!) por 40 Km para vê-lo morrer na porta do hospital sem poder fazer nada. A ambulância não tinha nada...

Tem mais, calma! Já tive que escolher direta ou indiretamente quem deveria viver. E morrer...

Já ouvi muito desaforo de paciente, revoltando com tanto descaso e que na hora da raiva, desconta no médico, como eu, como meus colegas, na enfermeira, na recepcionista, no segurança, mas nunca em você.

Já ouviu alguém dizer na tua cara: meu filho vai morrer e a culpa é tua? E a culpa nem era minha, mas era tua, talvez. Ou do teu antecessor. Ou do antecessor dele...

Já vi gente morrer! Óbvio, médico sempre vê gente morrendo, mas de apendicite, porque não tinha centro cirúrgico no lugar, nem ambulância pra transferir, nem vaga em outro hospital?

Agonizando, de insuficiência respiratória, porque não tinha laringoscópio, não tinha tubo, não tinha respirador?

De sepse, porque não tinha antibiótico, não tinha isolamento, não tinha UTI?

A gente é preparado pra ver gente morrer, mas não nessas condições.

Ah Dilma, você não sabe mesmo o que eu já vi! Mas deixa eu te falar uma coisa: trazer médico de Cuba, de Marte ou de qualquer outro lugar, não vai resolver nada!
E você sabe bem disso. Só está tentado enrolar a gente com essa conversa fiada. É tanto descaso, tanta carência, tanto despreparo...

As pessoas adoecem pela fome, pela sede, pela falta de saneamento e educação e quando procuram os hospitais, despejam em nós todas as suas frustrações, medos, incertezas...

Mas às vezes eu não tenho luva e fio pra fazer uma sutura, o que dirá uma resposta para todo o seu sofrimento!

O problema do interior não é falta de médico. É falta de estrutura, de interesse, de vergonha na cara. Na tua cara e dessa corja que te acompanha!

Não é só salário que a gente reivindica. Eu não quero ganhar muito num lugar que tenha que fingir que faço medicina. E acho que a maioria dos médicos brasileiros também não.

Quer um conselho?

Pare de falar besteira em rede nacional e admita: já deu pra vocês!

Eu sei que na hora do desespero, a gente apela, mas vamos combinar, você abusou!

Se você não sabe ser "presidenta", desculpe-me, mas eu sei ser médica, mas por conta da incompetência de vocês, não estou conseguindo exercer minha função com louvor!

Não sei se isso vai chegar até você, mas já valeu pelo desabafo!

Autora: Fernanda Melo
(médica - Cabo Frio - RJ).

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Opinião: medicina e ficção

A saúde em tela plana.

A atual novela do horário nobre da Rede Globo não é um típico drama médico. Apenas presta homenagem ao gênero, revivendo personagens médicos atarefados, preocupados com o bem-estar de pacientes e o vilão que administra o hospital. Os dilemas enfrentados para obter atendimento, geralmente objeto de tramas colaterais nos diversos programas médicos, estão praticamente ausentes na novela, que tem como um de seus principais cenários um hospital privado com uma ala benemerente. Na tela, ninguém paga diretamente nada pela assistência: os planos de saúde são explicitamente mencionados como responsáveis pelas receitas administradas corruptamente, e quem não tem cobertura é internado mediante aquiescência do dono do hospital. Contudo, a fórmula para aproximar personagens distanciados em termos sociais e geográficos no espaço compartilhado do hospital não é uma simples falsificação da realidade ou desleixo em relação às expectativas sobre o sistema de saúde.

Hospitais filantrópicos que atendiam pobres passaram a reservar ambientes adaptados para pacientes de classes altas e se tornaram um dos pilares dos modernos sistemas de saúde. Consequentemente, a época de discriminação dos indigentes (daqueles que não eram beneficiários da Previdência) foi superada. O que a TV retrata e não encontra correspondência na realidade é a existência de profissionais de saúde brasileiros atendidos no mesmo local onde trabalham. Servidores públicos, frequentemente, têm planos que os levam para serviços privados, e os contratos de cobertura para o quadro técnico e auxiliar que atua em estabelecimentos considerados de primeira linha também não incluem o acesso à rede exclusiva para clientes ricos.

Portanto, quem trabalha na saúde no Brasil vivencia, além dos conflitos éticos frequentemente retratados nos dramas médicos, uma dubiedade social e política. O vigor dos servidores públicos contra ataques privatizantes da saúde se arrefece diante do fato de a categoria ter planos privados de saúde financiados diretamente com recursos dos orçamentos públicos. Algumas entidades médicas, inclusive aquelas que deveriam zelar exatamente pelo "desempenho ético e moral da profissão", se associam descaradamente a empresas de planos de saúde, que mimetizam o papel de organizações desinteressadas no lucro e ao mesmo tempo patrocinam clubes de futebol.

A bagunça no SUS gerada pela confluência das lutas pela redução das jornadas e "plantonização" do trabalho dos médicos é imensa. Embora as reivindicações pelas trinta horas de trabalho ainda não tenham sido reconhecidas legalmente e a inserção dos médicos no trabalho de rotina seja formalmente registrada, o que vale são os arranjos informais baseados em negociações entre gestores e profissionais de saúde, nos quais a variável de ajuste é somente a compressão do tempo de trabalho em troca da mesma ou maior remuneração. Menos horas de trabalho, sem perspectiva concreta de reposição, funcionários que duvidam das condições assistenciais que contextualizam suas práticas e o afastamento das vicissitudes e necessidades da população comprometem inexoravelmente o potencial de oferta de atenção e qualidade do SUS.

As circunstâncias da inserção dos funcionários em unidades de excelência tampouco se coadunam com representação de serviços de saúde como espaços de encontro entre comuns. Na novela, uma enfermeira argumenta que trabalha há muito tempo naquele hospital e que não seria justo negar atendimento a sua neta. Na realidade, o mais provável é que profissionais de determinados hospitais privados estejam vinculados a um plano que exclui a possibilidade de unir trabalho e uso do serviço e se adaptem a um padrão de consumo distinto daquele disponível a seus clientes.

Servidores públicos e os profissionais que trabalham em serviços privados, e não são usuários costumeiros do SUS e tampouco das unidades de saúde mais prestigiadas, tornaram-se consumidores de planos de saúde de segunda classe. A anuência passiva ou ativa com a desvalorização do SUS e a consagração de unidades especializadas na assistência às classes superiores de renda contrastam com as cenas da novela. Essa dissintonia entre a vida tal como ela é e as imagens da televisão pode parecer, à primeira vista, um jeitinho midiático de acomodar situações improváveis. Entretanto, o rompimento da saúde com a segregação espacial do atendimento de ricos e pobres foi essencial, tanto para o desenvolvimento do potente mercado de saúde nos EUA quanto para os sistemas universais europeus.

A novela expressa uma aspiração concreta, extrapola a simples falsificação do real. Onde a imaginação corre solta é na propaganda governamental sobre direitos à saúde, que vai ao ar inclusive nos intervalos da novela. A invenção de um mundo homogêneo para quem tem plano, independentemente do valor pago, é um embuste. As políticas de saúde, baseadas nas promessas de cumprimento de prazos iguais para circunstâncias clínicas e coberturas diferenciadas, declaram intenções de corrigir problemas deixando exatamente tudo com está. A novela simula um cotidiano simplificado, talvez um tanto ou quanto idílico. Mas a omissão do papel do SUS como ressegurador dos planos baratos, e em certa medida também dos caros, bem como o não enfrentamento de condições de trabalho retrógradas ajudam a criar um enredo totalmente fictício, que atende ao propósito de adiar, mais uma vez, as tarefas para organizar um sistema igualitário.

Autora: Ligia Bahia.
(Médica Doutora, especialista em Epidemiologia, Pneumologia Sanitária e em Programação e Gerência de Sistemas, pesquisadora da área de saúde coletiva, e professora da UFRJ).
Artigo publicado no jornal O Globo.

Opinião: Saúde

A solução é o SUS.

Tenho certeza que se meu amigo e mestre Sérgio Arouca, um dos mais renomados médicos sanitaristas do país — e que nos deixou prematuramente — estivesse aqui, ficaria decepcionado com a proposta do governo federal de "importar médicos cubanos" para o atendimento de populações que vivem em regiões carentes de profissionais da saúde.

Tal medida está completamente desconectada dos princípios básicos que norteiam as ações do Sistema Único de Saúde. As primeiras conversas e experiências desenvolvidas na construção do SUS surgiram na Universidade de Campinas, no começo dos anos 1970. Faziam parte do grupo de estudos docentes do Departamento de Medicina Preventiva, mas quem mais me chamou a atenção foi o dr. Arouca, dono de mente brilhante e grande sensibilidade social.

Essa meia dúzia de "profetas da saúde", seguidos por igual número de alunos do terceiro ano de medicina na Unicamp, contando com uma Kombi usada e muitos sonhos e desafios, rompeu paradigmas defendidos com unhas e dentes pela Sociedade de Medicina local, onde militavam médicos tradicionalistas avessos a propostas inovadoras.

Foi na luta e no confronto de opiniões, portanto, que surgiu o embrião daquilo que seria o Sistema Único de Saúde no Brasil. Inicialmente batizado de Prev-Saúde, a proposta de universalização do atendimento médico ganhou força com a adesão de pesos pesados à causa, como o dr. Aristodemo Pinotti.

Mas foi Sérgio Arouca quem batizou o sistema com o nome que se tornou, anos mais tarde, no maior modelo de assistência global de saúde do mundo. Sérgio Arouca alimentava esse sonho desde que assumira a presidência da grande Conferência Nacional de Saúde, reunindo estudiosos do Brasil e do exterior.

Como vivenciei esse momento histórico das políticas públicas da saúde no Brasil, sinto-me confortável em afirmar que a ideia de "importar" médicos cubanos para atuarem em regiões carentes de profissionais brasileiros nos grotões do país é uma afronta à memória de Sérgio Arouca e de todos aqueles que desenvolveram as bases de criação do Sistema Único de Saúde.

Não adianta trazer médicos de Cuba, da China ou do Iraque. O que o Brasil precisa, com urgência, é aprimorar aquilo que é considerado pelo Congresso dos Estados Unidos um modelo a ser seguido. A reforma do SUS é a única possibilidade real de sucesso para a saúde brasileira, mas é preciso enfrentar as falhas do sistema e desenvolver novas estratégias a partir de experiências bem-sucedidas dentro e fora do país.

Afinal, será que faltam médicos para atender ao público das comunidades pequenas espalhadas pelo Brasil? Como médico, estou convencido de que esta questão embute apenas uma meia verdade. Senão vejamos: o médico cubano atende uma pessoa com quadro infeccioso e indica a realização de exames para melhor precisão do diagnóstico. Onde estão os laboratórios? E em caso da necessidade de internação, onde estão os hospitais? E os enfermeiros e auxiliares? Tudo isso não são jabutis colocados em cima da árvore.

As regiões metropolitanas, onde se concentram densas populações e infraestrutura precária, não se enquadram no perfil geográfico que se pretende contemplar com a presença dos médicos "importados". Onde a morte ronda os pacientes largados em corredores de hospitais públicos? Nos grandes centros urbanos, obviamente. E parece senso comum que não faltam profissionais de saúde nessas regiões.

O que falta para resolver a situação caótica da saúde no Brasil é coragem para enfrentar o problema de frente. Não é na prescrição da "empurroterapia" ou analgésico da demagogia que cuidaremos da vida da população. As prefeituras das grandes capitais carecem de médicos dedicados ao serviço público. E isso se resolve pelas leis de mercado, com salários atraentes e condições de trabalho dignas.

A prioridade não é a criação de cursos de medicina em Quixeramobim, ou em qualquer outro ponto longínquo do país, mas de se estabelecer planos de metas capazes de gerar grande contingente médico dentro de uma carreira estabelecida pelo governo federal, exclusiva, generalista no conhecimento assistencial a crianças, mulher e adultos. Um exame federal seria realizado na medida das vagas regionais, prevista como pré-requisito em contrato assinados com validade mínima de um ano, para atendimento em comunidades sem médicos.

Dessa forma, se acrescentarmos ao SUS um subsistema exclusivo de carreira típica de Estado, com obrigatoriedade de retorno social ao povo desassistido, salário justo, ajuda de custo como pagamento de aluguel, alimentação, transporte para o trabalho, atualização médica e reciclagem presencial e/ou virtual, teremos uma cobertura nacional satisfatória de profissionais da medicina. Cumprida essa etapa, esses jovens doutores estarão aptos e com acesso garantido ao trabalho em grandes hospitais nas capitais e cidades brasileiras densamente povoadas. É disso que o Brasil precisa.
 
Autor: Hélio de Oliveira Santos.
(Cirurgião pediatra e professor universitário, ex-deputado federal e prefeito cassado por suspeita de corrupção, em Campinas - SP)
Artigo publicado no jornal Correio Braziliense.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Opinião: A Síndrome da Reivindicação Sucessiva

A Síndrome da Reivindicação Sucessiva é um ardil usado por quem não quer fazer uma coisa e argumenta que não é contrário à ideia, mas ela deve depender de algo, sem o quê, será inócua ou contraproducente.

Dois exemplos:

1 — A corrupção política só acabará quando houver uma reforma, criando-se o financiamento público de campanha.

Falso. O que inibirá com a corrupção será a ida dos larápios para a cadeia, e é isso que os defensores do financiamento público, inclusive Lula, querem impedir.

2 — A contratação de médicos estrangeiros por tempo determinado para trabalhar em áreas onde não há esses profissionais só fará sentido quando se rediscutir o sistema de financiamento da saúde ou o plano de carreira do SUS.

Falso. Hoje, dois terços dos 288 mil médicos estão nas regiões Sul e Sudeste. Só 13% deles clinicam em municípios com menos de 50 mil habitantes, onde vivem 64 milhões de pessoas. Em 397 municípios não há médico algum. É direito de qualquer cidadão trabalhar onde bem entende, mas barrar o acesso de outro profissional que aceita ir para um lugar que não lhe interessa é bem outra coisa.

O ardil destina-se a congelar uma situação na qual os médicos estabelecidos têm no Brasil uma reserva de mercado e transformam concorrência em vírus. O andar de cima dos pequenos municípios trata-se em outra cidade, ou em São Paulo. O peão, dana-se, ou vai ao curandeiro.

Se três médicos cubanos, marcianos ou espanhóis chegarem a um município pobre para uma permanência de três anos, qual dano ameaçará a população?

A reivindicação sucessiva é sempre impecável. Lei do Ventre Livre? Enquanto não houvesse creches seria a “Lei de Herodes”.

Lei dos Sexagenários? Sem asilo para os negros forros, uma crueldade.

Cotas nas universidades públicas? O que se precisa é melhorar o ensino médio.

Voto para o analfabeto? É obrigação do Estado alfabetizá-los. Até lá, que esperem.
(Não custa lembrar que os generais de 1964 achavam isso e, em 1969, quando decidiram escolher um presidente da República, meteram-se numa enrascada, pois se o voto de um analfabeto não vale o de um coronel, o de um general que comandava uma mesa não valia o de um colega que tinha tropa).

Os municípios sem médico também são pobres de renda. Em março a doutora Dilma torrou R$ 325 mil em três dias de hotelaria romana, noves fora o AeroLula. Esse dinheiro equivale a algumas semanas da receita de muitos municípios sem médico.

A nobiliarquia mobilizou-se contra a ideia dos médicos estrangeiros com uma declaração retumbante do Conselho Federal de Medicina: “Não admitimos uma medicina de segunda para os mais carentes. Até porque quem está no governo, quando adoece, vai para hospitais de primeira linha”.

Falta explicar que tipo de medicina existe num município sem médico. Ademais, admite sim, porque nenhum doutor reclamou quando Lula, feliz paciente do Hospital Sírio-Libanês, resolveu se garantir passando no médium João de Deus, em Abadiânia. Com seus poderes, ele faz cirurgias e já atendeu nove milhões de pacientes.

O que diriam os doutores se o Ministério da saúde quisesse atrair curandeiros? João de Deus talvez ficasse a favor.
 
Autor: Elio Gaspari
(jornalista e escritor)
Artigo publicado no jornal O Globo.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Charge: importação de profissionais


terça-feira, 7 de maio de 2013

Brasil importará 6 mil médicos de Cuba para trabalhar no interior

A informação foi dada ontem pelo ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, depois de um encontro de trabalho com o chanceler cubano, Bruno Rodríguez. "Estamos nos organizando para receber um número maior de médicos aqui, em vista do déficit de profissionais de Medicina. Trata-se de uma cooperação que tem grande potencial e a qual atribuímos um grande valor estratégico", informou o ministro.

Os médicos cubanos viriam por meio de contratos com a Opas como prestadores de serviço ao governo brasileiro. A intenção é que esse período seja de dois ou três anos - o prazo máximo não está definido. Seria uma forma de o governo ultrapassar as dificuldades criadas pela contratação de estrangeiros, especialmente na área de Medicina, onde há enorme pressão pela validação dos diplomas.

A intenção do governo, no entanto, é abrir espaço para os que quiserem ficar. Depois de terminado o contrato via organização pan-americana, o médico estrangeiro poderá fazer o Reva-lida, exame de validação preparado pelo Ministério da Educação para poder atuar sem impedimentos no Brasil

O formato de toda essa operação ainda está sendo estudado pelo governo. Depende de uma autorização legal, que poderá ser medida provisória ou projeto de lei, "Ainda estamos formalizando os entendimentos para que eles possam desempenhar sua atividade profissional no Brasil e atender regiões particularmente carentes do País", disse Patriota.

A vinda dos médicos começou a ser negociada durante a visita da presidente Dilma Rousseff a Cuba, em janeiro de 2012. E, apesar da resistência de entidades de classe, tem a chancela dela. A intenção não é trazer apenas cubanos, mas também espanhóis e portugueses. Cuba, no entanto, foi o primeiro país a oferecer um número significativo de profissionais de saúde.

Déficit. O Brasil tem, de acordo com levantamento da Organização Mundial de Saúde, pelo menos 455 municípios onde não há nenhum médico. Na Região Norte, a média é 0,8 por mil habitantes e, no Nordeste, 1 por mil, enquanto a OMS preconiza 1,5 por mil.

Informação divulgada através do jornal O Estado de São Paulo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Opinião: impensa e Saúde Mental

Prezado Sr. Editor,

Recentemente, eu fui surpreendido com uma chocante reportagem denunciada pela mídia em âmbito nacional mostrando a triste situação de um hospital psiquiátrico da cidade de Sorocaba bem como o tratamento ofertado aos pacientes ali internados.

É indiscutível que pacientes acometidos por graves enfermidades mentais possam ter, em sua evolução, necessidades de internação psiquiátrica. No entanto, eu defendo que esta internação seja realizada em um ambiente adequado onde o tratamento possa ser ofertado de forma humana e tecnicamente aceitável. Este espaço deve incorporar princípios organizacionais discutidos e encaminhados pela Associação Brasileira de Psiquiatria em documento histórico (Diretrizes para Assistência Integral em Saúde Mental) escrito no ano de 2006. No referido documento, é proposto uma atenção à saúde mental de forma integrada e escalonada em níveis de complexidade (primário, secund ário e terciário). E desse modo, em sendo necessário a internação psiquiátrica, esta deverá, sempre, ficar vinculada aos princípios éticos, técnicos e científicos que regem minha profissão médica e a minha especialidade (psiquiatria).

É importante destacar que o saber psiquiátrico atual está alicerçado em bases científicas e na consolidação de um humanismo responsável cuja afirmação exige formulações de políticas públicas em saúde mental que estejam integradas ao modelo geral de assistência à saúde.

Gostaria de deixar claro que não compactuo e não concordo com o modelo terapêutico hospitalar exposto nesta reportagem e ressalto a minha indignação frente a ultrajante realidade por que passaram os pacientes nesta unidade hospitalar. Embora a Assistência à Saúde Mental precise de novas análises e instrumentos jurídicos, abomino quaisquer formas de exclusão e segregação que sejam impostos através de modelos de tratamentos tais como divulgados pelos meios de comunicação.

Aguardo um posicionamento oficial dos Conselhos de Classe e, sobretudo, da Associação Brasileira de Psiquiatria sobre a realidade demonstrada no hospital destacado pela reportagem bem como as medidas administrativas e jurídicas dos órgãos responsáveis dos Poderes Executivos e Judiciários.

Atenciosamente,

Régis Eric Maia Barros
Psiquiatra - Mestre e Doutor em Ciências Médicas pela FMRP - USP

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Provab 2 - inscrições abertas!

Provab 2
Saúde convoca médicos a aderirem ao programa
 
Desde a segunda sexta-feira do mês de janeiro (11), médicos de todo o país podem se inscrever para a segunda edição do Programa de Valorização dos Profissionais na Atenção Básica - Provab. O programa promove a qualificação profissional por meio da atuação em periferias de grandes cidades, municípios do interior ou áreas remotas. As regras para as inscrições constam no edital publicado a quinta-feira (10). Após realizar a adesão, no prazo de 06 a 17 de fevereiro, os médicos devem indicar em quais municípios querem atuar.

Pela nova edição do Provab, os médicos cursarão pós-graduação em Saúde da Família e receberão bolsa custeada diretamente pelo Ministério da Saúde no valor de R$ 8 mil mensais, pelo período de 12 meses. O curso prevê atividades práticas na Atenção Básica, supervisionadas por instituições de ensino superior (IES), bem como atividades teóricas desenvolvidas em (EAD) pela Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde - UnA-SUS, rede de universidades públicas de referência.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatiza a importância dessa experiência na qualificação profissional do médico. “O principal objetivo do programa é complementar a formação médica com a atuação supervisionada na Atenção Básica em áreas vulneráveis, mais pobres ou no interior do país. Além disso, o programa permite que o médico, com essa complementação, seja valorizado quando for pleitear uma vaga de especialização”, explica Padilha.

Os profissionais bem avaliados pela IES receberão pontuação adicional de 10% nos exames de residência médica, conforme a resolução 03/2011 da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM).

Para o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mozart Sales, a expectativa é que esta nova edição desperte mais interesse nos profissionais. “Além da mudança com relação à bolsa, que será custeada pelo Ministério da Saúde, o Provab 2 alia a formação supervisionada nas Unidades Básicas de Saúde com um curso de especialização, ou seja, um atrativo a mais para o médico”, avalia o secretário.

A adesão de médicos e municípios deve ser efetuada via internet, através do endereço link Provab 2013, por meio de preenchimento de formulário eletrônico e anexação dos documentos exigidos no edital.

Fase da Inscrição – Após aderirem ao programa, os profissionais deverão escolher a localidade onde desejam atuar, no âmbito dos municípios que aderiram ao programa. O profissional poderá selecionar uma opção em cada um dos seis perfis estabelecidos pelo Ministério da Saúde como regiões prioritárias: capital ou região metropolitana; população maior que 100 mil habitantes; intermediário; população rural e pobreza intermediária; população rural e pobreza elevada; e populações quilombola; indígena e dos assentamentos rurais.

ATENÇÃO ADMINISTRADORES MUNICIPAIS! A adesão dos municípios ainda está aberta. Os municípios podem aderir ao Provab 2013 até 01 de fevereiro.

O número de vagas em cada localidade dependerá da demanda informada pela respectiva secretaria de saúde, e a distribuição dos médicos obedecerá a critérios de preferência nos casos em que o número de profissionais interessados for maior do que a oferta de vagas.

Terão prioridade na alocação, os médicos que se graduaram, obtiveram certificado de conclusão de curso ou revalidaram diploma em instituição de ensino localizada na unidade da federação a qual pertence o município, bem como os nascidos no estado. O segundo critério consiste na data e horário da adesão e, o terceiro, na idade do profissional, tendo preferência a maior.

Após a definição do local, o médico deverá se apresentar no município em que irá atuar durante o período de 20 a 26 de fevereiro. Estão aptos a participar do programa os médicos que não tenham vínculo empregatício com a Atenção Básica e não constem no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde na condição de profissional com vínculo ativo em Unidade Básica de Saúde. A lista final dos médicos e seus respectivos municípios será divulgada até o dia 28 do próximo mês, com início das atividades em 1º de março de 2013.

ORIENTAÇÃO – Os médicos terão acesso às ferramentas do Telessaúde Brasil Redes, programa do Ministério da Saúde que promove a orientação dos profissionais da Atenção Básica por meio teleconsultorias com núcleos especializados, localizados em instituições formadoras e órgãos de gestão. Outra ferramenta disponível aos profissionais é o Portal Saúde Baseada em Evidências, plataforma que disponibiliza gratuitamente um banco de dados composto por documentos científicos, publicações sistematicamente revisadas e outras ferramentas (como calculadoras médicas e de análise estatística) que auxiliam a tomada de decisão no diagnóstico, tratamento e gestão.

MUNICÍPIOS - Os municípios interessados em receber médicos pelo Provab 2 podem aderir até o dia 1° de fevereiro, por meio do site do Provab. As localidades listadas na Portaria Conjunta N° 1.377/2011, terão prioridade. Os gestores municipais serão responsáveis por acompanhar os profissionais durante sua atuação na unidade básica.

Os médicos serão também tutoreados por instituições formadoras, por meio de supervisores remunerados pelo Ministério da Saúde com bolsas no valor de R$ 3 mil. Os profissionais serão avaliados, mensalmente, pelos gestores e pelas instituições. Eles também farão uma autoavaliação.

Na primeira edição do Provab, foram contratados 381 médicos, que eram remunerados diretamente pelas secretarias de saúde, com as quais mantinham o vínculo funcional. Entre estes, 347 iniciaram as atividades até 30 de março de 2012. Destes, 340 foram avaliados positivamente pela instituição supervisora e pelo gestor local, e receberão a pontuação adicional nas provas de residência médica do próximo ano.

Mais informações.




terça-feira, 8 de janeiro de 2013

SUS oferecerá mais unidades de internação em cuidados prolongados

Serão atendidos pacientes com quadro clínico estável, mas que precisam ficar internados por mais tempo, como pessoas vítimas de AVC, úlcera e portadores de sondas. Agora, segundo o Ministério da Saúde, os hospitais poderão se habilitar para prestar esse tipo de serviço.

Informação divulgada pela EBC.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Autismo - Programa Especial

Nesta edição do programa Ser Saudável, saiba como o autismo afeta a sociabilidade, linguagem, capacidade lúdica e comunicação da criança. Assista também ao Programa Especial sobre autismo.

Programa exibido pela TV Brasil.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Doenças do trabalho oneram mais o INSS

Os gastos da Previdência Social com trabalhadores que apresentaram problemas de saúde têm aumentado no Brasil. Para falar sobre esses problemas o Repórter Brasil entrevistou a consultora de Recursos Humanos, Emmily Matias e o médico do trabalho, Weldson Pereira.

Reportagem produzida pela TV Brasil.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Charge: Psicoterapia, religião e estresse




Charge divulgada no blog do pastor evangélico Jasiel Botelho, autor desconhecido.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Opinião: a SES, o CRIA e a Coordenação de Saúde Mental

O caminho errado
A SES não pode ignorar um século de embasamento teórico e clínico da Psicanálise.

A intenção da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, que propôs a extinção do Centro de Referência da Infância e da Adolescência - CRIA, da Unifesp, argumentando que serviços de base psicanalítica não contam com eficácia comprovada, e consequentemente, que a Instituição “produz pouco”, reúne equívocos técnicos e administrativos.

Sob o ponto de vista científico e conceitual, provavelmente o Dr. Giovanni Guido Cerri, atual Secretário, ignora a afronta que a Secretaria que dirige enviou aos profissionais da Unifesp, ao diminuir os resultados advindos de tratamentos psicanalíticos multidisciplinares, em que a população é atendida por médicos, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais especializados. E inclusive o nosso governador, Geraldo Alckmin, também médico e capacitado para compreender a importância de tratamentos preventivos e com espectro de atuação amplo, talvez desconheça a opinião apresentada pela SES.

É importante lembrar que por uma década o trabalho desenvolvido no CRIA foi, e ainda é, referencia de alto padrão em atendimento na área, no Estado e no Brasil. Entretanto, para se dedicar ao necessário e indispensável tratamento especializado oferecido aos autistas e pacientes com transtornos de personalidade, a Coordenação de Saúde Mental recomendou, e a SES acolheu, a intenção de descontinuar a oferta de tratamento para a população afligida por todos outros transtornos, questionando a contribuição e a comprovada influência que a Psicanálise ofereceu ao campo Saúde Mental, desde o final do século XIX.

Sob o ponto de vista administrativo e governamental, a decisão de extinguir o CRIA está no mesmo patamar equivocado da justificativa grosseira apresentada à Unifesp. Afinal, se as políticas da SES realmente tem o objetivo de “humanizar o atendimento nos serviços da rede pública, promover a sua integração, e atuar em prevenção”, é evidente que descontinuar o atendimento prestado às populações expostas ao sofrimento psíquico, e simplesmente abandoná-las à própria sorte, significa seguir na direção oposta à estratégia divulgada. E a decisão é contrária a princípios econômicos, inclusive. Pois negar atendimento às crianças e jovens com problemas psíquicos, é expor a sociedade em situações mais graves, com soluções mais caras, em médio e longo prazo.

Estou convencido que o Governador e o Secretário da Saúde, não permitirão essa decisão tão errada, sob qualquer ângulo de avaliação. Porém, ao observar o horizonte da Saúde Mental internacionalmente, preocupo-me com a tendência revelada por algumas correntes profissionais, que insistem em sistematizar diagnósticos e tratamentos de quadros psíquicos, a partir da análise mecânica de sintomas.

A intenção de reduzir a importância da escuta humana, e a relação singular entre profissional em Saúde Mental e paciente, em promoção de soluções pré-determinadas, não raro fortemente baseadas em medicalização, transparece em mais esse ataque disfarçado de política administrativa. Mas igualmente óbvia é a percepção comum sobre os setores econômicos e corporações que serão beneficiadas, e quem terminará severamente prejudicado, se os tratamentos psíquicos forem reduzidos a soluções prescritas em manuais e produtos adquiridos em prateleiras.
 
Autor: José Toufic Thomé
Psiquiatra e Psicoterapeuta, Especialista em Traumas e Crises pela Rede Ibero-Americana de EcoBioética / Cátedra UNESCO de Bioética.
Vice-presidente da Secção Psiquiatria em Desastres da Associação Mundial de Psiquiatria - WPA
Vice-presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia - ABRAP